Violet
Eu me olhava no espelho, tentando processar o que via. O vestido branco era simples, mas de um jeito quase encantador. Tinha um caimento leve e fluido, que terminava um pouco acima dos tornozelos, permitindo que meus pés aparecessem. Ao longo do tecido, pequenas flores brancas estavam bordadas, delicadas e quase imperceptíveis de longe, mas que, de perto, davam um toque suave e romântico à peça. Não era nada parecido com o que eu sonhara para um casamento. Mas também, não era um casamento de verdade, certo?
E, apesar disso, algo dentro de mim doía. Não consegui evitar que minha mente vagasse para o dia em que experimentei meu primeiro vestido de noiva, o verdadeiro. Aquele dia havia sido repleto de sorrisos e sonhos, da euforia de imaginar o futuro que eu estava prestes a construir. Eu me lembro de como meu coração batia mais forte, como se tudo finalmente estivesse no lugar. A felicidade parecia tão certa, tão concreta, que era quase palpável. Mas agora, com esse vestido falso, todas essas lembranças me pareciam absurdas, ingênuas, patéticas.
Senti um aperto no peito e uma pontada de tristeza que me fez piscar várias vezes. Minha visão começou a embaçar, como se aquelas lembranças, tão vívidas e tão dolorosas, tivessem se misturado com a realidade, dificultando meu foco. Tentei desviar os olhos, disfarçar a pontada de dor que surgia, mas foi então que algo chamou minha atenção. No reflexo do espelho, lá estava ele.
Damon estava parado logo atrás de mim, me observando em silêncio. Ele vestia um terno escuro, perfeitamente ajustado ao corpo, destacando a postura firme e confiante que era só dele. As mãos estavam tranquilamente enfiadas nos bolsos da calça, como se nada pudesse abalá-lo. Seu rosto, sempre marcado por aqueles traços intensos e sérios, parecia ainda mais enigmático na penumbra do provador. Seu olhar fixo sobre mim me deixava inquieta. Era impossível ignorar o quão bonito ele era. Cabelo ligeiramente desalinhado, como se tivesse sido propositalmente perfeito, e aqueles olhos penetrantes que sempre me faziam sentir observada, como se enxergassem muito mais do que eu deixava transparecer.
Uma onda de vergonha me atingiu; não queria que ele me visse assim, com os olhos marejados, presa às lembranças de um passado que eu tentava deixar para trás. Respirei fundo, piscando rápido, e dei um sorriso leve, ensaiado, esperando que fosse convincente. Me virei para ele, mantendo o olhar firme, como se tudo estivesse bem e aquilo fosse apenas mais uma formalidade. Afinal, era exatamente o que era, não é?
— O que achou? - A pergunta soou quase casual, mas a maneira como Damon me olhou em resposta foi qualquer coisa, menos isso.
Ele começou com os olhos nos meus, mas logo seu olhar se desviou para o vestido, descendo lentamente, dos meus ombros até os tornozelos. Era como se ele estivesse me analisando com uma precisão quase cirúrgica, gravando cada detalhe a laser em sua memória. Era um olhar que me despia de qualquer controle, como se cada curva e detalhe fossem profundamente observados e catalogados. A cada segundo, eu sentia minha pele pinicar, como se pequenas ondas de eletricidade corressem por todo o meu corpo, me deixando cada vez mais consciente do quão próximos estávamos e do quanto aquele simples vestido parecia se moldar à situação.
Meu coração começou a bater mais rápido, e eu mal podia manter a compostura. Tentei disfarçar a inquietação, me esforçando para manter o rosto neutro, mas era impossível ignorar o efeito que aquele olhar provocava em mim. Era como se, naquele momento, ele estivesse olhando muito além do vestido, como se enxergasse todas as coisas que eu tentava esconder, todos os pedaços quebrados que estavam dentro da minha alma.
Enquanto Damon me observava, percebi algo que nunca havia experimentado antes. Nunca, em toda minha vida, alguém tinha me olhado daquela forma, com tamanha atenção e intensidade. Era como se ele realmente me visse. E aquilo era desconcertante.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor Sob Contrato: O Acordo perfeito