Violet.
Quando Edgar me deixa em casa, finalmente me permito cair no sofá, exausta de ser arrastada entre lojas de roupas o dia inteiro. A sensação de alívio ao finalmente estar em casa é indescritível. Eu só queria um pouco de paz, mas, ao mesmo tempo, uma parte de mim sente que estou sempre correndo atrás de algo, de uma expectativa que nunca parece ser minha.
Pulga, a pequena Chihuahua que Damon me deu de presente no meu aniversário, começa a choramingar ao meu lado, como se soubesse exatamente o quanto o dia foi pesado para mim. Estendo a mão e a puxo para cima do sofá comigo. Ela, com toda sua energia fofa e inconfundível, vem direto e, com sua alegria característica, dá duas lambidas rápidas na minha bochecha, como se estivesse me cumprimentando após uma longa jornada.
Logo, ela se aninha na minha barriga, procurando o cantinho perfeito para se acomodar e, em segundos, já está dormindo tranquilamente. E, de algum modo, sua calma me contagia. Sinto a respiração dela se acalmando, e, aos poucos, me permito sentir o mesmo.
Poderia ser perfeito, mas a minha mente não para. Penso em Damon, penso no nosso casamento, nas promessas não cumpridas, nas inseguranças que começam a me corroer lentamente. Às vezes, sinto como se estivesse vivendo uma vida que não é bem a minha, como se tudo estivesse sendo moldado pelas expectativas dos outros, especialmente agora com os preparativos para o casamento. Edgar e Megan tentando me ajudar, mas, no fundo, eu sei que a verdadeira pressão é minha. Tudo parece ter se tornado um jogo de aparências e eu me pergunto, cada vez mais, se tudo o que estou fazendo é realmente para mim ou se estou apenas cumprindo um papel que alguém espera que eu desempenhe.
Respiro fundo, tentando me acalmar, e acaricio as costas de Pulga, que agora está dormindo como se o mundo lá fora não existisse. Talvez, por alguns minutos, eu também pudesse me permitir esquecer as expectativas.
Às vezes, me pego pensando se em algum momento tomei a decisão errada.
Claro que eu estava feliz ao lado de Damon, eu o amava do fundo do meu coração. Ele era tudo o que eu sonhava, mas, mesmo assim, havia algo dentro de mim que não conseguia calar. Talvez fosse uma sensação vaga, quase imperceptível, mas que estava lá, me fazendo questionar cada escolha.
Eu sempre vivi para os outros, não é? A minha vida inteira fui à mercê de alguém: primeiro Eathan, depois Damon. Eu me entreguei de corpo e alma para essas pessoas, sempre tentando preencher os espaços que faltavam, sempre buscando ser o apoio que eles precisavam. Mas, agora, me pergunto: e eu? Onde estava eu em tudo isso? Quando foi que eu, de fato, vivi para mim mesma? Quando fiz algo só porque eu queria? Quando tomei uma decisão que fosse apenas sobre o que me faria bem, sem me preocupar com o que os outros pensariam?
Esses pensamentos me perseguem às vezes, como sombras que não conseguem se afastar. Será que, se eu tivesse dado mais atenção a mim mesma, se tivesse tido tempo para viver por conta própria, eu não seria uma versão mais leve de mim? Mais livre, mais dona das minhas escolhas?
Eu me sinto presa em algo que, ao mesmo tempo, é o que mais quero, mas também o que mais me sufoca. A presença de Damon, o amor dele, é inegavelmente real, mas será que o amor que sinto por ele é o único amor que preciso agora? Ou será que, antes de tudo, eu preciso redescobrir o que é me amar, sem depender de mais ninguém?
Não sei se esses pensamentos fazem sentido, mas me sinto num turbilhão de dúvidas que não consigo controlar. Uma parte de mim quer seguir com tudo, não questionar e apenas viver a felicidade que tenho ao lado dele, mas outra parte se pergunta se eu não estou me perdendo no caminho, deixando de ser quem eu realmente sou.
Talvez eu precise de mais tempo. Talvez eu precise de espaço para ser só eu, sem ser definida por ninguém.
Eu olho para Pulga, que ainda está aninhada na minha barriga, dormindo tranquila e sem preocupações.
— Como faço isso, Pulga? — pergunto em voz baixa, quase como se ela fosse me dar uma resposta.
Ela não responde, claro. Ela só respira fundo e dá um suspiro suave, o que, de algum modo, me dá uma sensação de calma. Talvez fosse isso que eu precisasse... uma pausa, um momento para respirar e parar de tentar buscar respostas nas pressões externas. Talvez fosse isso que eu tivesse que fazer: parar de procurar tanto, de correr atrás de respostas imediatas.
Olho para o teto, permitindo que meus pensamentos se acalmem um pouco. Pulga se estica, e eu acompanho seus movimentos com os olhos, observando como ela simplesmente vive sem se preocupar com nada além do momento presente. Talvez, no final das contas, o segredo esteja exatamente aí: ser mais presente, viver o agora, sem deixar que o peso das expectativas dos outros me consuma. Quem sabe, a leveza que procuro esteja na simplicidade de um momento como esse.
Eu sorrio para ela, sem respostas, mas com uma sensação, mesmo que vaga, de que estou indo na direção certa. O que quer que eu decida, talvez seja hora de começar a me dar mais espaço.
O som das chaves na porta me chama a atenção e, ao olhar na direção dela, vejo Damon entrar. Sua expressão está ainda mais exausta que a minha, mas assim que me vê, seu rosto se ilumina com um sorriso largo.
— Oi, amor.
Ele deixa a pasta em cima da mesa de centro e se aproxima, ajoelhando-se ao meu lado. Dá um beijo suave em minha testa e carrega a mão até Pulga, que continua profundamente adormecida, sem se mover.

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