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Amor Sob Contrato: O Acordo perfeito romance Capítulo 27

Violet

Sentada no banco de trás do carro, observando a casa de Eathan, eu sentia um turbilhão de emoções borbulhando dentro de mim. Era surreal estar ali, em frente ao lugar onde passei os últimos dois anos da minha vida, acreditando que tudo aquilo era apenas o começo de algo eterno. Agora, aquela construção de tijolos parecia vazia, como se refletisse o que restou do meu antigo sonho.

— Se precisar de algo, estamos aqui — disse O'Conor, quebrando o silêncio que parecia pesar no ar. Megan olhou para mim com um sorriso encorajador, mas a verdade é que eu estava longe de estar pronta.

— Você está bem? — ela perguntou, um brilho de preocupação nos olhos. Era reconfortante tê-la ao meu lado, mas a ansiedade me consumia.

Eu só consegui assentir, embora meu coração estivesse batendo descompassado.

Lembro-me de todas as promessas que Eathan fez, de como ele me convenceu de que éramos um time. O que eu não percebi na época era que, no fundo, aquele time só existia na minha mente. Agora, tudo o que eu via era um lar que não significava nada, uma lembrança de como eu me deixei enganar. As paredes não guardavam mais risadas ou amor, apenas a frustração de um futuro que eu pensei ser real.

— Vou pegar minhas coisas e já volto — murmurei, tentando parecer confiante enquanto abria a porta. Megan me acompanhou, seu olhar sempre gentil e compreensivo.

Enquanto caminhávamos em direção à porta, me perguntei o que realmente significava estar ali. Eu estava prestes a buscar as últimas coisas que ainda restavam do meu passado, mas o que realmente desejava era me libertar daquela vida que, por tanto tempo, achei que era minha. Era hora de fechar aquele capítulo, mesmo que a ideia me deixasse inquieta.

— Vamos fazer isso — murmurei para mim mesma, decidida a recolher o que me pertencia e deixar para trás o que não era mais meu. E, acima de tudo, levar comigo a determinação de seguir em frente, em busca do que realmente merecia.

O novo começo estava à espera, e eu não podia mais me permitir olhar para trás.

Respirei fundo antes de bater na porta, com os nós dos dedos hesitantes, e então dei três batidas leves. Sabia que ele estava lá. Sabia que ele estava me esperando. E quando a porta se abriu, fui recebida por um olhar que conhecia tão bem quanto o meu próprio reflexo. Eathan estava lá, do jeito que eu me lembrava, mas com algo sombrio em seus olhos, algo que até então eu só havia visto em relances, nas vezes em que brigávamos e ele deixava transparecer sua verdadeira natureza.

Ele me encarou com uma expressão dura, o maxilar travado e o cenho franzido. Era óbvio que não estava feliz em me ver, que minha presença ali era quase um insulto. Mas, além da raiva estampada no rosto, notei algo mais. Algo escondido atrás daquele olhar que só eu saberia identificar: mágoa e rancor, como se a nossa história ainda o prendesse, mas do jeito mais amargo possível.

O mesmo olhar de quando Rosalind o abandonou pela primeira vez.

Olhar para ele me trouxe uma avalanche de lembranças. Conhecia Eathan desde os tempos de escola, desde a época em que éramos só dois adolescentes tentando encontrar um lugar no mundo. Eu me lembrava de como ele costumava me olhar do outro lado da sala de aula, daquele jeito especial que me fazia sentir a garota mais importante do mundo. Mas fui boba em confundir o olhar de amizade com o olhar de paixão. Com o passar dos anos, nossa amizade virou algo mais. Passamos da cumplicidade dos amigos para o amor dos namorados, ou pelo menos, foi assim que achei que tinha sido.

— Vim buscar minhas coisas — disse, tentando manter minha voz firme, mas era impossível ignorar a tensão que se formava entre nós.

Ele estreitou os olhos, um misto de dor e fúria cruzando seu rosto. Aquela não era uma expressão nova, mas agora parecia mais intensa, como se o rompimento de nossas vidas juntos tivesse feito o ressentimento crescer, como uma erva daninha que sufocava tudo ao redor.

— Não pensei que fosse realmente seguir com isso — ele respondeu, com um tom amargo que eu não conseguia ignorar.

Era doloroso ver o que havíamos nos tornado, mas parte de mim sabia que, mesmo que ele estivesse ali machucado, a verdade é que ele nunca soube me valorizar de verdade. O que via agora era um reflexo disso — uma versão distorcida de nós dois, aprisionada pela mágoa. Eu achava que conhecia o amor, achava que tínhamos algo sólido. Só que Eathan não foi o homem que eu imaginei que ele seria. E, naquele instante, a máscara caiu de vez.

Sem esperar um convite, entrei na casa e segui até o quarto onde passei tantas noites. Os móveis pareciam todos os mesmos, mas o lugar não tinha mais vida, como se, em nossa ausência, os momentos que passamos aqui tivessem se desfeito.

Eu mal havia cruzado o quarto quando ouvi os passos de Eathan atrás de mim, pesados e determinados, e Megan não hesitou em se aproximar, assumindo uma postura de proteção, pronta para intervir caso algo saísse do controle. Ela sabia o quanto essa situação mexia comigo e, pelo olhar dela, entendi que não estava sozinha, mesmo que a presença de Eathan tornasse o ar sufocante.

— Então é isso? — ele começou, a voz carregada de desdém, com uma expressão que misturava desprezo e... algo mais, talvez uma dor amarga que ele tentava esconder. — Vai mesmo se rebaixar a esse ponto, Violet? Transar com meu chefe só para esfregar isso na minha cara, para se vingar porque eu não pude ir ao nosso casamento?

Fiquei completamente imóvel, como se aquelas palavras tivessem me atingido como uma pedra. Não foi a surpresa por ele saber sobre Damon — afinal ele havia nos visto juntos naquele primeiro encontro. Mas foi a maneira como ele olhou para mim, como se eu fosse algo sujo, algo baixo. A palavra "vagabunda" pairava no ar, mesmo sem ele precisar dizê-la diretamente.

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