Damon
Dirigi sozinho até o cartório, deixando Violet e Megan para virem com o motorista que contratei. Achei que seria melhor dar um tempo a mais para Violet processar tudo. Ela estava prestes a entrar em algo complexo, e apesar de ter se mostrado determinada, eu podia ver as dúvidas em seus olhos.
Quando cheguei ao cartório, senti um certo alívio ao ver que a entrada não estava cheia de jornalistas. Edgar havia me avisado mais cedo que a notícia tinha vazado, e os abutres já estavam farejando o rastro para descobrir quem era a misteriosa “noiva” do herdeiro mais cobiçado de Seattle. Odiava essa alcunha. Cada vez que via meu rosto nas capas das revistas de fofocas da cidade, era como se minha vida particular estivesse em constante leilão. Ser seguido, observado, ser tema de fofocas — era o preço que vinha com o poder e o dinheiro, eu sabia, mas nunca deixava de irritar.
Passei as mãos pelo cabelo, respirando fundo para afastar o incômodo. Precisava manter a cabeça no lugar, focar na razão pela qual estávamos ali. Esse casamento era um negócio, um acordo que faria a situação de ambos mais fácil, ao menos em teoria. Mas, ao ver Violet vestida para a ocasião e ao pensar nos flashes que capturaram cada detalhe do momento que tínhamos compartilhado, não pude evitar me perguntar se realmente seria tão simples manter isso no campo dos negócios.
Veríamos. Eu só precisava me lembrar do que me trouxe até aqui — e manter a cabeça no lugar.
Assim que desci do carro, Edgar estava lá, com aquele sorriso de lado que só ele conseguia fazer, e, surpreendentemente, sem nenhum sinal do álcool da última vez que o vi. Ele se aproximou rapidamente e, antes que eu percebesse, já me puxava para um abraço. A mão firme dele me deu alguns tapinhas nas costas, e ele sussurrou, em tom de provocação:
— Bota um sorriso no rosto, campeão. O seu futuro sogro está ali e não tira os olhos de você.
Meu corpo enrijeceu instantaneamente. Olhei por cima do ombro de Edgar e, claro, lá estava ele, o pai de Violet, me estudando com um olhar avaliador. Eu não tinha realmente parado para pensar no fato de que essa era uma apresentação formal — de que eu estava prestes a ser julgado por um homem que, ao menos para o mundo exterior, agora confiava a filha dele a mim.
O pai de Violet era um homem imponente, mas não pelo tamanho ou pela altura, e sim pela presença. Ele tinha os olhos de um azul intenso, exatamente como os de Violet, tão profundos que pareciam captar tudo ao redor. A pele dele era clara, quase pálida, e, embora as linhas de expressão revelassem a idade, ainda era fácil ver que ele fora muito bonito em sua juventude — e, de certo modo, ainda era.
O cabelo, agora grisalho, estava penteado para trás de forma impecável, o que realçava suas feições fortes: o maxilar quadrado, a linha reta do nariz, e os lábios finos que não esboçaram nem um sorriso. Ele estava vestido de maneira elegante, em um terno cinza-escuro, mas sem parecer extravagante.
O mais curioso era ver como Violet era a versão feminina dele, como se ele tivesse transferido a própria imagem a ela, mas suavizada. Era impossível não notar o quanto ela herdara dele, desde os olhos atentos até aquela expressão de quem podia enfrentar qualquer coisa.
Ao seu lado, a mãe de Violet, uma mulher de presença marcante, com uma beleza que transparece a graça e a sabedoria adquiridas ao longo dos anos. Ela possui cabelos castanhos escuros, ligeiramente ondulados, que caem suavemente sobre os ombros, emoldurando seu rosto de traços delicados e expressivos. Seus olhos são de um tom profundo, refletindo uma mistura de calor e preocupação.
Ela veste um elegante vestido midi em um tom suave de azul, que complementa sua figura esguia e bem cuidada. O vestido, com um corte clássico, é adornado apenas com sutis detalhes florais, ressaltando sua sofisticação sem exageros. Ao redor do pescoço, ela usa um colar simples, mas delicado, que brilha à luz, simbolizando seu gosto por simplicidade e elegância.
Forcei um sorriso, tentando passar uma imagem de confiança. Não que eu me importasse em impressionar esse homem em particular, mas sabia que esse era um detalhe importante para Violet. Eu queria que ela sentisse que isso aqui estava sob controle.
Edgar afastou-se com um aperto em meu ombro, murmurando com um brilho divertido nos olhos:
— Isso. Agora parece que você realmente vai casar.
Antes que eu pudesse dar um passo em direção ao pai de Violet, o carro dela estacionou logo atrás do meu. Eu nem hesitei — praticamente corri até a porta, ansioso para abrir e tirar Violet dali o mais rápido possível. Seria bem mais fácil encarar meu "sogro" temporário com a presença dela, um lembrete de que aquele casamento, apesar de tudo, era um acordo consensual.
Quando abri a porta, Violet ergueu o rosto para mim, surpresa, e eu ofereci a mão para ajudá-la a descer. Ao toque dela na minha mão, um leve sorriso escapou antes que eu pudesse me conter. Ela estava deslumbrante, e havia algo tranquilizador em tê-la ao meu lado, quase como uma âncora que me mantinha firme no meio do caos de hoje.
— Essa é a primeira vez que vou enfrentar o pai de uma mulher — murmurei, ainda segurando a mão dela. — Então, se puder me dar um empurrãozinho, eu agradeço.
Violet me olhou com um sorriso divertido, um brilho nos olhos que quase parecia... encorajador. Ela apertou levemente minha mão, como quem diz “você consegue” sem precisar de palavras. Com aquele pequeno gesto, senti uma onda de confiança correr por mim. A presença dela tinha esse efeito curioso: como se, só por estar ali, ela tornasse qualquer situação menos complicada.
Assim que Violet ergueu o olhar e viu os dois homens à nossa frente, seu sorriso confiante se desfez num instante. Seus olhos perderam o brilho brincalhão e assumiram um tom de seriedade que eu ainda não tinha visto. Os homens parados ali estavam vestidos com uniformes formais da Força Aérea, em postura rígida – e, com um único olhar, dava para ver a semelhança entre eles e Violet.
Seus irmãos estavam ali, olhando para ela com expressões igualmente sérias e intensas, e era óbvio que ela não esperava por isso. Pelo que eu sabia, suas profissões demandavam muito tempo e comprometimento, e, ao que parecia, eles sequer haviam confirmado que conseguiriam comparecer.
Dava para ver a emoção brilhar nos olhos dela antes de se transformar numa expressão cuidadosa, quase como se não quisesse demonstrar o quanto aquilo a tocava. Para ser sincero, a presença dos dois me deixou um tanto apreensivo. Os irmãos de Violet eram imagens espelhadas de força e disciplina, com aquela postura militar rígida que deixava claro o quanto protegiam a família – e, neste caso, a irmã caçula. Era claro que eles não estavam ali para sorrir para as câmeras e fazer cerimônia.
Eu sabia que aquele não era apenas um momento para formalidades; era como se estivesse prestes a enfrentar um comitê de avaliação.
Eu sentia a tensão aumentar com cada passo que nos aproximava deles. Ambos me observavam com uma intensidade que eu conhecia bem, a mesma que usava em reuniões quando queria lembrar aos outros quem estava no controle.
Violet abriu um sorriso lindo e caloroso, aquele tipo de sorriso que consegue iluminar qualquer ambiente. Ela claramente estava nervosa, mas manteve a compostura. Antes mesmo de eu poder estender a mão, ela olhou para os dois com uma leve reprovação, questionando por que não haviam contado que viriam.
O primeiro a responder foi o gêmeo à direita, e sua voz saiu carregada de sarcasmo.

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