Damon
A sala do cartório era simples, mas com uma certa sofisticação que refletia a formalidade do momento. As paredes de um tom suave, quase neutro, estavam adornadas com quadros de paisagens e diplomas, criando um ambiente calmo, mas austero. O som dos passos ecoava suavemente sobre o piso de madeira polida, e os bancos de madeira escura, alinhados com precisão, estavam ocupados pelas poucas pessoas presentes.
Violet estava ao meu lado, sua presença algo que eu mal conseguia descrever. Ela estava ali, mas ao mesmo tempo parecia distante, envolta em um turbilhão de emoções que só ela sabia como controlar. Eu podia sentir sua respiração mais rápida, seu corpo tenso, mas ao olhar para ela, não vi dúvida, não vi medo. Ela estava decidida.
Os olhos dela estavam fixos na frente, sua expressão mostrando mais determinação do que qualquer outra coisa. Os movimentos eram mais firmes, seu queixo levemente erguido como se estivesse finalmente aceitando a realidade do que estava acontecendo, ou talvez fosse a certeza de que não havia mais volta.
Eu sabia que ela estava ciente de tudo, ciente de que, por mais que esse fosse um acordo entre nós dois, essa não era uma situação simples. Mas, em vez de sucumbir à pressão, Violet parecia ter encontrado uma força em si mesma. Algo nela havia se transformado. Em vez da incerteza de mais cedo, ela agora estava em plena posse de suas emoções, como se tivesse decidido que não havia mais espaço para dúvidas.
O juiz iniciou a cerimônia, e a formalidade dos seus gestos, o tom grave da sua voz, fez o momento parecer ainda mais solene. Eu observei Violet com mais atenção, absorvendo o momento, tentando entender o que ela sentia enquanto ela se preparava para fazer os votos, para assinar aquele contrato que mudaria nossas vidas de uma maneira irreversível.
Quando minha mãe apareceu antes da cerimônia ter início, uma onda de tensão tomou conta de mim. Vitória sempre teve esse efeito, ela tinha um poder quase sobrenatural de destruir qualquer equilíbrio com um simples olhar. E naquele momento, eu não estava nem preocupado com o acordo. Eu só me importava com ela. Violet.
Ela ainda estava se recuperando do confronto com Emmet, que parecia ter desestabilizado ela mais do que qualquer um poderia imaginar. Mas o veneno de minha mãe poderia ser o golpe final, e ela não merecia isso. Ela não merecia mais essa pressão. Não precisava dessa negatividade, dessa crítica, principalmente depois de tudo o que já havia enfrentado.
Minha mãe, com sua postura rígida e olhar de julgamento, começou a se aproximar, e eu sabia que aquele confronto seria inevitável. Eu podia sentir o peso do momento, o peso da minha decisão de ter trazido Violet para esse mundo. Era claro que minha mãe não aceitava a situação. Não aceitaria nunca. Ela via isso como uma perda de controle, uma falha nas suas expectativas. E, no fundo, o que mais me assustava era que ela pudesse, de alguma forma, fazer Violet se sentir pequena, insegura ou, pior, infeliz. Era a última coisa que eu queria.
Fiquei surpreso. Eu sabia que Violet era forte, mas a maneira como ela assumiu a direção da situação, sem se abalar pelo claro desgosto da minha mãe, me deixou sem palavras. Eu tinha passado tanto tempo tentando proteger ela de tudo que poderia ser prejudicial, mas naquele momento, foi Violet quem tomou à frente. Ela não se intimidou, não hesitou. Quando minha mãe a encarou com aquele olhar frio e carregado de julgamento, Violet respondeu com uma confiança que eu não sabia que ela tinha.
Ela ficou firme, enfrentando minha mãe com uma postura impecável, como se aquele julgamento não a tocasse. Eu vi a maneira como ela a olhou nos olhos, sem medo, sem vacilar. Como se, naquele momento, ela fosse a única que tinha controle sobre o que estava acontecendo. Ela era meu escudo, assim como eu tinha sido o dela momentos antes.

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