Damon
Assim que estacionei o carro na garagem subterrânea, nós dois saímos em um silêncio confortável. Caminhamos lado a lado até o elevador, cada um provavelmente mergulhado em pensamentos sobre o dia caótico que tínhamos acabado de enfrentar. Quando a porta do apartamento se abriu e ela entrou, pude notar seu olhar curioso percorrendo o ambiente, ainda sem se habituar completamente ao lugar que agora chamaria de lar.
Ela estava encharcada da corrida breve até o carro, os fios úmidos grudando na pele, e ainda assim — ou talvez exatamente por isso — estava linda. Eu me vi por um instante distraído, apenas a observando, admirando o jeito como parecia trazer vida a cada espaço onde estivesse. Mesmo com toda aquela fachada de acordo e contrato, algo ali me puxava para ela de uma maneira inesperada.
— Vou tomar um banho — eu disse, quebrando o silêncio enquanto caminhava até o meu quarto. — Se sinta à vontade, faça o que precisar. Esse apartamento vai ser seu pelo próximo ano, então, qualquer coisa... é só avisar.
Eu me virei para vê-la mais uma vez, os olhos fixos nela por um segundo antes de me afastar. Embora o acordo entre nós fosse claro, havia algo de curioso que eu não sabia explicar. O que era certo no papel não parecia ser exatamente o que estava acontecendo entre nós, e eu não sabia se isso era bom ou ruim.
Eu liguei a água no mais gelado possível, esperando que o choque me fizesse esquecer a confusão que estava tomando conta da minha mente. O som da água batendo no azulejo não foi o suficiente para me distrair. Não pude deixar de voltar àquele momento, aquele maldito momento em que a senti tão perto, quando a tive nos braços.
As mãos repousando na sua cintura fina, a sensação de seu corpo contra o meu, tão leve e delicado, como se fosse de vidro. E, então, os lábios. Aqueles lábios... Macios como seda, o toque suave que me fez esquecer de tudo, até do contrato, até do acordo. O sabor, o cheiro doce e leve de morango que exalava dela, quase inebriante, me envolveu de tal forma que eu quase não consegui me afastar. Um gosto leve, fresco, mas ao mesmo tempo intoxicante. Eu ainda podia sentir o calor da pele dela, o cheiro do cabelo úmido que deixava no ar.
Mesmo embaixo da água gelada a memória recente deixava meu corpo quente. Espalmei as mãos no porcelanato e fechei os olhos com força. Era impossível não pensar naquilo.
Frustrado me rendi ao que meu corpo implorava. A necessidade sendo maior que a razão, deslizei minha mão enquanto minha mente viajava até a ocupante do quarto ao lado.
Depois do banho demorado, deixo o quarto sentindo o corpo mais leve, apesar do motivo pelo qual me sinto assim. Sigo até a sala, mas a imagem que vejo me faz parar, quase surpreso.
Violet está sentada no sofá, distraída, com os pés encolhidos embaixo do corpo. E, honestamente, eu poderia esperar qualquer coisa, menos aquilo. Ela veste um pijama comprido, bem folgado, coberto de dinossauros coloridos em tons vivos de verde, azul e laranja. Eles saltam pelo tecido, formando uma combinação curiosa entre infantil e adorável.
Eu seguro o riso. É… inesperado. Do tipo de coisa que não se vê em uma mulher crescida.
Ela levanta o rosto e, ao me notar, ergue uma sobrancelha com uma expressão interrogativa.
— Tá olhando o quê? — ela pergunta, um sorriso divertido ameaçando escapar.
Dou de ombros, cruzando os braços e apoiando-me na parede.
— Esse seu pijama… Não imaginei que dinossauros fizessem parte do seu estilo.
Ela revira os olhos, mas vejo o canto da sua boca puxar de leve, quase um sorriso.
— Bom, eu não esperava me casar com um milionário, então acho que estamos quites nas surpresas, não?
Dou uma risada baixa, me permitindo relaxar um pouco mais. Violet tem um jeito peculiar de desfazer qualquer tensão, ainda que de maneira inesperada.
— Tocou num bom ponto — admito, e vou em direção à cozinha. — Mas vamos ao próximo dilema. O que você quer jantar?
Ela ajeita o pijama, parece pensar por um instante, mordendo o lábio como se realmente levasse a pergunta a sério.
— Hum… o que um milionário come normalmente em sua primeira noite de casamento?
Sorrio, abrindo a geladeira para checar as opções.
— Bom, pela tradição? Champagne e caviar, claro. Mas temos macarrão instantâneo e congelados. E você? Alguma preferência?
Ela ri, um som suave que me faz perceber o quanto estamos à vontade ali, numa situação em que teoricamente deveria haver um oceano de constrangimento.
— Macarrão instantâneo parece ótimo. — Ela responde, relaxando no sofá, com os dinossauros esparramados enquanto ela se ajeita. — Champagne fica pra próxima.
Coloco o macarrão para cozinhar e, enquanto a água começa a ferver, vou até a prateleira e puxo uma garrafa de vinho que estava guardada ali há algum tempo. Talvez um toque de requinte ajude a tornar a situação menos... inusitada. Afinal, macarrão instantâneo e vinho é um contraste interessante.
Pego duas taças e me aproximo do sofá onde Violet ainda está, com aquele pijama de dinossauros que, por mais que eu tente, não consigo ignorar.

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