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Amor Sob Contrato: O Acordo perfeito romance Capítulo 39

Violet

Damon está ali, sentado a poucos centímetros de distância, tão casual que é difícil lembrar que estamos casados. A combinação dele, uma calça de moletom escura e uma camiseta de mangas compridas preta, o faz parecer quase... acessível. Seus cabelos ainda estão úmidos do banho, e ele parece relaxado, o que deixa o ambiente leve, como se de repente fossemos velhos amigos compartilhando um jantar simples.

Mas não posso ignorar o que aconteceu algumas horas atrás. Seu beijo ainda está em minha mente, uma lembrança que, toda vez que invade meus pensamentos, traz um calor inesperado ao meu rosto. Eu me sinto dividida, como se estivesse entre o começo de uma amizade improvável e algo… mais. Algo que ainda não sei como lidar.

Damon desvia o olhar para a cozinha, checando o macarrão no fogão, e eu aproveito para me acomodar melhor no sofá, abraçando as pernas.

Olho para Damon, hesitando por um momento antes de começar a falar. Parte de mim quer manter as coisas leves, mas ao mesmo tempo, há tanto guardado dentro de mim que é difícil fingir que tudo está bem. E se vamos passar um ano inteiro juntos, talvez seja melhor ser sincera desde o começo.

— Sabe, — começo, desviando o olhar para a taça em minhas mãos. — Morei com meu ex por dois anos. A gente dividia tudo... até os planos, as pequenas coisas do dia a dia. E agora, depois de tudo... é estranho. — Dou uma risadinha sem graça, tentando aliviar o peso do que estou dizendo. — Ainda estou tentando me acostumar a fazer as coisas sem ele.

Damon escuta em silêncio, com um olhar que me encoraja a continuar. Respiro fundo e decido me abrir um pouco mais.

— Desde o dia em que fui... deixada no altar, estive na casa da minha mãe. — Sinto o rosto corar, ainda incomodada com o peso dessas palavras. — Estava um pouco perdida, sabe? Tudo parecia fora de lugar. E agora... agora estou aqui.

Ele não diz nada, mas o olhar dele permanece fixo em mim, como se realmente estivesse me ouvindo — e, de alguma forma, entendendo.

— Não é que eu não queira estar aqui, ou que eu esteja arrependida de aceitar a sua proposta. Na verdade, acho que isso pode ser bom pra mim. — Dou um sorriso tímido, tentando me explicar. — Mas a verdade é que eu ainda estou tentando entender onde me encaixo nessa nova realidade... ou pelo menos tentando encontrar uma forma de seguir em frente sem olhar tanto para trás.

Damon assente, e a expressão dele é suave, compreensiva. É como se ele entendesse sem que eu precisasse detalhar cada parte dolorosa disso. Isso me dá a confiança de continuar.

— Então... acho que se vamos passar o próximo ano lado a lado, quero ser honesta. Preciso que isso aqui funcione. Não só pelo acordo, mas porque... talvez seja o que eu preciso pra encontrar alguma estabilidade, pra deixar as coisas do passado pra trás.

Ele se estica um pouco no sofá e segura minha mão por um breve instante, um gesto simples que me conforta.

— Violet, não tem problema se sentir assim — ele diz, com um tom sério, mas gentil. — Acho que qualquer pessoa no seu lugar estaria tentando se reencontrar. Não precisa ter pressa. A gente pode ir um passo de cada vez.

E naquele momento, percebi que, de alguma forma, talvez Damon possa ser exatamente o que eu preciso agora.

Deito a cabeça no estofado do sofá, deixando o olhar vagar pelo teto por um momento antes de me virar para Damon. A pergunta surge quase sem que eu perceba, mas é algo que venho me perguntando desde o momento em que ele fez a proposta.

— Damon... por que você quis se casar com uma estranha? — pergunto, minha voz saindo em um tom mais suave do que eu pretendia. — Você é... quem é. Poderia ter feito isso com alguma namorada, alguém que você conheça.

Ele solta um suspiro leve, como se já esperasse por essa pergunta. Com a taça de vinho ainda em mãos, ele inclina a cabeça, ponderando por um instante antes de responder.

— Sabe, Violet... — ele começa, com um olhar pensativo. — Eu nunca fui exatamente o tipo de cara que se envolve de verdade com alguém. As pessoas com quem me relacionei... sempre souberam que eu não estava procurando por algo duradouro. Um compromisso sério não era parte do meu plano.

Ele toma um gole de vinho, como se precisasse daquele breve instante para organizar os pensamentos.

— Quando a questão da herança apareceu, pensei em algumas opções, sim. Mas percebi que, com alguém que eu tivesse qualquer tipo de vínculo, as coisas ficariam complicadas. — Ele me encara, o olhar profundo e direto. — Fazer isso com uma... estranha, alguém que não tivesse expectativas emocionais de verdade, parecia mais seguro.

Dou um sorriso pequeno, sentindo um misto de curiosidade e empatia. Ele fala com uma sinceridade que não esperava.

— Então, uma aliança sem sentimentos, apenas negócios. — digo, meio em dúvida, tentando entender.

— É. E, de certa forma, é exatamente por isso que você parecia a escolha certa. — Ele dá um sorriso leve. — Você é direta, sabe o que quer, e também precisava de uma mudança. Nossos interesses se alinham. E... sei que pode soar frio, mas talvez a gente tenha mais chances de fazer isso funcionar sem tantas complicações emocionais.

Fico em silêncio, assimilando suas palavras. Ele realmente pensou nisso como um acordo, e essa honestidade, por mais estranha que pareça, acaba me deixando mais confortável.

— Faz sentido... eu acho. — murmuro, voltando a encarar o teto. — Talvez seja bom mesmo que a gente comece como... estranhos, porque, seja o que for que esse próximo ano traga, acho que a gente não precisa fingir nada.

Damon então se levanta e vai até a cozinha, onde o cheiro do macarrão já começa a tomar conta do ambiente. O observo enquanto ele mexe na panela, concentrado, quase casual, como se fosse algo que fizesse todos os dias. Em pouco tempo, ele retorna com dois pratos servidos e os coloca sobre a mesa, me levanto do sofá e vou até à mesa.

— Bom apetite, Violet — ele diz, puxando uma cadeira para se sentar à minha frente.

Sorrio, pegando o garfo, e faço um gesto de agradecimento. A verdade é que, apesar de simples, o gesto de ele preparar o jantar torna tudo mais leve. Como se, de algum jeito, a formalidade que sempre o envolve estivesse desaparecendo.

Ele dá uma garfada e, após alguns segundos de silêncio, me olha com curiosidade.

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