Damon
Violet terminou o jantar em silêncio, o olhar fixo no prato, claramente digerindo mais do que a comida. Eu queria retomar o tom leve de antes, a conversa casual que estávamos tendo sobre suas aulas e seus alunos. Mas, vendo a expressão dela, entendi que talvez fosse melhor lhe dar um tempo para processar tudo.
Eu me encosto na cadeira, observando-a de soslaio. Sua testa ligeiramente franzida, os lábios pressionados — ela parecia perdida em pensamentos, e, de algum modo, isso me incomodava. Eu não queria que esse tipo de coisa fosse um peso para ela. Este acordo era para resolver problemas, não para criá-los.
Quando ela termina de comer, levanto-me e começo a recolher os pratos. Dou-lhe um olhar breve, mas decido manter a distância, respeitando seu silêncio.
— Vou cuidar disso, Violet. — reafirmo para ela, num tom mais suave, quase um murmúrio, enquanto recolho os talheres. — Você não precisa se preocupar.
Ela apenas assente, me lançando um sorriso leve, ainda um pouco tenso. Percebo que ela está tentando parecer tranquila, mas sei que a ideia de estar na mira dos jornalistas a incomoda profundamente. E, mesmo que não admita, talvez ainda tenha aquela ferida aberta pelo ex-noivo — e agora, ter sua vida amorosa exposta dessa forma provavelmente torna tudo ainda pior.
Sigo para a cozinha, os pratos em mãos, mas, no fundo, minha mente já está trabalhando em como resolver isso. A última coisa que quero é ver Violet envolvida nesse tipo de circo midiático. A imprensa sempre encontra uma forma de escavar os detalhes mais íntimos e distorcê-los para vender manchetes, e eu me recuso a deixá-los fazer isso conosco.
Eu respiro fundo enquanto lavo os pratos, decidindo que a partir de amanhã tomarei medidas para conter isso. Ela pode ter aceitado entrar nesse casamento de conveniência, mas isso não significa que precise lidar com o pior lado da minha vida pública. De alguma forma, vou mantê-la protegida — nem que para isso eu tenha que entrar numa briga direta com cada um daqueles repórteres.
Minha mente continuava a girar em torno das consequências dessa invasão de privacidade. Violet ainda estava quieta, o olhar distante. Queria falar sobre o assunto, queria que ela soubesse que, embora isso fosse novo para ela, para mim era algo com o qual eu estava acostumado. Eu precisava explicar.
Dei uma pausa, virando-me para ela me encostando no balcão da pia. O tom da minha voz era calmo, mas carregado de uma experiência que ela provavelmente ainda não entendia completamente.
— Eu sei que isso deve estar sendo inesperado para você, Violet — comecei, apoiando as mãos sobre a bancada. — Mas, para mim, essa é a realidade desde que eu era criança. Minha mãe e meu pai vieram de boas famílias, e meu pai com o investimento das duas famílias, deu início à Lux. A empresa automobilística que agora gerencio. Isso me coloca num lugar onde a mídia está sempre ao redor, sempre querendo saber tudo sobre nossa vida pessoal.
Violet me observava, e eu vi a curiosidade começando a surgir em seus olhos. Como se ela estivesse tentando entender o peso que carregava todos os dias.
— Minha família sempre esteve entre as dez mais ricas do país — continuei, com um leve sorriso, quase amargo. — Então a imprensa... a mídia está literalmente no meu dia a dia. Quando eu era mais novo, eu me acostumei com as câmeras, com as perguntas, com os boatos. Era inevitável. Todo passo que eu dava, qualquer movimento da minha vida privada, virava manchete.
Eu parei, sentindo o peso dessas palavras. O que era um mundo familiar para mim, para ela, era um completo choque. Ela estava agora na mesma posição, mas talvez sem estar preparada para isso.
— Minha vida não é só minha. — Fui direto, sem rodeios. — Sempre tive que dividir tudo o que fazia, tudo o que pensava, com o mundo. Isso vem com o território, e eu não posso fazer nada para impedir. A única coisa que posso fazer é controlar o que é divulgado, e, agora, vou fazer isso por nós dois.
Violet ficou em silêncio por alguns segundos, processando tudo. Eu sabia que, apesar de tudo, ela provavelmente não imaginava o quanto a exposição e a pressão da mídia poderiam ser invasivas, implacáveis.
— Isso deve ser... — ela começou, hesitante, antes de se calar novamente, parecendo procurar as palavras certas.

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