Damon
Assim que a campainha soou, fiquei atento aos movimentos de Violet. Ela parecia tranquila, mas eu sabia que, por dentro, estava nervosa. Para tentar acalmá-la – ou talvez para acalmar a mim mesmo – aproximei-me e deslizei minha mão para a base de suas costas. O toque foi casual, mas o calor da pele dela, exposta entre a calça da jardineira e a blusa curta, fez com que eu segurasse o ar por um segundo. Violet virou o rosto ligeiramente, me lançando um olhar discreto, mas não disse nada. Eu também não.
A porta se abriu, e me vi cara a cara com um dos irmãos de Violet. Lembrei-me das instruções dela para diferenciar os gêmeos. Cicatriz na sobrancelha? Não. Esse era Gael. Ele abriu um sorriso tão largo que parecia capaz de iluminar a entrada inteira antes de puxar Violet para um abraço tão entusiasmado que a tirou do chão.
— Gael! — ela exclamou, rindo, enquanto tentava se desvencilhar. — Você nunca vai aprender a não me esmagar assim?
— Não posso prometer nada, maninha! — ele respondeu, ainda rindo enquanto a colocava de volta no chão. Seus olhos finalmente se voltaram para mim, avaliando-me de cima a baixo, com um ar que alternava entre curiosidade e desafio.
Estendi a mão para ele, mantendo minha expressão firme e amigável. Gael apertou minha mão com força, e o sorriso dele se alargou, mas agora com um toque de malícia.
— O famoso marido. — Ele enfatizou a última palavra, como se estivesse testando o som dela. — Espero que esteja preparado. Nossa família é... um pouco intensa, como você bem viu.
Olhei para Violet, que me lançou um olhar de aviso misturado com diversão.
— Tenho certeza de que vou sobreviver — respondi, relaxando os ombros e mantendo o tom leve.
Gael riu, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, outra voz veio do fundo da casa.
— Gael, vai deixar a porta aberta para sempre ou vai deixar eles entrarem? — Uma voz masculina e mais velha soou atrás dele.
Gael abriu espaço para entrarmos.
— Entrem, à vontade. — O sorriso dele era educado, mas contido, como se estivesse forçando um pouco de hospitalidade.
Violet entrou primeiro, e eu a segui, percebendo de imediato o cheiro de bolo de chocolate que preenchia a casa. O ambiente era aconchegante, com móveis rústicos e detalhes que mostravam que ali havia história.
No sofá, Emmet estava largado de forma displicente, com o braço esticado ao longo do encosto e o controle remoto na mão. Ele nem se deu ao trabalho de disfarçar a expressão cética ao me ver. Na poltrona ao lado, Charles, o pai de Violet, lia calmamente um jornal, mas ao perceber nossa chegada, baixou os óculos e ergueu os olhos.
— Pai, Emmet — disse Violet, quebrando o silêncio —, vocês lembram do Damon.
Charles levantou-se com certa calma, dobrando o jornal com precisão antes de se dirigir a mim.
— Claro que lembramos. — Ele apertou minha mão com firmeza. — Como está?
— Estou bem, senhor Harper. — Respondi com o tom mais respeitoso possível.
— Charles — ele corrigiu, sorrindo levemente. — Nada de formalidades aqui.
Antes que eu pudesse responder, Emmet soltou um som de desdém, uma espécie de riso abafado.
— Formalidades... É, bem, ele tem jeito de quem está acostumado a isso, não tem? — Emmet falou, mantendo o olhar na TV, mas claramente se referindo a mim.
— Emmet! — Violet o repreendeu, já com as bochechas vermelhas.
— O quê? Só estou comentando — ele respondeu, levantando uma sobrancelha e finalmente me encarando com um olhar desafiador.
Gael, que até então estava em silêncio, se apressou em intervir.
— Chega, Emmet. — Ele balançou a cabeça em reprovação, mas seu tom era mais brando. Então virou-se para mim, oferecendo um sorriso que, embora educado, parecia calculado. — Ignore ele, Damon. É assim com todo mundo.
— Não se preocupe. — Respondi, mantendo a expressão neutra. Não era minha primeira vez lidando com a hostilidade velada de Emmet.
Violet olhou para mim com um pedido de desculpas silencioso nos olhos, e eu apenas fiz um breve aceno com a cabeça, como se dissesse que estava tudo bem.
— Sente-se, filho, vou pedir para Nora trazer um café — Charles disse, gesticulando para o sofá enquanto se afastava para a cozinha.
Eu me sentei, mas mal me acomodei antes de sentir o olhar fixo de Emmet. Ele parecia determinado a me avaliar com cada grama de desconfiança que tinha.
— Então, como está sendo a vida de casado? — Ele perguntou, com um tom que carregava mais ironia do que curiosidade genuína.
— Interessante, para dizer o mínimo. — Respondi, mantendo o sorriso no rosto, mas me perguntando o quanto mais daquela "recepção calorosa" teria que aguentar.

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