Damon
Na minha vida, manter as emoções sob controle era uma arte que eu praticava diariamente. Não importava o caos ao meu redor, eu sabia que não podia permitir que meus sentimentos ficassem à vista. Era uma necessidade. Um reflexo quase automático de anos lidando com situações extremas enquanto sustentava um semblante calmo e pacífico.
Mas Violet não tinha esse hábito. E, olhando para ela agora, estava claro para qualquer um na sala que ela estava a um passo de desmoronar.
Desde o início da manhã, percebi que ela não estava bem. Suas emoções já tinham sido testadas pelas lembranças que a assombravam, e a mágoa ainda pairava no fundo de seu olhar. Agora, ser notícia na TV em pleno domingo na hora do almoço, era demais para qualquer pessoa no lugar dela.
Eu a observei enquanto ela desviava o olhar para a janela, a expressão abatida. Ela estava tentando manter a compostura, mas o peso das últimas horas era evidente. Por mais que tentasse esconder, seus ombros tensionados e as mãos inquietas a entregavam.
E, pela primeira vez em muito tempo, senti algo que não era apenas empatia ou solidariedade. Era uma vontade genuína de protegê-la, de tirar aquele peso das costas dela, nem que fosse por um momento.
Levantei, pedindo licença a Gael com um aceno breve. Sem dizer mais nada, me aproximei de Violet, que ainda encarava a janela, perdida em pensamentos. Estendi a mão para ela, um convite silencioso. Ela piscou, como se despertasse de um transe, e aceitou sem hesitar, levantando-se com movimentos lentos.
Inclinei-me levemente, sussurrando próximo ao seu ouvido:
— Mostre um lugar para conversarmos.
Ela apenas assentiu, apertando de leve minha mão antes de soltá-la, e começou a caminhar pela casa. Entramos no corredor estreito que levava aos quartos. As paredes eram decoradas com fotos da família: Violet pequena, sorrindo no colo da mãe; os gêmeos adolescentes, com expressões idênticas de tédio; e uma imagem mais recente, todos juntos em um churrasco no quintal.
Ela abriu a porta de um dos quartos e entrou. Assim que cruzei o limiar, me deparei com um espaço que parecia congelado no tempo. As paredes eram pintadas de um rosa suave, e vários pôsteres de estrelas pop decoravam cada canto. Um deles, ligeiramente desbotado, mostrava uma banda que eu reconheci vagamente. As prateleiras estavam cheias de pelúcias, livros de capa dura com brilhos e troféus escolares.
Violet parou no centro do quarto, os braços cruzados sobre o peito, enquanto eu observava tudo ao redor.
— É... meu antigo quarto — ela disse, dando um sorriso breve, quase tímido.
— Eu imaginei — respondi, fechando a porta atrás de mim para garantir um pouco de privacidade.
Era estranho, quase surreal, ver esse lado tão íntimo dela. Um vislumbre de quem Violet era antes de todas as mágoas, antes de Eathan, antes do casamento arranjado. A aura de nostalgia no ar era quase palpável. Eu me encostei na escrivaninha cheia de adesivos desbotados e cruzei os braços, deixando o silêncio pairar por um momento antes de falar.
— Está pronta para desabafar? — perguntei, olhando diretamente para ela.
Violet abraçou o próprio corpo com mais força, como se estivesse tentando manter todos os pedaços de si mesma juntos. Ela balançou a cabeça em negação, os lábios pressionados em uma linha tensa, recusando-se a falar.
Respirei fundo, sentindo o peso do momento cair sobre mim. Eu não sabia bem o que fazer. Palavras não pareciam suficientes, e a última coisa que queria era dizer algo errado. Então, mesmo hesitando, optei pelo simples, pelo instinto.
Dei um passo em sua direção, diminuindo a distância entre nós, e a envolvi em meus braços. No início, ela permaneceu rígida, mas logo se entregou, afundando o rosto contra o meu peito como se aquilo fosse o único porto seguro que tivesse.

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