Violet
Eu me afastei um pouco de Damon, o rosto queimando de constrangimento. Nem almoçamos ainda, e já era a segunda vez que ele me consolava. Isso parecia tão... errado. Eu estava sobrecarregada por tudo o que acontecia, por tudo o que minha vida virou em tão pouco tempo. Eu sabia que ele estava tentando ser gentil, tentando me ajudar de uma maneira que ele achava certa. Mas eu me sentia vulnerável demais.
— Desculpa — murmurei, limpando uma lágrima que escapou sem aviso.
Eu não queria ser fraca na frente dele. Não queria que ele me visse assim. Estava tudo tão novo, tão confuso. Como ele poderia ser tão paciente, tão compreensivo, quando eu mesma mal conseguia lidar com as coisas dentro de mim?
Tentei desviar o olhar dele, como se isso fosse resolver o desconforto que eu sentia. Ele estava ali, com os braços cruzados, me observando com uma expressão que eu não conseguia ler direito.
— É só... muita coisa acontecendo, você sabe? — tentei explicar, mesmo que não soubesse ao certo o que estava dizendo.
Eu só queria voltar para aquele momento em que as coisas eram simples, em que eu não precisava carregar tanto peso nos ombros. Mas, de algum modo, a presença de Damon trazia uma estranha sensação de alívio.
Damon começou a olhar em volta do quarto, parando em frente ao meu antigo pôster do Justin Bieber. Eu vi a sobrancelha dele arquear, a expressão divertida tomando conta de seu rosto. Claro que ele ia fazer algum comentário.
— Calado. — Falei antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, mas um sorriso acabou escapando.
Ele virou o rosto para mim, fingindo indignação.
— Nunca insultaria Justin. — Disse, sério, mas com aquele tom que só ele conseguia usar para provocar.
Revirei os olhos, ainda sorrindo. Ele parecia genuinamente intrigado com o pôster. Era estranho como, mesmo naquele dia cheio de altos e baixos, ele conseguia fazer algo tão simples parecer engraçado.
— Era um crush de adolescente, tá bom? — Retruquei, cruzando os braços. — Tenho certeza que você também tinha seus ídolos embaraçosos.
Damon fez uma expressão pensativa, mas os olhos brilhavam de brincadeira.
— Não tenho certeza se vou admitir isso aqui. Esse quarto é território perigoso.
Eu ri, e pela primeira vez em horas, não senti o peso constante do dia. Damon podia ser um bilionário cheio de responsabilidades, mas, naquele momento, ele parecia alguém tão simples quanto eu, compartilhando uma memória boba. E isso me fez sentir um pouco mais leve.
Eu me sentei na cama enquanto Damon continuava explorando meu quarto com aquele ar curioso que ele sempre tinha. Seus olhos pousaram nos meus troféus em uma prateleira no canto. Quase todos eram de competições de debates do ensino fundamental. Ele parecia intrigado, como se estivesse tentando conectar aquela parte da minha vida com quem eu era agora.
Depois de um tempo, ele se virou para mim, e sem dizer nada, caminhou até onde eu estava. Ajoelhou-se na minha frente, segurando minhas mãos entre as dele. O gesto me pegou de surpresa, mas o olhar dele era tão sério e ao mesmo tempo tão gentil que eu fiquei em silêncio, esperando.
— Violet... — ele começou, sua voz mais baixa e calma do que de costume. — Se, em algum momento, tudo isso for demais pra você... a mídia, a exposição, qualquer coisa... me promete que vai me dizer. Que não vai hesitar.
Meu coração apertou com a intensidade na voz dele. Damon parecia... sincero. Tão sincero que foi difícil acreditar que tudo isso era só um acordo. Eu o encarei, surpresa, sem saber exatamente o que dizer. Ele apertou levemente minhas mãos, como se quisesse reforçar o que acabara de dizer.
— Não quero que você sinta que precisa carregar isso sozinha. Mesmo que seja um casamento falso, eu estou aqui. Pra valer.

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