Violet
Lembro-me exatamente de como foi escolher meu segundo vestido de casamento. Aquele que deveria ser um momento calmo, quase terapêutico, transformou-se em um furacão assim que Edgar apareceu.
Eu ri, claro. Não tinha como não rir com Edgar. Ele era um caos ambulante, mas um caos que eu precisava naquele momento. Um lembrete de que, mesmo quando tudo parecia desmoronar, ainda havia espaço para um pouco de leveza.
No final, escolhi um vestido simples e elegante, do jeito que eu queria desde o início. Mas, mesmo assim, ao pensar naquela tarde, não é o vestido que vem à minha mente. É Edgar, brilhando, transformando uma "compra rápida" em um espetáculo inesquecível.
E foi exatamente esse espetáculo inesquecível que me veio à mente quando procurei o número de Edgar na agenda telefônica. Respirando fundo, ignorei o receio de que ele pudesse estar ocupado — afinal, ele é o melhor amigo de Damon e, provavelmente, estaria no meio de alguma reunião importante ou algo do tipo. Mas a necessidade de uma companhia como a dele falou mais alto.
Com um gesto mais ousado do que de costume, digitei o número e esperei que ele atendesse. Quando a voz animada de Edgar surgiu do outro lado da linha, eu soube que tinha feito a escolha certa.
— Ah, querida, que honra receber sua ligação! Diga, estou curioso. Está me chamando para te ajudar a cometer um crime ou apenas para salvar você de um dia tedioso? — ele disparou antes que eu pudesse falar qualquer coisa.
— Digamos que é mais um resgate emocional do que qualquer outra coisa — respondi, já sorrindo. — Estou precisando de um dia de compras, e você é a única pessoa que me veio à mente.
Houve uma pausa teatral antes da resposta.
— Compras? Comigo? Oh, Violet, é como me convidar para um palco iluminado só para mim. Me dê vinte minutos e estarei aí. Prepare-se para mudar o rumo do seu guarda-roupa e da sua vida, meu amor!
E, claro, em menos de vinte minutos, Edgar estava na porta do salão de beleza em que eu estava. Com seu blazer impecável, sapatos brilhando como um espelho e um sorriso que dizia "pronto para tudo". Ao vê-lo, senti uma pontada de alívio. Talvez ele tivesse vindo para me resgatar, mas naquele momento, parecia que estava prestes a transformar meu dia em algo memorável.
Mary ainda estava reclamando, bufando baixinho enquanto tentava acompanhar meu ritmo frenético. Ela já estava de cara amarrada por ter sido arrastada junto nessa "aventura". E quando ouviu que eu tinha ligado para Edgar, soltou um suspiro longo e dramático, como se estivesse prestes a enfrentar um furacão.
— Eu sabia que ia me meter em confusão quando você disse que precisávamos sair — ela resmungou baixinho, cruzando os braços enquanto andava atrás de mim. — Mas envolver o amigo de Damon? Isso só pode acabar mal.
— Exatamente por isso que vai acabar bem — retruquei, segurando um sorriso.
— Não sei o que é pior, o fato de você estar prestes a torrar seu dinheiro ou o circo que esse tal Edgar vai transformar essa saída.
Olhei por cima do ombro e pisquei para ela.
— Mary, querida, às vezes um pouco de caos é exatamente o que a gente precisa.
Ela revirou os olhos tão forte que achei que fossem parar na nuca, mas seguiu atrás de mim, resmungando alguma coisa sobre "pecados do passado" e "novas dores de cabeça". Ignorando a sua falta de entusiasmo, comecei a imaginar o que Edgar diria quando entrasse na loja e a transformasse em um desfile de moda improvisado. Aquela ideia me arrancou um sorriso genuíno.

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