Damon
Hoje é o dia em que tudo dá errado. É apenas metade da manhã e já fui obrigado a resolver dois problemas e apartar uma briga no meio do refeitório, seguido da demissão dos dois galos de rinha.
De fato, aquele dia não podia piorar. Ou pelo menos, foi o que pensei, até Stevens entrar novamente pela porta do meu escritório, com uma expressão que me deixou claro que más notícias estavam a caminho.
— Sr. Blackwell, o fornecedor de materiais para o novo projeto está enfrentando problemas com a entrega. Precisamos de uma decisão imediata sobre os ajustes no cronograma — ela disse, como se isso fosse apenas mais uma quarta-feira qualquer.
Fechei os olhos e respirei fundo, sentindo a pressão crescente na minha cabeça. "Decisão imediata" parecia ser o mantra do dia. Quando foi que todo mundo decidiu que a responsabilidade de salvar o mundo era exclusivamente minha?
— Resolva com o departamento de logística. Quero isso fora da minha mesa antes do almoço — respondi, seco, antes de me recostar na cadeira.
Por um segundo, minha mente vagou para Violet. Estaria ela enfrentando um dia tão caótico quanto o meu? Parte de mim queria mandar uma mensagem, perguntar como ela estava, mas a outra parte sabia que isso não resolveria o turbilhão de pensamentos que ela já provocava em mim.
Pensar em Violet me lembrou do motivo para o início da minha dor de cabeça. A insistência dela em querer Eathan como motorista ainda. Não era apenas uma questão de orgulho, era a provocação em si, mesmo que inconsciente. Violet não entendia o peso disso para mim.
— Stevens — chamei antes que ela saísse do meu escritório, ainda com a pasta de relatórios nas mãos. Ela parou na porta, olhando por cima do ombro. — Quero que peça para Tompson vir falar comigo no final do dia.
Ela arqueou a sobrancelha, claramente surpresa com o pedido, mas não comentou. Apenas assentiu com um leve "Sim, senhor" antes de sair.
O silêncio voltou, mas a inquietação ficou. Eu esperava estar com a cabeça mais fria até lá, mas a realidade era que a conversa com Eathan seria inevitável. Parte de mim queria deixar claro que ele não tinha mais espaço na vida de Violet, que seu papel ali era apenas profissional. Mas outra parte sabia que, se fosse longe demais, poderia acabar complicando ainda mais as coisas.
Afinal, nosso acordo era baseado em benefícios mútuos, e Violet havia deixado claro que esperava à parte dela. Só que ter o ex dela rondando tão de perto parecia um preço alto demais.
Olhei para o relógio na parede. Ainda faltavam horas até o final do dia, e a pilha de relatórios na minha mesa não resolveria sozinha. Mas a imagem de Violet, desafiadora, cruzando os braços e erguendo o queixo, continuava me distraindo. Ela sabia como testar minha paciência, mas também sabia como me intrigar, talvez até mais do que eu gostaria de admitir.
Chacoalhei a cabeça, tentando expulsar os pensamentos que insistiam em voltar, como ondas quebrando na mesma rocha. Violet tinha essa capacidade frustrante de invadir minha mente, mesmo quando eu precisava estar focado. Era quase como se ela fizesse de propósito, como se soubesse o quanto me desestabilizava.

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