Violet
Eu estava há meia hora sentada no escritório que Damon tinha em casa, que agora era meu até minha "estadia" aqui terminar.
O "presente" que Edgar havia me dado estava dentro de uma pequena sacola em cima da mesa. Era engraçado como algo tão pequeno podia carregar tanto peso. Ele parecia me encarar, como se tivesse vida própria, e eu não conseguia desviar o olhar.
É só um presente, pensei, tentando me convencer. Mas era mais do que isso. Era a representação de algo que eu nunca pensei em priorizar: eu mesma. Edgar havia sido claro em sua intenção quando me entregou aquilo. Ele queria que eu me permitisse descobrir, experimentar... sentir.
A ideia me fazia corar só de pensar. E, claro, de uma forma desconfortável, me fazia lembrar do passado — de todas as vezes em que eu me senti insuficiente, como se não merecesse mais.
— Não vai amarelar agora! — A voz de Megan ecoou pelo notebook, com sua habitual determinação.
Suspirei e olhei para a tela onde o rosto dela estava iluminado, os olhos semicerrados como se estivesse me desafiando. No fundo, eu sabia que ela não ia me deixar escapar tão fácil.
— Megan, é só... complicado, tá? — Passei a mão pelos cabelos, tentando desviar o assunto.
— Complicado nada, Violet! Você só está enrolando. E eu não vou deixar você escapar dessa. Agora, abre logo essa sacola. — Ela cruzou os braços como se pudesse me intimidar através da tela.
No caminho para casa, Megan tinha me ligado e, como sempre, não aceitou um "depois a gente conversa". Prometi que retornaria assim que chegasse, e aqui estávamos. Era uma mania nossa ficar penduradas em vídeo chamadas, como se a distância não existisse. Eu carregava meu notebook pela casa enquanto contava todas as novidades — ou o caos, como ela gostava de chamar.
Foi assim que acabei no escritório, me refugiando, enquanto relatava os acontecimentos mais recentes. O casamento. A mudança. Damon. E, claro, o presente de Edgar.
— Não acredito que você está com medo disso, Vi. — Megan continuava, o tom carregado de provocação.
Revirei os olhos e encarei a sacola sobre a mesa. Parecia que até ela estava zombando de mim agora.
— Não é medo, tá bom? É só... estranho.
— Estranho seria se você continuasse se ignorando, amiga. Edgar fez isso por você. Ele só quer te ajudar. E, sinceramente, eu também.
Soltei um longo suspiro, sentindo meu rosto aquecer novamente. Megan era incansável. E, no fundo, eu sabia que ela estava certa.
— Tá bom, tá bom! — Levantei as mãos em rendição. — Mas se isso for tão constrangedor quanto eu acho que vai ser, eu desligo na sua cara.
— Eu aceito o risco. Agora vai logo, antes que eu tenha que pegar um avião e abrir isso eu mesma! — A risada dela preencheu o ambiente, me arrancando um sorriso involuntário.
Megan havia viajado para visitar a família, e era só por isso que havia me perdoado por ter tido um dia de compras sem a presença dela.
Com o coração batendo forte, peguei a sacola e a abri devagar. Megan ficou em silêncio, mas eu sentia seu olhar fixo através da tela, acompanhando cada movimento meu. Quando finalmente vi o conteúdo, minha mente foi inundada por um turbilhão de emoções.
— Meu Deus, Edgar... — murmurei, mais para mim mesma.
— E aí? — Megan perguntou, a curiosidade evidente.
Quando soube do meu pequeno "problema", Edgar, sendo o furacão que é, me arrastou pelo shopping como se fosse sua missão de vida resolver aquilo. Eu já estava exausta do dia, mas ele não parecia se importar. E então, sem aviso, parou em frente a um sexy shopping.
— O quê... — comecei, mas ele levantou o dedo em um gesto de silêncio.
— Fica aí, Violet. Você e Mary esperem aqui fora.
Olhei para Mary, que revirou os olhos e bufou, visivelmente desgostosa com a situação. Naquele momento, eu concordava plenamente com ela. Deveríamos ter ficado em casa.
Enquanto eu ficava plantada ali, com as pessoas passando e me lançando olhares curiosos, Edgar desapareceu para dentro da loja. Cada segundo parecia uma eternidade, e eu sentia meu rosto queimando só de imaginar o que ele estava fazendo lá dentro.
Alguns minutos depois, ele surgiu novamente, com um grande sorriso satisfeito no rosto e uma sacola pequena na mão.
— Pronto! — anunciou triunfante.
— O que você fez, Edgar? — perguntei, horrorizada.
— Apenas cumpri minha obrigação como o melhor amigo que você poderia ter. — Ele entregou a sacola para mim. — Abra isso quando estiver sozinha.
Antes que eu pudesse protestar ou fazer mais perguntas, ele saiu andando, me deixando ali, paralisada, com Mary sacudindo a cabeça em desaprovação ao meu lado.
— Me mostre! — Megan exigiu.
— Vibrador de Calcinha para estimular o clitóris. — Li o rótulo da caixa sentindo meu rosto queimar — Utiliza a vibração como forma de estímulo, fazendo você sentir novas sensações. Com 9 modos de vibração e com controle remoto.
A risada de Megan ecoou pelo escritório.
— Edgar foi genial, este é perfeito para começar!
— Apesar da sua potência, este é um vibrador super silencioso e discreto, ótimo para utilizar durante um jantar ou festa — Li horrorizada — quem é que usaria isso em um jantar?
— Deixa de ser careta, Vi. — Megan falou dando de ombros, a expressão claramente divertindo-se às minhas custas.
— Ainda não sei o que me deu de contar isso para ele. — Suspirei, jogando meu "presente" de volta dentro da sacola como se aquilo fosse uma bomba prestes a explodir, antes de afundar ainda mais na cadeira.

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