Damon
Com um toque contido na porta, o som já familiar de alguém prestes a me trazer mais problemas, eu me preparei para o que provavelmente seria mais uma dor de cabeça.
— Entre. — Minha voz saiu firme, mas sem entusiasmo.
A porta se abriu e Eathan Tompson entrou no meu escritório, o queixo erguido com uma falsa superioridade que só servia para me irritar ainda mais. Ele parecia acreditar que podia me encarar de igual para igual.
Tompson se sentou na cadeira à minha frente, um gesto que parecia mais desafiador do que respeitoso. Ele cruzou as pernas, ajeitando o terno com uma calma que quase me fazia rir de desgosto. Era como se ele acreditasse que o peso da situação não era suficiente para desestabilizá-lo.
Desde que me casei com Violet, eu havia deixado Tompson de molho, por assim dizer. Não que ele fosse incompetente no trabalho mas na última semana, sua função tinha sido mais focada em levar e buscar entregas do que em me transportar para reuniões ou compromissos. Não porque eu precisasse de alguém para lidar com encomendas, mas porque preferia evitar a irritação que sua companhia constante me causava.
Sempre vi em Tompson um bom profissional. Ele cumpria seus horários com precisão, não falava mais do que o necessário e estava sempre atento às minhas necessidades, antecipando meus movimentos com uma habilidade que poucos tinham. Era confiável, ou pelo menos parecia ser.
Mas desde que soube de tudo o que ele havia feito com Violet, era impossível enxergar essas qualidades sem um gosto amargo de desprezo. Não conseguia mais ver o funcionário eficiente; via apenas um homem cuja estupidez ultrapassava os limites do aceitável.
As vezes em que ele a ignorou, a tratou com frieza ou fez pouco caso de suas necessidades estavam gravadas na minha mente. E o pior de tudo era saber que, mesmo com sua postura de superioridade e seu comportamento polido, ele acreditava que nada disso importava, que seria apenas mais um detalhe a ser esquecido. Só que não seria. Não para mim.
— Então, Tompson, vamos direto ao ponto. — Cruzei os braços e o encarei, deixando minha voz firme e impassível. — Na última semana, acabei não precisando de seus serviços. E, para ser sincero, não vou precisar por mais um tempo.
A mentira saiu com uma leveza que, às vezes, até eu me surpreendia. Era o tipo de habilidade que aprendi a dominar com o tempo.
— Minha esposa não dirige — continuei, deixando a informação pairar no ar, como se fosse uma novidade para ele. — Antes, ela morava próxima ao trabalho, mas agora não mais. Então, estou te realocando. Você vai atendê-la por tempo indeterminado.
Tompson me lançou um olhar carregado de desconfiança, seus olhos quase estreitados, como se tentasse encontrar algum truque ou armadilha escondida no que eu acabara de dizer. Claro que ele ficaria desconfiado. Quem, em sã consciência, colocaria o ex-noivo da própria esposa como motorista particular dela?
Eu queria esganar Violet por me colocar nessa situação ridícula, mas não era hora de perder o controle. Respirei fundo, mantendo a postura e fazendo minha melhor cara de indiferença, mesmo que, por dentro, cada fibra do meu ser estivesse em chamas.
— Imagino que isso possa parecer estranho para você, considerando o passado que têm. — Minha voz era firme, mas controlada, sem espaço para questionamentos. — No entanto, acredito que em nossa última conversa já ficou claro que não dou a mínima para isso, desde que você a respeite.
Vi a sombra de algo passar por seu rosto, mas não me dei ao trabalho de tentar identificar. Era irrelevante.
— Quero que a trate com o mesmo nível de profissionalismo que demonstrou comigo até agora. — Me inclinei levemente para frente, deixando meu olhar pesar sobre ele. — Nada menos do que isso será aceitável.
Tompson engoliu seco, e sua cabeça fez um movimento quase imperceptível de concordância, mas eu não perdi o nervosismo que transparecia. Talvez fosse arrependimento, talvez medo, ou talvez algo mais profundo que ele não deixava transparecer.

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