Violet
Cavar um buraco e me esconder dentro dele nunca me pareceu ser uma opção tão boa quanto agora.
Quero morrer. Sumir. Evaporar. Qualquer coisa que me tirasse dessa situação absurda em que me enfiei.
Ele sabia. Damon sabia. Não era apenas o controle que ele segurou com aquele maldito sorriso presunçoso; era o controle de toda a situação. E eu, como uma perfeita idiota, estava exatamente onde ele queria que eu estivesse: desconcertada, vulnerável e sem saída.
Minhas bochechas ardiam, e não era apenas pela vergonha. Era o calor, o embaraço, e, para meu horror, algo mais profundo e inconfessável. Minha respiração estava irregular, mas eu me recusei a ceder à onda de emoções que me atravessava.
Encostada na porta fechada do escritório, deixei meu corpo escorregar lentamente até o chão.
Choraminguei, enfiando o rosto nas mãos, como se pudesse apagar tudo o que tinha acabado de acontecer. Mas era impossível. As imagens estavam gravadas em minha mente como uma tatuagem indesejada.
Maldito Edgar que comprou essa coisa.
M*****a Megan que me convenceu a colocá-lo.
E maldito Damon... oh, maldito Damon, por ter encontrado o controle e o usado sem o menor pudor.
Meu rosto ardia, não apenas pelo embaraço, mas pela mistura confusa de raiva, humilhação e... algo que eu me recusei a nomear. Era como se toda a minha dignidade tivesse sido arrancada de mim naquela sala.
"Eu nunca deveria ter concordado com isso. Nunca!" pensei, rangendo os dentes.
Mas, no fundo, sabia que nada do que havia acontecido tinha sido inteiramente culpa dos outros. Eu havia deixado Edgar me arrastar até aquela loja ridícula, tinha ouvido Megan e, pior, tinha cedido a ela. Cada passo me trouxe até aqui, até essa sensação avassaladora de estar completamente fora de controle — de mim mesma, da situação, de tudo.
Respirei fundo, tentando reorganizar meus pensamentos. Eu não podia me dar ao luxo de perder a cabeça, ainda sentia meu corpo vibrar, mesmo com o controle desligado.
Fechei os olhos por um segundo, tentando afastar a avalanche de pensamentos que me invadia. Mas era inútil. A imagem de Damon, sentado confortavelmente na cadeira, apertando aquele controle com um sorriso presunçoso, invadiu minha mente como uma tempestade.
Um gemido baixo escapou dos meus lábios, e eu enterrei o rosto nas mãos novamente. Como eu deixei isso acontecer?
Mas, mesmo com toda a vergonha que pulsava em mim, não podia negar... aquilo foi a melhor sensação que já tive na vida.
Lembrei-me do momento no banheiro, quando o pequeno dispositivo começou a vibrar pela primeira vez. O susto quase me fez atirar aquilo longe. Meu coração disparou, e por um instante, pensei que algo tinha dado errado. Mas, então...
Meu corpo reagiu, e por mais que eu tentasse negar, aquela sensação me dominou. Uma mistura de calor, arrepio e algo mais profundo, mais intenso. Algo que eu nunca tinha experimentado antes.
Chacoalhei a cabeça com força, como se pudesse espantar o pensamento para longe. Eu não podia seguir por esse caminho. Não podia deixar meu corpo conectar aquele prazer a Damon.
Eu precisava usar a razão.
Respirei fundo, forçando meus pensamentos a se alinharem. Ele estava jogando comigo, e eu não podia permitir que isso acontecesse. Se ele achava que tinha o controle, estava enganado.

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