Damon
Parei em frente ao restaurante, o manobrista já vindo em nossa direção para levar o carro. Saí do veículo e contornei rapidamente para abrir a porta para Violet, mas meu humor azedou ao vê-la já do lado de fora, me esperando de pé, alheia ao gesto que eu pretendia fazer.
— Poderia ter esperado eu abrir a porta — comentei, aproximando-me e levando uma das mãos até a base de sua cintura. O toque foi instintivo, quase possessivo.
— Tenho mãos, Damon — ela respondeu, o tom carregado de desafio, enquanto erguia aqueles olhos azuis para mim.
Pisquei lentamente, tentando engolir a resposta que quase escapou. Apenas respirei fundo, um sorriso contido nos lábios, e indiquei com um gesto para que começasse a andar.
— Você pode até ter mãos, Violet, mas permitir que alguém cuide de você de vez em quando não vai matá-la, sabia? — falei, minha voz carregando um tom de provocação.
Ela bufou baixinho, mas não respondeu. Em vez disso, manteve o olhar fixo à frente, os saltos ecoando no chão polido da entrada. Minha mão ainda estava em sua cintura, e mesmo que ela não tivesse reclamado, senti sua tensão crescer a cada passo. Decidi soltá-la antes que ela fizesse algum comentário cortante.
Ao chegarmos à recepção, troquei algumas palavras rápidas com o maître, e logo fomos guiados a uma mesa próxima a uma janela que oferecia uma vista deslumbrante da cidade iluminada.
A vista da cidade iluminada era impressionante, mas meus olhos estavam presos a Violet. Enquanto ela se acomodava na cadeira, ajeitando o vestido elegantemente, senti um déjà-vu de quando a encontrei no escritório, aqueles olhos fechados, o rubor em seu rosto, e aquele pequeno controle rosa em minha mão.
Ela percebeu que eu a encarava e arqueou uma sobrancelha.
— O que foi? — perguntou, estreitando os olhos, desconfiada.
Afastei o pensamento e sorri, casual.
— Nada. Só achei que você estivesse mais animada para o jantar.
— Estou aqui, não estou? — rebateu, voltando a atenção para o cardápio.
Enquanto ela lia as opções, meu olhar vagou mais uma vez para ela. Violet era, sem dúvida, a mulher mais bonita que eu já havia conhecido. Forte, independente, sempre pronta para um comentário afiado... e, mesmo assim, quando deixava as barreiras caírem, era vulnerável de uma forma que me fazia querer protegê-la e provocá-la ao mesmo tempo.
— Impressionante, não acha? — mudei de assunto, apontando com o queixo para à vista.
Violet olhou pela janela, os olhos azulados captando o reflexo das luzes. Por um breve momento, parecia relaxada, mas foi apenas isso — um momento. Logo voltou a erguer as barreiras, algo que eu estava começando a reconhecer como um reflexo automático dela.
— É bonito — respondeu, sem muita emoção.
A garçonete apareceu para pegar nossos pedidos, e enquanto Violet escolhia algo no cardápio, deixei meu olhar vagar por ela. O vestido que usava era elegante e discreto, mas de alguma forma fazia questão de gritar como ela era linda. Involuntariamente, minha mente voltou ao escritório alguns dias atrás, quando o pequeno controle rosa estava em minha mão e...
— Damon? — A voz de Violet interrompeu meus pensamentos. Seus olhos me encaravam com uma mistura de curiosidade e desconfiança.
— Perdão, o que disse? — perguntei, esforçando-me para soar casual enquanto me inclinava levemente na cadeira.
— Perguntei se você já decidiu o que vai pedir — respondeu, estreitando os olhos como se tentasse decifrar algo.
Sorri de canto, abrindo o cardápio e fingindo dar atenção às opções.
— Claro, já sei exatamente o que quero. — E não estava falando da comida.
O gelo que Violet me deu nos últimos dias só serviu para me dar mais certeza do que eu quero. Eu poderia ter ficado irritado, frustrado até, mas a cada momento que ela passava tentando me evitar, a atração que eu sentia apenas crescia. Explosiva, instintiva, quase primitiva.
Não dá para negar o óbvio. Se vamos passar um ano juntos, cumprindo esse contrato absurdo, por que não aproveitar? Talvez fosse um erro colossal misturar as coisas, transformar o que temos em algo mais... físico. Mas, honestamente, isso me importava cada vez menos.
Enquanto eu a observava do outro lado da mesa, tão focada no cardápio como se o mundo dependesse disso, uma ideia começou a se formar. Poderíamos facilitar nossas vidas, quebrar essa tensão absurda. Não seria nada além de uma distração conveniente. Claro, era um risco, mas... o que seria a vida sem riscos?

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