Violet
Eu suspirei, encarando meu reflexo no espelho. Era impossível ignorar o calor que subia pelo meu rosto toda vez que lembrava da última vez que ficamos juntos no mesmo ambiente por mais de cinco minutos. Damon sentado ali, tão relaxado, com aquele maldito controle rosa na mão, tinha sido uma visão que eu queria apagar da memória, mas parecia impossível.
Eu não sabia o que era pior: o fato de ele ter usado aquilo contra mim ou o fato de meu corpo ter traído todos os meus princípios e se rendido completamente à situação. Só de pensar nisso, meu estômago revirava, e eu não sabia se era de vergonha ou... outra coisa que não queria admitir.
Mas ele estava certo. Tínhamos um papel a cumprir. E eu precisava lembrar a mim mesma, repetidamente, que isso era apenas um contrato. Um acordo para ambos alcançarmos nossos objetivos. Nada mais. Então, lá estava eu, me arrumando para um jantar que, na minha cabeça, seria puramente estratégico. Claro, isso não explicava o motivo de eu ter escolhido o vestido preto justo que sabia que me favorecia ou o perfume que só usava em ocasiões especiais.
Passei as mãos pelo vestido, tentando me convencer de que era só porque queria parecer profissional. Sim, profissional. Tinha que manter essa narrativa na minha cabeça, mesmo que minha mente insistisse em me lembrar do jeito que os olhos dele me percorriam, como se ele pudesse me ler inteira com apenas um olhar.
"Calma, Violet", pensei, tentando colocar minha cabeça no lugar. Isso era apenas um jantar. Apenas um jantar. O problema era que, com Damon, nada nunca parecia "apenas" alguma coisa.
Saí do quarto exatamente às sete. Minha respiração estava firme, mas as mãos suavam ligeiramente. Quando cheguei à sala, lá estava ele, parado no centro, como se aquele espaço fosse uma extensão do seu domínio. E talvez fosse, afinal.
Damon estava impecável, como sempre. O terno cinza-escuro perfeitamente ajustado ao corpo destacava sua postura confiante. O tecido parecia moldado sob medida para ele, seguindo cada linha dos ombros largos, do peito firme e da cintura estreita. A gravata preta contrastava com a camisa branca imaculada, e o brilho discreto dos sapatos mostrava sua atenção aos detalhes.
Quando ele ergueu os olhos e me encarou, meu coração pulou. Era ridículo o efeito que ele tinha sobre mim, mesmo sem esforço algum.
O perfume dele preenchia a sala de forma sutil, mas inconfundível. Era uma mistura amadeirada e marcante, um cheiro que parecia tão exclusivo quanto ele. Era impossível ignorar — assim como o próprio Damon.
Eu não pude evitar de checá-lo de baixo acima, mesmo sabendo que provavelmente ele notaria meu olhar. Damon era muitas coisas — gentil, porém arrogante, controlador, irritante, e, acima de tudo, uma das pessoas mais bonitas que eu já havia visto na vida. Seus traços eram uma combinação devastadora de masculinidade e perfeição. Os olhos profundos, a linha forte da mandíbula, e aquele maldito sorriso que ele usava quando sabia que estava no controle. Como agora.
— Você está linda — ele disse, o tom casual, mas os olhos me percorrendo com a mesma intensidade com que eu o analisei.
Engoli em seco, endireitando os ombros como se isso fosse suficiente para criar uma barreira entre mim e o poder magnético dele.
— Você também não está mal — murmurei, evitando o olhar dele e pegando minha bolsa.
Damon soltou uma risadinha, aquela que me fazia querer revirar os olhos e esconder o rosto ao mesmo tempo. Ele sabia. Sabia muito bem que o "não está mal" que escapou dos meus lábios não fazia jus nem de longe ao que se passava na minha cabeça.
— Vamos, Violet — disse ele, ainda com o sorriso no rosto.
E lá estava, o sorriso de Damon. Não era qualquer um, não. Era aquele específico, ligeiramente inclinado, com um brilho provocador nos olhos. Um sorriso que eu tinha aprendido a decifrar durante o pouco tempo que convivemos. Ele não precisava falar nada, porque aquele sorriso dizia claramente: “Cala a boca, Violet.”
Respirei fundo e segui em direção à porta, tentando ignorar o calor que subiu pelo meu pescoço. Eu odiava o quanto ele parecia ter essa capacidade de me ler, de me entender melhor do que eu queria admitir. Damon era como um espelho que refletia tudo que eu tentava esconder.
— Que foi? Está vermelha, aconteceu alguma coisa? — Ele perguntou, a voz carregada de falsa inocência.

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