Violet
O despertador tocou, o som cortando o silêncio da manhã como uma lâmina afiada, anunciando o fim das minhas férias. O som irritante ressoou no quarto, e eu murmurei algo que nem eu mesma entendi, provavelmente um xingamento. Sem paciência para o mundo, quase joguei o despertador no chão para desligá-lo, só para poder voltar a me esconder no aconchego do travesseiro.
Mas não podia. A realidade não me deixava dormir.
Com um suspiro exasperado, me sentei na cama, olhando para o espaço, tentando encontrar algum motivo para me levantar. Mas não havia.
De modo automático, como se o corpo soubesse o que fazer mais do que a minha mente, peguei a pilha de roupas que havia deixado separada na noite anterior e me arrastei até o chuveiro.
Após um banho rápido, com o único propósito de acordar meus sentidos, me vesti rapidamente e segui até a cozinha. O cheiro do café fresco preenchia o ar, o que me fez suspirar em alívio.
Como de costume, Damon já estava lá, servindo o café da manhã na mesa. Ele sempre fazia isso, com um gesto simples, mas constante, como se fosse parte da rotina que nos unia sem palavras. Mas hoje era diferente. Tudo em mim se sentia diferente.
Ao entrar na cozinha e encarar seus olhos castanhos, algo apertou dentro de mim. O que parecia ser uma manhã comum se tornou um pesadelo em que eu não conseguia acordar. A imagem de Crystal, a proposta absurda de Damon na noite anterior, suas palavras... tudo voltou com força, como se fosse um filme que passasse rapidamente na minha mente.
O gosto amargo que se formou na minha boca era o peso de tudo o que tinha acontecido. O desconforto que estava se formando entre nós, as palavras não ditas, o que eu queria e o que ele pensava que eu queria.
Eu precisava de café. Algo que me ajudasse a focar, a clarear a mente. Algo que me afastasse daquele sentimento esmagador de frustração e confusão. Mas, no fundo, sabia que nada ali poderia mudar o que eu estava começando a perceber: Damon e eu estávamos em caminhos muito diferentes. E isso doía mais do que eu estava disposta a admitir.
— Bom dia — ele disse, sem olhar nos meus olhos, enquanto preparava a xícara de café e a colocava em frente ao lugar onde eu sempre me sentava. A rotina parecia tão familiar, tão normal, e ainda assim eu sabia que nada ali era simples.
— Bom dia, e obrigada — respondi, mais por educação do que por vontade, e dei um longo gole no líquido quente e amargo, tentando afogar a inquietação que se espalhava por mim.
Ele começou a preparar o próprio café, e por um momento, pensei que ele fosse se sentar e seguir em silêncio, como tantas outras vezes. Mas então, ele puxou assunto.
— Então, hoje você volta a dar aulas?
Franzi o cenho, surpresa com a pergunta. Eu não estava preparada para conversas casuais naquele momento. Não com tudo o que tinha acontecido entre nós nos últimos dias. Não depois da noite passada.
Aquele era um daqueles dias em que um simples "bom dia" e uma xícara de café não eram suficientes para esconder o que estava acontecendo dentro de mim. Eu precisava de mais que café para lidar com as perguntas dele, com a tensão crescente entre nós. Eu não sabia como responder sem dar mais espaço para algo que, sinceramente, estava me sufocando.
Mas aí ele estava, tentando puxar uma conversa, tentando parecer normal. Eu não tinha certeza se ele sabia o que estava fazendo ou se, como eu, tentava ignorar o óbvio.
— Sim, Eathan deve aparecer logo para me levar.
A menção ao meu ex, como se fosse algo comum, me fez fazer uma careta involuntária. Damon, com seu olhar atento, percebeu a minha reação e imediatamente a imitou, criando uma cena que, em outra situação, poderia até ser engraçada. Mas não era o caso.
— É, estou sabendo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor Sob Contrato: O Acordo perfeito