Violet
Com as barracas finalmente montadas e a noite começando a cair, as outras monitoras seguiram para a cozinha para preparar o jantar. Enquanto isso, reuni meus alunos em um grande círculo. Éramos cerca de 45 pessoas, contando com os adultos e duas turmas, todos animados com o acampamento.
Bem no centro do grupo, lá estava Damon — o mais novo alvo das paixonites de pelo menos metade das minhas alunas.
Damon parecia completamente alheio aos olhares curiosos – e nada discretos – que minhas alunas lançavam em sua direção. Algumas sussurravam entre si, outras simplesmente suspiravam, e eu tive certeza de que, a partir de agora, qualquer tentativa minha de chamar a atenção delas para a literatura seria um desafio ainda maior.
Respirei fundo, tentando ignorar a situação, e bati palmas para chamar a atenção de todos.
— Certo, pessoal, antes do jantar, vamos começar com uma roda de apresentações para quem ainda não se conhece tão bem. Cada um vai dizer o nome, o livro favorito e algo aleatório sobre si.
Os alunos concordaram animados, e a roda começou. Alguns citavam clássicos, outros best-sellers, e alguns até mesmo confessavam que só estavam ali pela viagem e não tinham um livro favorito.
Quando chegou a vez de Damon, todas as cabeças viraram em sua direção, atentas.
Ele sorriu de canto e ajeitou a postura casualmente.
— Meu nome é Damon, não tenho um livro favorito porque gosto de vários, e algo aleatório sobre mim...
Ele olhou diretamente para mim, como se ponderasse o que dizer, e então voltou a encarar os alunos com um brilho divertido no olhar.
— Estou aqui para vigiar a professora de vocês.
Risadas tomaram conta do grupo, e eu revirei os olhos, segurando um sorriso.
Definitivamente, esse acampamento seria mais longo do que eu imaginava.
Depois das apresentações iniciais, seguimos com o planejamento. Um a um, os alunos se levantavam para compartilhar seus contos ou poesias favoritas das aulas, explicando o que os levou a se identificar com aquelas histórias.
Sentei-me ao lado de Damon para assistir às apresentações, mas, com o passar do tempo, meu foco começou a se desviar. Damon estava inquieto. Não parava de se mexer, ajeitando-se no lugar a cada poucos minutos, e me lançava olhares a cada trinta segundos. No começo, tentei ignorar, mas logo comecei a me irritar.
— O que foi? — perguntei baixinho, tentando disfarçar minha impaciência.
Damon geralmente era uma pessoa calma, sempre no controle, mesmo quando o mundo ao redor parecia desmoronar.
A prova disso foi a forma como lidou com o caos quando a mídia descobriu sobre nosso casamento. Nos primeiros dias, o alvoroço foi insuportável, jornalistas vasculhando cada detalhe, especulações correndo soltas. Mas, após algumas ameaças sutis e bem calculadas dele, o assunto simplesmente… sumiu. Nunca mais fui incomodada.
— Nada.
Revirei os olhos, cruzando os braços.
— Você está se mexendo mais do que criança entediada. Desembucha, Damon.
Ele me lançou um olhar intenso, daqueles que pareciam enxergar além da superfície, como se pudesse ler meus pensamentos mais profundos. Meu coração deu um leve tropeço.
Damon abriu a boca para falar, hesitou por um segundo, mas antes que qualquer palavra escapasse, fomos interrompidos.
— Violet! — Chamaram meu nome.
Olhei na direção da voz e vi um dos alunos me encarando expectante. Minha vez de apresentar.
Soltei um suspiro, sentindo os olhos de Damon ainda cravados em mim, e me levantei, tentando ignorar a curiosidade que queimava dentro do meu peito.
Respirei fundo, deixando o silêncio se acomodar entre nós por um instante. Meus olhos percorreram cada um dos meus alunos antes de, inevitavelmente, encontrarem os de Damon. Ele me observava com aquele olhar intenso, atento, como se estivesse esperando algo que nem eu mesma sabia o que era.
Então, comecei:
— Entre o meio-termo — Ditei.
“Eu te vejo e não sei se fico ou se fujo,
se rio do conforto ou temo o abismo.
Nosso laço é ponte ou labirinto?
Caminho seguro ou risco indeciso?
Te quero perto, mas sem nomear,

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor Sob Contrato: O Acordo perfeito