Dois Meses Depois
Os dois entraram no apartamento praticamente se arrastando, carregando uma quantidade absurda de materiais de trabalho. Ethan, que segurava três bolsas, sendo duas de Helen, largou tudo no sofá com um suspiro pesado e, sem cerimônia, se jogou ao lado.
Helen parou na porta, observando a cena com os braços cruzados e um sorriso divertido nos lábios.
— Ethan, você pode ir tomar um banho que eu vou preparar algo para comermos. — disse, se aproximando para pegar suas coisas.
Ele ergueu a cabeça preguiçosamente, arqueando uma sobrancelha enquanto um meio sorriso surgia no canto da boca.
— Sério, Helen? Como você ainda tem energia pra fazer qualquer coisa? — Ele fechou os olhos por um momento, jogando a cabeça para trás. — Foram doze horas de trabalho. Não, pior! Hoje foram quinze por causa daquela reunião inútil e interminável!
Helen riu do drama exagerado.
— Ah, claro, porque ficar sentado em uma sala ouvindo as mesmas informações repetidas mil vezes é uma tarefa absurdamente exaustiva. — provocou, cruzando os braços.
Ethan abriu os olhos, fingindo indignação.
— Você tá brincando comigo? Eu quase morri de tédio! — Ele suspirou dramaticamente e se afundou ainda mais no sofá, abrindo os braços e as pernas. — Você realmente precisa contratar alguém pra te ajudar em casa. Ou pelo menos pedir comida pelo telefone. São 22h30, Helen! Você quer que eu morra de inanição?
Helen riu ainda mais ao vê-lo esparramado no sofá como se tivesse acabado de correr uma maratona.
— Você tem noção de como parece um velho rabugento agora?
Ethan abriu um olho e apontou um dedo para ela.
— Olha aqui, mulher, eu sou um homem que passou o dia todo resolvendo problemas e sobrevivendo a reuniões. Eu tenho o direito de reclamar!
Helen rolou os olhos, ainda rindo.
A convivência entre eles havia mudado drasticamente nos últimos dois meses. Não havia mais aquela tensão desconfortável do começo. O silêncio constrangedor havia sido substituído por brincadeiras e conversas naturais. Ele e Helen… estavam se tornando amigos.
Era estranho. Mas, ao mesmo tempo, era bom.
Ethan sabia que, em algum lugar dentro dele, ainda sentia falta de Miranda. Das noites quentes que passavam juntos, do jeito provocante dela, dos beijos intensos… Mas quando seu corpo clamava por ela, sua mente fazia ele recordar da maneira que as pessoas cochichavam sobre Helen, e de como ela havia ficado depois de toda a humilhação que ele a fez passar. E, naquele instante, qualquer vontade de procurar Miranda sumia.
Ele não podia negar: Helen era incrível e não merecia o peso que carregava por causa dele. Era doce, amável, independente e, acima de tudo, forte.
Ethan soltou um suspiro e fechou os olhos novamente, apenas para ser surpreendido por Helen segurando seus ombros e empurrando-o para frente.
— Vamos, preguiçoso. Sai daqui e vai tomar banho!
Ele abriu os olhos, encarando-a com uma falsa expressão de indignação.
— Aaah, sua chata. Tudo bem, tudo bem! Mas só porque sou um cavalheiro, eu mesmo levo suas coisas pro seu quarto.
— Uau! Que generosidade, Senhor Ethan! — Helen respondeu, fazendo uma reverência exagerada.
Ethan revirou os olhos e pegou as bolsas, indo em direção aos quartos enquanto Helen ria e se dirigia à cozinha para preparar algo para comer.
Mas, enquanto ele subia as escadas, um pensamento surgiu em sua mente. E se a vida ao lado de Helen começasse a ser mais do que apenas um acordo?
Ele balançou a cabeça, afastando essa ideia absurda. Não. Isso nunca aconteceria. Seu coração já pertencia a outra pessoa.
Ethan piscou, confuso, e então olhou para si mesmo. Só então percebeu que sim, estava apenas de short. Ele passou as mãos pelos cabelos molhados, sem graça, tentando conter a risada que ameaçava escapar.
— Ah… é, desculpa. Esqueci de colocar uma camisa. Tá muito quente aqui dentro.
Ele passou por ela, ainda com um sorrisinho nos lábios, indo até seu quarto para se vestir.
Helen continuava imóvel, com o rosto ainda coberto pelas mãos, sentindo o coração martelar no peito. Ethan, enquanto pegava uma camisa qualquer no armário, franziu a testa, refletindo.
Por que Helen teve essa reação?
Ele sabia que ela era tímida, mas aquilo… aquilo foi mais do que apenas um simples desconforto.
Helen já havia visto homens sem camisa antes, certo? Então por que parecia tão… afetada?
Ele puxou a camisa pela cabeça, mas sua mente se recusava a deixar o assunto morrer. Um pensamento inconveniente e inesperado o atingiu.
— Será que Helen me enxerga como homem?
Sacudiu a cabeça, tentando afastar a ideia absurda.
— Besteira!
Mas, por algum motivo, essa pergunta ficou ali, ecoando e ele não sabia por quê.
Mas, o que Ethan não sabia, era que as certezas que ele tanto insistia em manter estavam prestes a desmoronar. E que, sem perceber, Helen já estava se tornando a exceção que ele nunca imaginou que existiria.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após o Divorcio Meu Marido Se Arrependeu
Não sei nem o que dizer, ela foi muito ferida, mas não é bom tomar uma decisão assim tão precipitada,esfriar a cabeça dar um tempo para si e se valorizar ainda mais e ai sim partir para outra e arrumar alguém que possa ama- lá de verdade e dar valor a ela é assim que deve ser....
A serpente no jardim do Éden,, igualzinho, o sussurro da traição venenoso, maldito e traiçoeiro é assim que funciona, e quando a pessoa acorda do transe já é tarde,pois é como eu disse a desculpa para anestesiar sua consciência foi o contrato e ela ouviu.😪😪😪...
Ai.Ai.Ai no meu pensamento traição é questão de escolha, simples assim, é escolher trair é uma questão de decisão e ainda por cima bloquear o sentimento de culpa dentro de si,jogando a culpa do que fez no cônjuge traído.💔...
Que lindo amando ,o amor está no ar ou melhor na tempestade da paixão 🥰...
Ummmm... Moscou pode representar o começo deste amor a dois sim porque não, ou o fim também, porque se acontecer o que imagino aquela Miranda vai aprontar e feio para cima deste casal que também estou shipando 😍😍😍....
Nunca prometa o que você jamais irá conseguir cumprir...
Falei deu ruim, acho que Michael vai quebrar a cara dele e desta vez de graça porque por enquanto ninguém sabe da verdade do que aconteceu entre ele e a piranha da Miranda, que mulherzinha rancorosa....
Mulheres dona de si não precisa se rebaixar a nada e só se manter de mente fria e no controle de suas emoções visíveis porque por dentro elas estão gritando se raiva e mágoa,mas o que importa é o exterior o que os outros de fora pode ver....
Puxa pior cego é aquele que não quer enxergar o que está bem na sua frente....
Que delícia ver uma família unida torcendo pelo amor e futuro de um novo casal se formando isto conta muito num novo começo de vida a dois, Maaaas devo, nesta história, concordar com Michael vem ataque da rival por ai e não vai ser leve....