Entrar Via

Após o Divorcio Meu Marido Se Arrependeu romance Capítulo 193

Se alguém dissesse que aquela casa, agora cheia de sorrisos, já fora palco de noites de solidão, lágrimas silenciosas e corações partidos, seria difícil de acreditar.

As cortinas brancas dançavam ao som da brisa leve, e o som das risadas infantis enchia cada canto. Era praticamente impossível imaginar que, por trás daquela paz, existia uma história que começou… com tudo, menos amor mútuo.

Helen estava sentada no jardim, apoiando o queixo na mão enquanto observava David correr atrás de bolhas de sabão. O menino, com seus cabelos loiros bagunçados e olhos tão azuis quanto os do pai, gargalhava com aquela pureza que só uma criança feliz carrega.

No colo dela, repousava sua mais nova razão de viver: April, com poucos meses de vida, mamava tranquila, segurando com uma mãozinha minúscula o seio da mãe, enquanto com a outra apertava o próprio pezinho. De vez em quando, entre uma sugada e outra, revirava os olhinhos azuis — exatamente os mesmos olhos do pai — como se estivesse prestes a adormecer.

Ao lado, Zoe balançava suavemente no sofá de vime, com a pequena Mel dormindo em seu colo. A menininha tinha cabelos castanhos-claros, traços delicados e lábios carnudos, perfeitos, que faziam parecer uma bonequinha de porcelana.

Zoe olhou para Helen e sorriu.

— Se alguém me dissesse há três anos que a gente estaria assim hoje… com duas filhas no colo, dois maridos apaixonados, e a vida mais caótica e perfeita do mundo… eu teria gargalhado.

Helen olhou para ela, apertou April contra o peito e respondeu, sorrindo:

— E eu teria chorado, porque não acreditaria que seria possível.

O passado parecia, agora, um filme antigo. Longínquo. Dolorido, mas necessário.

Porque tudo começou… com uma proposta.

Helen aceitou se casar com Ethan não por ambição, nem por dinheiro. Ela aceitou… por amor. Um amor silencioso, escondido. Um amor que ela carregava desde a juventude, quando Ethan Carter era o seu ponto fraco e, ao mesmo tempo, sua maior fraqueza.

Ele era inteligente, lindo, determinado. Gentil… quando queria. Cego… quando mais importava.

E, claro, na época… cego por Miranda.

Miranda. Deslumbrante. Manipuladora. Obsessiva.

Helen suportou tudo. O silêncio. Os olhares desviados. As conversas vazias. As noites longas na cama enorme, onde a única coisa que a cobria não era o lençol… mas a solidão.

E então… a bomba.

Uma foto.

Um clique.

Uma verdade cruel.

Ethan, sorrindo, ao lado de Miranda. E não era um sorriso qualquer. Era um sorriso de quem estava onde queria estar. E Miranda, como quem sabia exatamente o que fazia, segurava o braço dele como quem segura um troféu.

Quando a foto estourou nos tabloides, Miranda fez questão de entregar o celular dele nas mãos de Helen, sorrindo como quem entrega uma faca.

— Ele esqueceu lá em casa ontem. — disse, venenosa.

Helen, pela primeira vez em muito tempo, não chorou. Ela explodiu.

Marchou até o escritório, abriu a porta com tanta força que fez Ethan se assustar.

— Helen… — ele se levantou.

— Você não teve nem o cuidado de esconder? — perguntou ela, segurando o celular como quem segura uma bomba.

— Do que você tá falando? — ele tentou disfarçar.

Ela jogou o aparelho sobre a mesa. — Da mulher que você não consegue esquecer.

O silêncio foi ensurdecedor.

E então ela disse as palavras que arrancaram Ethan do pedestal onde sempre esteve:

— Eu me anulei por você. Eu te protegi. Eu esperei. Porque… eu te amava. Mesmo que fosse um contrato, eu… sempre… te amei.

O mundo de Ethan tremeu. Pela primeira vez… ele ouviu. E viu. Viu a mulher que sempre esteve ali.

Foi nessa noite que tudo mudou.

Vieram os dias de reconstrução. Vieram as conversas, os olhares, os toques tímidos, os sorrisos que antes não existiam. Vieram as tardes na cozinha, as noites no sofá, os risos, os abraços. E, então, o amor floresceu.

Mas o destino, com seu humor cruel, quis testar mais uma vez.

Miranda voltou. Mais venenosa. Mais desesperada. Armou drogando Ethan. Se despiu deitando-se ao lado dele. E fez questão que Helen os flagrasse.

Helen partiu. Carregando no ventre… um segredo.

David.

Quando Ethan descobriu… foi como se o mundo tivesse desabado. Buscou-a. Gritou. Se arrependeu. E… então… o acidente.

O hospital. O medo. A vida por um fio. E foi no desespero, segurando a mão dele, que Helen percebeu que não existia dor maior do que a possibilidade de perdê-lo.

E quando Ethan abriu os olhos, soube. Nada no mundo era mais importante do que ela. Do que eles.

Veio David.

Veio April.

Veio o amor multiplicado, sem medida, sem limites.

— Você percebe… que agora somos o retrato da felicidade? — Zoe perguntou, olhando para Liam, que no canto do jardim estava, junto de Donald e Richard, discutindo quem segurava melhor uma mamadeira.

— Mais do que percebo… eu sinto. — respondeu Helen, olhando para Ethan, que jogava bola com David, sem camisa, rindo, com aquele sorriso que ela achava que jamais veria dirigido a ela anos atrás.

Zoe apertou Mel contra o peito.

— Sorte nossa… e sorte delas. — beijou a testa da filha, enquanto observava Liam ser atingido por um avião de papel lançado por Donald.

— MEU DEUS, ISSO É TENTATIVA DE HOMICÍDIO! — Liam gritou.

— RELAXA, FOI SÓ UM TESTE DE AERODINÂMICA! — respondeu Donald, gargalhando.

James, segurando uma taça, não perdeu tempo.

— Alguém chama a N*****x. Temos aqui: “Três bebês, cinco avôs surtados e um marido traumatizado por aviões de papel.”

Todos gargalharam.

E ali, naquele jardim cheio de vozes, cheiros de bolo, cheiro de bebê e de amor… morava uma história que não começou perfeita. Que não começou fácil.

Mas que provava, todos os dias, que o amor verdadeiro… aquele que resiste, que luta, que se reconstrói… esse amor… é invencível.

E olhando para April e Mel nos braços das mães, e para David correndo feliz… o mundo parecia, enfim, exatamente como sempre deveria ter sido.

Porque quando o amor encontra o caminho… ele não vai embora nunca mais.

Agradecimentos e Novidades a Vista

Queridos leitores,

Hoje, com o coração transbordando, encerro uma história que jamais será apenas uma ficção para mim. A jornada de Helen e Ethan nasceu da alma, passou por cada batida do meu coração, e chegou até vocês, que leram, sentiram, vibraram, torceram e se emocionaram a cada capítulo.

Vocês acompanharam o silêncio de um amor não correspondido, o caos de uma paixão adormecida, as dores de uma separação injusta, a força de um recomeço e, enfim, a beleza de um amor que floresceu em meio às adversidades. Ethan e Helen não foram perfeitos, mas foram intensamente reais. E isso só foi possível porque vocês estiveram comigo o tempo todo, acreditando nessa história.

A cada comentário, a cada mensagem de carinho, a cada lágrima compartilhada comigo, eu me senti inspirada a continuar escrevendo com a alma. E foi assim que essa história deixou de ser só minha e passou a ser nossa.

Obrigada por acolherem os tropeços e os triunfos desse casal que, mesmo entre erros, escolhas difíceis e cicatrizes, escolheu o amor. Obrigada por abraçarem os personagens secundários com tanto afeto. Por rirem com Zoe, suspirarem com James e Liam, se emocionarem com Donald, Tânia, Melissa, Katerina, Richard , odiarem a Miranda … e, claro, se encantarem com o pequeno David, que representa tudo aquilo que Helen e Ethan construíram: um amor que vale a pena.

Essa não é apenas uma despedida. É uma promessa: a de continuar criando histórias que toquem, inspirem e aqueçam.

De coração,

Obrigada.

Com todo amor,

Annanda

Um pouquinho do novo livro que vem por aí.

“ A Babá Virgem e o Viúvo que Não Sabia Amar.”

Ela o interrompeu.

— Você não quer é diferente, porque amar exige coragem. E você prefere viver cercado de grades, afastando todos de si.

Ele a encarou. E por um instante, o que ela viu nos olhos dele… foi dor. Mas Lorenzo virou o rosto, deu as costas e caminhou até a porta.

— Não se preocupe — disse, seco. — Hoje mesmo vou providenciar outra babá para a Aurora.

A frase caiu como chumbo fazendo Isabela congelar. Demorou alguns segundos para que ela pudesse respirar de novo. Antes dele abrir a porta e sair, Isabella correu ao seu encontro e segurou na sua mão.

— Por favor — sua voz falhou — você sabe que eu preciso desse emprego.

Ele se virou de volta, soltando a mão da dela brusquidão e disse o que ela jamais esqueceria:

— Por causa do dinheiro? — O tom dele era ácido, venenoso, cruel. — Não se preocupe. Eu pagarei pelos seus serviços, inclusive por ontem à noite.

Plaft.

O som do tapa ecoou pelo quarto como um trovão que rasga o céu calmo. Lorenzo nem teve tempo de reagir. Os olhos arregalados dele encontraram os dela, cheios, não de dor, mas de mágoa. Mágoa amarga, do tipo que só sente quem acreditou demais.

Isabella respirou fundo. As lágrimas escorriam silenciosas, mas não carregavam fraqueza. Eram lágrimas de dignidade ferida, de um coração partido que ainda batia por ele.

Ela ergueu o rosto, o queixo firme, os olhos cravados nos dele como lâminas afiadas.

— Que pena, Lorenzo. Que tristeza enorme perceber que o homem que me fez tremer com um olhar… é o mesmo que tenta me comprar com um comentário sujo.

Ele ficou calado, paralisado diante da força inesperada daquela mulher.

— Eu me entreguei a você com o coração. Não com o corpo. Você pode até me pagar se isso fizer seu ego se sentir no controle. Mas saiba: o que eu te dei… não tem preço. Foi sentimento. Foi verdade. Coisa que você não parece saber reconhecer nem quando tem nas mãos.

Ela se aproximou, passo firme, sem medo.

— Você pode contratar outra babá, Lorenzo. Pode escolher uma que siga regras, horários e ordens frias. Que nunca a abrace quando ela acordar chorando. Que jamais perceba que o silêncio da Aurora é um grito sufocado por traumas que ela ainda nem entende. Pode encontrar alguém que alimente, que vista, que esteja. Mas amar? Amar como eu amo?

A voz dela vacilou por um segundo — mas não quebrou. Não se calou.

— Ninguém vai amar Aurora como eu amo. Ninguém vai olhar para aquela menina e enxergar tudo o que ela não diz. Ninguém vai perder noites tentando ser um porto seguro para ela. Ninguém, Lorenzo. Porque eu não cuido dela por obrigação. Eu cuido… porque a amo. Como se fosse minha. Como se tivesse sido feita pra mim.

E então, mais baixo, mais intenso:

— Como você foi.

Ele fechou os olhos por um instante. Mas ela não deu trégua.

— Você me assusta, Lorenzo. Porque é tão mais fácil amar alguém frio do que amar alguém ferido. Você se esconde atrás desse escudo de sarcasmo e superioridade como se não sentir fosse uma vitória. Mas a verdade… é que você morre de medo de amar alguém e se perder no caminho.

Ela deu mais um passo, agora muito perto dele.

— Sabe qual a diferença entre nós dois? Eu escolhi sentir. Eu escolhi me abrir. Eu escolhi o risco. Você? Você escolheu fugir. E o pior: fez isso usando as palavras que mais ferem, porque sabia que era a única forma de me afastar.

— Isabela… — ele sussurrou, mas ela ergueu a mão, interrompendo.

— Não. Agora você vai me ouvir. Porque eu nunca pedi nada, Lorenzo. Nunca pedi que me amasse de volta. Nunca implorei por migalhas. Só quis estar perto. Só quis ser abrigo. Só quis ser amor — e, mesmo assim, você preferiu me ferir a admitir que também sentia.

Ela respirou fundo, como quem toma fôlego antes de um mergulho final.

— Você vive tentando controlar tudo porque acredita que o amor te diminui. Mas o amor… Lorenzo, o amor não prende. Ele liberta. Ele não te enfraquece. Ele te torna humano. E talvez seja isso que te apavora.

Ela caminhou até a porta. O lençol escorria pelas curvas do corpo, mas não escondia a altivez de quem estava partindo inteira — apesar de despedaçada.

— Um dia, você vai entender que existem erros que o tempo não conserta. E talvez, nesse dia, você olhe para o lado… e não me veja mais.

Mão na maçaneta, ela virou o rosto uma última vez.

— Eu te amei. Amo Aurora. Amo você. Mas hoje… escolho me amar também.

E então saiu, sem olhar para trás.

Deixando Lorenzo ali, imóvel, esmagado por palavras que doeram mais que qualquer tapa. Pela primeira vez, o coração que ele dizia ter enterrado… gritava. E batia tão alto dentro do peito que nem ele conseguiu fingir que não ouviu.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Após o Divorcio Meu Marido Se Arrependeu