Se alguém dissesse que aquela casa, agora cheia de sorrisos, já fora palco de noites de solidão, lágrimas silenciosas e corações partidos, seria difícil de acreditar.
As cortinas brancas dançavam ao som da brisa leve, e o som das risadas infantis enchia cada canto. Era praticamente impossível imaginar que, por trás daquela paz, existia uma história que começou… com tudo, menos amor mútuo.
Helen estava sentada no jardim, apoiando o queixo na mão enquanto observava David correr atrás de bolhas de sabão. O menino, com seus cabelos loiros bagunçados e olhos tão azuis quanto os do pai, gargalhava com aquela pureza que só uma criança feliz carrega.
No colo dela, repousava sua mais nova razão de viver: April, com poucos meses de vida, mamava tranquila, segurando com uma mãozinha minúscula o seio da mãe, enquanto com a outra apertava o próprio pezinho. De vez em quando, entre uma sugada e outra, revirava os olhinhos azuis — exatamente os mesmos olhos do pai — como se estivesse prestes a adormecer.
Ao lado, Zoe balançava suavemente no sofá de vime, com a pequena Mel dormindo em seu colo. A menininha tinha cabelos castanhos-claros, traços delicados e lábios carnudos, perfeitos, que faziam parecer uma bonequinha de porcelana.
Zoe olhou para Helen e sorriu.
— Se alguém me dissesse há três anos que a gente estaria assim hoje… com duas filhas no colo, dois maridos apaixonados, e a vida mais caótica e perfeita do mundo… eu teria gargalhado.
Helen olhou para ela, apertou April contra o peito e respondeu, sorrindo:
— E eu teria chorado, porque não acreditaria que seria possível.
O passado parecia, agora, um filme antigo. Longínquo. Dolorido, mas necessário.
Porque tudo começou… com uma proposta.
Helen aceitou se casar com Ethan não por ambição, nem por dinheiro. Ela aceitou… por amor. Um amor silencioso, escondido. Um amor que ela carregava desde a juventude, quando Ethan Carter era o seu ponto fraco e, ao mesmo tempo, sua maior fraqueza.
Ele era inteligente, lindo, determinado. Gentil… quando queria. Cego… quando mais importava.
E, claro, na época… cego por Miranda.
Miranda. Deslumbrante. Manipuladora. Obsessiva.
Helen suportou tudo. O silêncio. Os olhares desviados. As conversas vazias. As noites longas na cama enorme, onde a única coisa que a cobria não era o lençol… mas a solidão.
E então… a bomba.
Uma foto.
Um clique.
Uma verdade cruel.
Ethan, sorrindo, ao lado de Miranda. E não era um sorriso qualquer. Era um sorriso de quem estava onde queria estar. E Miranda, como quem sabia exatamente o que fazia, segurava o braço dele como quem segura um troféu.
Quando a foto estourou nos tabloides, Miranda fez questão de entregar o celular dele nas mãos de Helen, sorrindo como quem entrega uma faca.
— Ele esqueceu lá em casa ontem. — disse, venenosa.
Helen, pela primeira vez em muito tempo, não chorou. Ela explodiu.
Marchou até o escritório, abriu a porta com tanta força que fez Ethan se assustar.
— Helen… — ele se levantou.
— Você não teve nem o cuidado de esconder? — perguntou ela, segurando o celular como quem segura uma bomba.
— Do que você tá falando? — ele tentou disfarçar.
Ela jogou o aparelho sobre a mesa. — Da mulher que você não consegue esquecer.
O silêncio foi ensurdecedor.
E então ela disse as palavras que arrancaram Ethan do pedestal onde sempre esteve:
— Eu me anulei por você. Eu te protegi. Eu esperei. Porque… eu te amava. Mesmo que fosse um contrato, eu… sempre… te amei.
O mundo de Ethan tremeu. Pela primeira vez… ele ouviu. E viu. Viu a mulher que sempre esteve ali.
Foi nessa noite que tudo mudou.
Vieram os dias de reconstrução. Vieram as conversas, os olhares, os toques tímidos, os sorrisos que antes não existiam. Vieram as tardes na cozinha, as noites no sofá, os risos, os abraços. E, então, o amor floresceu.
Mas o destino, com seu humor cruel, quis testar mais uma vez.
Miranda voltou. Mais venenosa. Mais desesperada. Armou drogando Ethan. Se despiu deitando-se ao lado dele. E fez questão que Helen os flagrasse.
Helen partiu. Carregando no ventre… um segredo.
David.
Quando Ethan descobriu… foi como se o mundo tivesse desabado. Buscou-a. Gritou. Se arrependeu. E… então… o acidente.
O hospital. O medo. A vida por um fio. E foi no desespero, segurando a mão dele, que Helen percebeu que não existia dor maior do que a possibilidade de perdê-lo.
E quando Ethan abriu os olhos, soube. Nada no mundo era mais importante do que ela. Do que eles.
Veio David.
Veio April.
Veio o amor multiplicado, sem medida, sem limites.
— Você percebe… que agora somos o retrato da felicidade? — Zoe perguntou, olhando para Liam, que no canto do jardim estava, junto de Donald e Richard, discutindo quem segurava melhor uma mamadeira.
— Mais do que percebo… eu sinto. — respondeu Helen, olhando para Ethan, que jogava bola com David, sem camisa, rindo, com aquele sorriso que ela achava que jamais veria dirigido a ela anos atrás.
Zoe apertou Mel contra o peito.
— Sorte nossa… e sorte delas. — beijou a testa da filha, enquanto observava Liam ser atingido por um avião de papel lançado por Donald.
— MEU DEUS, ISSO É TENTATIVA DE HOMICÍDIO! — Liam gritou.
— RELAXA, FOI SÓ UM TESTE DE AERODINÂMICA! — respondeu Donald, gargalhando.
James, segurando uma taça, não perdeu tempo.
— Alguém chama a N*****x. Temos aqui: “Três bebês, cinco avôs surtados e um marido traumatizado por aviões de papel.”
Todos gargalharam.
E ali, naquele jardim cheio de vozes, cheiros de bolo, cheiro de bebê e de amor… morava uma história que não começou perfeita. Que não começou fácil.
Mas que provava, todos os dias, que o amor verdadeiro… aquele que resiste, que luta, que se reconstrói… esse amor… é invencível.
E olhando para April e Mel nos braços das mães, e para David correndo feliz… o mundo parecia, enfim, exatamente como sempre deveria ter sido.
Porque quando o amor encontra o caminho… ele não vai embora nunca mais.
Agradecimentos e Novidades a Vista
Queridos leitores,
Hoje, com o coração transbordando, encerro uma história que jamais será apenas uma ficção para mim. A jornada de Helen e Ethan nasceu da alma, passou por cada batida do meu coração, e chegou até vocês, que leram, sentiram, vibraram, torceram e se emocionaram a cada capítulo.
Vocês acompanharam o silêncio de um amor não correspondido, o caos de uma paixão adormecida, as dores de uma separação injusta, a força de um recomeço e, enfim, a beleza de um amor que floresceu em meio às adversidades. Ethan e Helen não foram perfeitos, mas foram intensamente reais. E isso só foi possível porque vocês estiveram comigo o tempo todo, acreditando nessa história.
A cada comentário, a cada mensagem de carinho, a cada lágrima compartilhada comigo, eu me senti inspirada a continuar escrevendo com a alma. E foi assim que essa história deixou de ser só minha e passou a ser nossa.
Obrigada por acolherem os tropeços e os triunfos desse casal que, mesmo entre erros, escolhas difíceis e cicatrizes, escolheu o amor. Obrigada por abraçarem os personagens secundários com tanto afeto. Por rirem com Zoe, suspirarem com James e Liam, se emocionarem com Donald, Tânia, Melissa, Katerina, Richard , odiarem a Miranda … e, claro, se encantarem com o pequeno David, que representa tudo aquilo que Helen e Ethan construíram: um amor que vale a pena.
Essa não é apenas uma despedida. É uma promessa: a de continuar criando histórias que toquem, inspirem e aqueçam.
De coração,
Obrigada.
Com todo amor,
Annanda
Um pouquinho do novo livro que vem por aí.
“ A Babá Virgem e o Viúvo que Não Sabia Amar.”
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após o Divorcio Meu Marido Se Arrependeu
Não sei nem o que dizer, ela foi muito ferida, mas não é bom tomar uma decisão assim tão precipitada,esfriar a cabeça dar um tempo para si e se valorizar ainda mais e ai sim partir para outra e arrumar alguém que possa ama- lá de verdade e dar valor a ela é assim que deve ser....
A serpente no jardim do Éden,, igualzinho, o sussurro da traição venenoso, maldito e traiçoeiro é assim que funciona, e quando a pessoa acorda do transe já é tarde,pois é como eu disse a desculpa para anestesiar sua consciência foi o contrato e ela ouviu.😪😪😪...
Ai.Ai.Ai no meu pensamento traição é questão de escolha, simples assim, é escolher trair é uma questão de decisão e ainda por cima bloquear o sentimento de culpa dentro de si,jogando a culpa do que fez no cônjuge traído.💔...
Que lindo amando ,o amor está no ar ou melhor na tempestade da paixão 🥰...
Ummmm... Moscou pode representar o começo deste amor a dois sim porque não, ou o fim também, porque se acontecer o que imagino aquela Miranda vai aprontar e feio para cima deste casal que também estou shipando 😍😍😍....
Nunca prometa o que você jamais irá conseguir cumprir...
Falei deu ruim, acho que Michael vai quebrar a cara dele e desta vez de graça porque por enquanto ninguém sabe da verdade do que aconteceu entre ele e a piranha da Miranda, que mulherzinha rancorosa....
Mulheres dona de si não precisa se rebaixar a nada e só se manter de mente fria e no controle de suas emoções visíveis porque por dentro elas estão gritando se raiva e mágoa,mas o que importa é o exterior o que os outros de fora pode ver....
Puxa pior cego é aquele que não quer enxergar o que está bem na sua frente....
Que delícia ver uma família unida torcendo pelo amor e futuro de um novo casal se formando isto conta muito num novo começo de vida a dois, Maaaas devo, nesta história, concordar com Michael vem ataque da rival por ai e não vai ser leve....