Ethan Carter
Saí da empresa sem saber exatamente para onde estava indo.
O céu já começava a escurecer, a cidade se iluminava ao meu redor, mas tudo parecia vazio. Dentro de mim, um eco estranho ressoava, uma mistura de raiva, confusão e um aperto no peito que não fazia sentido algum. Peguei o carro na garagem sem pensar muito, apenas dirigi.
A estrada passou como um borrão diante dos meus olhos, até que, de alguma forma, meus instintos me levaram para um lugar conhecido: O bar.
O bar onde os funcionários da empresa costumavam ir depois do expediente, onde sempre havia conversas, risadas e uma boa dose de álcool para esquecer os problemas. E eu precisava esquecer.
Parei o carro, desci e entrei. O lugar estava moderadamente cheio, mas eu não prestei atenção em ninguém. Caminhei até uma mesa no canto, sentei e fiz o único pedido que realmente importava no momento.
— Whisky.
O garçom assentiu e logo voltou com um copo cheio. Agarrei o vidro gelado com os dedos e bebi sem hesitar. O álcool queimou minha garganta, mas não o suficiente para afogar o que estava na minha mente. Minha cabeça latejava, minha mente reproduzia cada cena do dia como um filme quebrado.
Miranda entrando na minha sala, me beijando sem aviso e eu… não sentindo absolutamente nada, nem um traço de desejo, nem um resquício da necessidade que um dia senti por ela.
Nada.
E então, a pior parte…
Helen…
A forma como ela nos encontrou. A maneira como seus olhos pousaram na cena, como me ignorou completamente.
Isso me destruiu.
Eu queria que ela tivesse gritado, tivesse jogado alguma coisa em mim, brigado, discutido, me chamado de canalha.
Mas não.
Ela simplesmente não reagiu e de alguma forma, isso foi muito pior.
Por que isso me incomodava tanto? Por que o fato de Helen não ter demonstrado nada fazia meu peito doer desse jeito? Ela não se importou e isso me matou, mas por quê? Por que eu queria tanto que ela se importasse?
Passei a mão pelos cabelos, frustrado. Eu não sabia mais o que fazer com esse turbilhão dentro de mim, não sabia mais o que sentir.
O toque do meu celular me tirou do transe. O nome na tela não me surpreendeu.
Suspirei, levando o aparelho ao ouvido e dizendo a única coisa que realmente fazia sentido naquele momento:
— Estou fodido, cara.
✲ ✲ ✲
Ethan passou a mão pelos cabelos, o copo já meio vazio em sua frente. Seu peito ainda estava pesado, sua cabeça ainda doía. Liam sentou-se ao seu lado, observando o estado deplorável do amigo.
— Tá bebendo pra esquecer ou pra lembrar? — perguntou, pegando o copo da mão de Ethan e analisando o líquido âmbar antes de devolvê-lo.
Ethan soltou um riso amargo e respondeu:
— Os dois.
Liam apenas cruzou os braços e esperou. Ele sabia que Ethan precisava falar.
E Ethan falou.
— Miranda apareceu na minha sala hoje.
Liam arqueou uma sobrancelha, já imaginando o rumo da história.
— E?
Ethan tomou outro gole, os olhos fixos no copo em suas mãos.

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