Entrar Via

Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex romance Capítulo 1

— Sr. Ciro, hoje é o dia de você e a Larissa assinarem no cartório. Você não vai mesmo? Você simplesmente não apareceu. Não tem medo de ela explodir?

— Explodir? Todo mundo sabe que a Larissa vive grudada no Sr. Ciro, igual carrapato. Mesmo se ela descobrir que ele faltou por causa da Mel, ela engole seco.

— Pois é. A Larissa não chega aos pés da Mel. Desde pequeno, o Sr. Ciro só tinha olhos pra Mel.

...

A "Mel" que saía da boca de todo mundo era Melissa Vasconcelos, a irmã de criação de Ciro Vasconcelos, irmã só de nome.

Larissa parou à porta da sala privativa. Aquelas palavras fizeram o sangue gelar, um frio cortante que parecia rasgar por dentro.

Esse era o homem que ela amou por anos? Patético.

Os dedos se fecharam num punho duro, as unhas rasgaram a própria palma, deixando marcas vermelhas. Ainda assim, aquela dor era nada perto do que queimava por dentro.

Ela puxou o ar, firme, e empurrou a porta.

Bum.

A gritaria morreu na mesma hora.

— Larissa... — O choque correu pela sala.

A mulher à porta era de uma beleza impossível de ignorar.

Pele clara e luminosa. Olhos vivos. Alta, com curvas ardentes na medida certa. O vestido rosa marcava a cintura com perfeição, o cabelo meio preso emoldurava o rosto — bonita de doer, como se tivesse sido favorecida pelo próprio céu.

Só que o olhar... o olhar era gelo. Ela varreu Ciro e Melissa com calma e deixou o desprezo cair, afiado:

— Ciro... então esse era o motivo de você não ter aparecido no cartório?

Um traço de culpa atravessou o rosto bonito de Ciro. Ele se aproximou, como se a presença dele bastasse para apagar o que fez:

— Assinar no cartório dava pra fazer em qualquer dia. Mas a Mel voltou do exterior, isso não acontecia sempre. Como irmão, eu tinha de receber ela.

Larissa devolveu com um sorriso de escárnio.

— Um ano só tem um aniversário de namoro. Isso também não valia nada? Ou você nem lembrava que, se a gente não assinasse hoje, ia ter de esperar até o ano que vem?

Era o plano deles: o aniversário de namoro virar aniversário de casamento. Uma única data, dois significados, um símbolo.

Só que a verdade se desenhava com nitidez. Ciro não queria se casar.

Quem ele queria era Melissa, a mulher que ele amava desde garoto e nunca conseguiu ter.

Talvez ao sentir a raiva dela crescer, ele tentou pegar a mão dela, apressado.

— Para com isso. Depois eu te explico.

Larissa se desvencilhou num movimento seco.

Foi quando Melissa falou, entrando no meio com a voz mansa demais:

— Larissa, me desculpa. Eu errei. Eu não sabia que vocês tinham planejado assinar hoje.

Ela abaixou a cabeça, pedindo perdão com um ar tão injustiçado que parecia ser a vítima ali.

Larissa sempre a detestou. Não queria ouvir, muito menos responder.

Mesmo assim, Melissa levantou o olhar úmido, frágil até o exagero.

— Por favor, me perdoa. Eu de coração desejava o melhor pra você e pro Ciro.

Desejava?

Larissa soltou uma risada curta, afiada.

— Você pode parar com esse teatro? Se você de verdade desejasse, você não tinha voltado.

O semblante de Ciro escureceu.

— Larissa, não seja tão cruel.

— Cruel? Ou foi só eu falar da sua mulher que você já não gostou? — Ela o encarou com uma frieza de quem olhava um desconhecido.

A expressão dele já estava feia. A voz veio em repreensão, baixa e dura:

— Larissa, olha onde você está. Para de falar besteira!

Que cena bonita. Ele defendia tão bem a "irmãzinha".

Se ele ia blindar Melissa desse jeito, então ela podia muito bem realizar esse amor.

— Já que fez, por que tem medo que falem?

Os olhos de Melissa se encheram de lágrimas, com o rosto magoado.

— Larissa, eu e o Ciro não somos nada do que você está imaginando. Você podia parar de me acusar, como você sempre fez?

A voz saiu trêmula, com choro preso.

— Se eu soubesse que voltar dessa vez ia fazer vocês brigarem, eu nem voltava...

O jeito de quase chorar puxou a pena de quem assistia.

E ninguém ali aceitava ver Melissa "sofrer".

O ataque veio em coro.

— Larissa, aí você passou do ponto. O Sr. Ciro e a Mel são irmãos. Você vai sentir ciúme até disso?

— Pois é! Foi porque você não suportava a Mel que, nesses três anos, ela ficou no exterior, só pra dar espaço pra vocês. E agora você ia fazer tudo de novo?

— Cuidado pra não exagerar. Daqui a pouco o Sr. Ciro te larga!

...

Larissa encarou aquela indignação coletiva com uma calma gelada.

Antes, por causa de Ciro, ela engolia tudo daqueles amigos dele.

As risadas. As ironias. Os comentários maldosos ditos às suas costas.

Sempre ficou em silêncio.

— É só um registro. Se não deu pra assinar hoje, a gente assinava no seu aniversário. Qual é o drama? Custava ser mais madura?

Madura?

Podia. Claro que podia.

O coração de Larissa ficou imóvel como água parada.

— Ciro, vamos terminar.

O grupo ficou em choque.

Ciro ficou alguns segundos sem reação. O rosto escureceu.

— De novo essa história de terminar? — A voz dele subiu. — Há três anos você fez exatamente isso. A Mel só foi estudar fora porque tinha medo de que a gente se separasse. E agora vai começar tudo outra vez? Quer expulsá-la de vez?

— Larissa, como você pode ser tão calculista? — Ciro explodiu. — Eu já concordei em registrar o casamento com você, e mesmo assim não consegue aceitar a Mel? Vai insistir até destruir a vida dela? Se continuar com essa maldade, eu não vou assinar nada!

Melissa aproveitava a defesa dele. Quando baixou a cabeça, um brilho satisfeito atravessou o olhar.

Ao ouvir aquilo, Larissa riu. Um sorriso claro, quase luminoso.

— Ótimo. Então não registre. Não haverá casamento.

Ela soltou as palavras e se virou para sair.

— Larissa! — A voz de Ciro veio carregada de ameaça. — Se você sair por essa porta hoje sem pedir desculpas à Mel, eu nunca vou te perdoar!

Todos apostavam na mesma coisa: que ela voltaria. Que cederia.

Ela amava Ciro demais.

E, de fato, ela parou.

Virou o rosto e passou os olhos por todos. De repente, ergueu a mão, solene.

— Já que todos estão aqui, escutem bem. Eu, Larissa Moretti, declaro neste momento que estou terminando com Ciro Vasconcelos. Nunca haverá casamento entre nós.

O ar pareceu pesar. Ela continuou, a voz glacial:

— E se eu voltar atrás... que ele nunca construa família. Que perca o que mais ama. Que jamais encontre paz.

Sem dar espaço para reação, Larissa ignorou os olhares atônitos e saiu da sala privativa.

Atordoada entre revolta e dor, entrou no primeiro táxi que viu. Bloqueou todos os contatos de Ciro, apagando qualquer possibilidade de retorno.

O toque do celular rasgou o torpor e trouxe ela de volta à realidade.

Um número desconhecido. E, ao mesmo tempo... estranhamente familiar.

Por um segundo, o coração pareceu falhar. Ela atendeu.

Do outro lado, uma voz masculina, grave e serena, deslizou como veludo no silêncio:

— Se o casamento ainda está nos seus planos, por que não comigo?

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex