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Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex romance Capítulo 534

— O que foi, Ciro? — Larissa observou o café derramado e a mão avermelhada dele. — Ou será que Melissa estava falando a verdade?

Ciro procurou ajeitar a xícara sobre o pires, mas seus movimentos desajeitados só fizeram o frio se espalhar pelo corpo de Larissa.

— Claro que não! — Ele se apressou em responder. — Você conhece a Melissa. Ela mente como respira. Inventou essa história porque queria que você retirasse a queixa. Não percebe?

Falava como se tentasse convencê-la de algo perfeitamente óbvio, mas a palidez que lhe tomava o rosto traía o esforço.

Larissa já encontrou parte da resposta que procurava.

— Pode ser. Só que ela me disse outra coisa naquela ocasião. Disse que alguém estava tentando matá-la. E apontou sua mãe como responsável.

Ciro ficou em silêncio.

— Na hora, achei que fosse mais uma invenção dela. Mas, poucos dias depois, Melissa desapareceu daquele jeito. — Larissa deixou as palavras assentarem antes de continuar. — Convenhamos, Ciro, é coincidência demais.

Ela acompanhou a expressão dele por cima da xícara.

— A menos que sua mãe tenha alguma coisa tão grave a esconder que não pudesse correr o risco de Melissa abrir a boca...

O nome de Melissa ainda circulava pelos salões de Aurimare, acompanhado de uma versão cada vez mais extravagante: os Vasconcelos organizaram sua fuga da prisão e fizeram tudo parecer um acidente.

Mas Ciro sabia que aquilo não fazia sentido. O Grupo Vasconcelos jamais se envolveria numa operação dessas.

Beatriz, por outro lado, tinha motivos.

Melissa era filha da melhor amiga que sua mãe perdeu anos antes. Só que existia outro motivo, um que tornava aquela história muito mais complicada...

Larissa não insistiu. Já foi longe o suficiente para perceber que tocou onde doía.

De volta ao carro, a serenidade que manteve diante de Ciro desapareceu.

— Leandro, desta vez quero cada movimento dele sob vigilância. Sem perder nada.

— Pode deixar.

O assistente pegou o celular e transmitiu as ordens imediatamente.

Pouco depois, Ciro saiu do estacionamento em seu próprio carro. Larissa, porém, permaneceu onde estava.

Foi então que a porta se abriu.

Alguém entrou, trazendo consigo uma corrente de ar e um perfume de cedro que ela reconheceria em qualquer lugar.

Larissa se virou, surpresa.

Arthur.

A proximidade tornou quase impossível não reparar nele. A luz que atravessava a janela desenhava o relevo de seu rosto com a precisão de um cinzel, como se um escultor renascentista esculpisse aqueles traços em mármore e não encontrasse mais nada a corrigir.

Era o tipo de beleza que não dependia de um ângulo favorável, capaz de fazer até os galãs mais disputados do cinema parecerem comuns.

Mas não eram apenas os traços que o distinguiam. Havia também aquela maneira de ocupar o espaço sem esforço, a postura naturalmente senhoril, a elegância discreta de quem nasceu cercado por um século de poder e tradição.

Arthur Vasconcelos não precisava ostentar o próprio sobrenome. Bastava entrar em algum lugar para que todos se lembrassem dele.

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