A provocação de Arthur acendeu de imediato a timidez de Larissa. Do pescoço ao rosto, tudo nela ficou vermelho. Mordendo o lábio, ela ergueu-se na ponta dos pés e beijou a bochecha dele com delicadeza, como uma borboleta tocando uma pétala.
— Assim está bom?
Com o beijo, já tentou se afastar.
Arthur abriu os olhos devagar. A expressão endurecida cedeu, como gelo que se desfaz, e um sorriso macio tomou conta do rosto.
Ele a puxou para si. Um braço firme a prendeu. A mão subiu e segurou a nuca dela. Arthur baixou o rosto, e o hálito úmido, quente, se espalhou na pele dela com uma tentação lenta.
— Um beijo só não basta.
Ele se inclinou ainda mais. Os lábios dele ficaram a um fio dos dela, rosados e brilhantes. A respiração dos dois se misturou, presa e entrelaçada.
O olhar de Arthur ardia, como o de um animal que esperou tempo demais pelo que queria.
Larissa prendeu o ar.
As faces queimavam. O coração batia tão forte que parecia querer escapar do peito. O ar faltou.
Só então Arthur a soltou.
Ainda ofegante, Larissa o encarou com olhos úmidos, como um gatinho pequeno que apanhou demais.
Perguntou, num fio de voz:
— Então... você aceita?
Arthur conteve o que havia no olhar. O canto da boca se ergueu.
— O que a minha esposa pede, eu concedo.
Larissa desviou os olhos e saiu depressa, quase fugindo.
Por um instante, o corpo inteiro ficou quente. Uma sensação nova, desconhecida, se espalhou, como se algo nela tivesse despertado...
Arthur acompanhou a fuga dela e soltou uma risada baixa. Os olhos ficaram ainda mais escuros.
Ela parecia uma gata arisca. Por dentro, era fácil de provocar.
A ferocidade era só disfarce.
...
Dois dias depois, Larissa levou Arthur à mansão Moretti.
— Vovô.
De vestido claro, ela se mantinha elegante e impecável. A postura firme denunciava a educação de herdeira. Com suavidade, apresentou:
— Este é o Arthur de quem eu te falei.
Samuel olhou para Arthur ao lado dela e assentiu, satisfeito, com um sorriso.
— Bom. Muito bom.
Arthur, bonito e de presença nobre, se mostrou contido e educado.
— Vovô, isto é só uma pequena lembrança de apresentação.
Pedro entrou trazendo os presentes, um por um, e os organizou sobre a mesa comprida antes de sair de novo.
Em poucos instantes, a madeira ficou tomada por caixas de suplementos caros e garrafas de vinho e destilados de alto padrão.
Era evidente que Arthur escolheu tudo com cuidado.
Samuel vestia uma camisa sob medida em tom de vinho escuro, corte perfeito. Riu com gosto.
— Você e a Lari se casaram. Agora somos uma família. Não precisa tanta formalidade.
— É o mínimo. — Arthur manteve o tom calmo. — Com respeito, nenhum gesto é demais.
Bastou aquilo para Samuel entender. Desta vez, Larissa escolheu certo.
Na época em que Manuel Moretti adoeceu gravemente, ele temeu deixar Larissa sem amparo. Confiou a filha aos cuidados de um velho amigo e parceiro de negócios, Rafael Vasconcelos. Chegou a cogitar um casamento entre as famílias.
Naquele ano, Larissa tinha dezessete. Foi quando assumiu o namoro com Ciro.
Antes de morrer, Manuel pediu que ela ficasse bem com Ciro.
Ciro prometeu a Manuel que cuidaria de Larissa por toda a vida.
No entanto, o compromisso entre as famílias permaneceu.
Só que o noivo deixou de ser Ciro. Passou a ser Arthur.
— Lari, vai até a capela da família e presta homenagem à sua avó e aos seus pais. — A voz de Samuel veio suave, mas irrecusável. — Eu vou conversar com Arthur.
Larissa olhou para Arthur, inquieta. Demorou a responder.
O avô era um homem difícil.
Ciro sofria nas mãos dele, sentia medo e, no fundo, rejeição.
Nos últimos dias, Larissa conviveu com Arthur o bastante para enxergar além da língua afiada. Ele era atento. E, sim, parecia um bom marido.
E ainda assim era um casamento relâmpago. Larissa não queria envolvê-lo em problemas por causa dela.
Samuel percebeu a hesitação e soltou, em tom de brincadeira:
— O quê? Está com medo de eu maltratar o seu marido?
O rosto de Larissa corou na hora.
Arthur soltou uma risada baixa e olhou para ela.
— Está tudo bem. Eu converso um pouco com o vovô. Vai lá.
Só então Larissa assentiu e seguiu para a capela da família.
Ela acendeu velas. Com um lenço limpo, passou com cuidado pela placa de mármore com o nome da mãe, limpando cada detalhe como se o gesto fosse uma oração silenciosa.
Desde pequena, recebeu amor demais para duvidar do próprio valor.
A mãe sempre lhe acariciava a cabeça e dizia, com ternura:
— Lari é a princesinha mais preciosa da nossa casa. Tem que viver feliz, leve, sem preocupações...
— Você merece tudo o que existe de bonito neste mundo. É o nosso tesouro.
...
De volta à mansão da Península de Safira, Larissa tomou banho primeiro.
Enquanto Arthur estava no banho, o celular dela tocou. Um número desconhecido.
Ela atendeu sem pensar.
A voz de Ciro veio carregada de raiva.
— Larissa, já deu essa palhaçada, não deu?
— Você bloqueou meu número, me bloqueou no WhatsApp, nem em casa aparece. O que você quer com isso?
Depois de dias sem falar com ele, a voz de Ciro lhe deu nojo.
— Não esquece que a gente terminou.
— Eu voltar ou não voltar não é da sua conta.
Ciro ficou em silêncio por um instante.
Antes, uma briga nunca durava mais que algumas horas. Bastava ele fingir carinho, e tudo voltava ao normal.
A frieza dela agora o deixou inquieto. Ele suavizou o tom.
— Tá. Eu admito. Aquele dia, eu passei do ponto por não ir ao cartório.
— Eu peço desculpas. Para de fazer drama, tá?
Larissa soltou uma risada curta.
— Você não entende? A gente terminou. Para de me ligar.
— Larissa, não exagera. — Ciro rosnou.
Larissa já ia encerrar. Não queria perder mais um segundo com ele.
Nesse instante, a porta do banheiro se abriu.
Ela virou o rosto no reflexo do som.
Arthur saiu com apenas uma toalha na cintura. O abdômen marcado, as linhas firmes, a pele ainda úmida. A visão bateu nela como um choque bonito demais.
Por um momento, Larissa esqueceu o celular na mão.
— De quem é a ligação? — Arthur se aproximou. A sobrancelha se ergueu, fria. Ele lançou um olhar ao visor, como se não soubesse.
Larissa continuou presa ao corpo dele, sem conseguir reagir.
Do outro lado, Ciro ouviu a voz masculina e explodiu.
— Larissa, tem um homem aí? Quem é ele?
Arthur tirou o celular da mão dela com naturalidade. Nos olhos dele surgiu um brilho escuro, gelado.
— Calma. — A voz veio baixa. — Logo você descobre quem eu sou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex
A estória precisa ter um fim, quero ver o final.....já gastei horrores e não chegou ao final....
As atualizações poderia ser mais rápida...
Uma porcaria,a autora não consegue terminar o livro, então vou desinstalar e procurar um livro que tenha começo meio e fim,esse já deu, não recomendo pra ninguém...
Concordo, a história está se estendendo demais, ou a forma como está sendo escrita a história não está prendendo mais a atenção. O clímax da história é sobre Arthur e Larissa contra todos, mas o autor resolveu separar os dois. Pessima escolha...
Boa noite! Não estou conseguindo comprar moedas mais alguém com esse problema? Alguma sugestão???...
Gente essa Larissa é muito burra mulher imbecil,...
Gosto da história mas já tá ficando cansativa... Poderia adiantar mais esse desenrolar......
e as atualizações minha gente? cade?...
O que aconteceu que não tem atualizações?...
Não tem capítulos hoje????...