Eram reais.
Era impossível negar.
— Berta — a voz de Lívia de repente soou mais distante —, tenho algumas coisas a resolver agora, vou desligar. Pense... pense bem no que vai fazer.
A ligação caiu.
Berta ficou olhando fixamente para a tela do celular, e em seguida arremessou-o violentamente contra a parede. Com um estrondo, o aparelho quebrou de vez.
Ela caiu sentada no tapete, abraçou os joelhos e tremia sem parar.
Estava acabada.
Tudo acabado.
A "melhor amiga" Lívia não servia mais. Não dava mais para calar a mídia. Adilson certamente já tinha visto as notícias, e quando se encontrassem amanhã... o que ele iria perguntar? Ele iria acreditar nela?
Não. Ele não ia acreditar.
As fotos eram muito reais e a linha do tempo estava muito bem definida. Bastava uma pequena checagem para descobrirem que tipo de vida ela levava no exterior.
O que eu faço... o que eu faço...
De repente, ela se lembrou de uma pessoa.
Aquele homem misterioso que a ajudou com os desdobramentos das drogas na bebida e permitiu que ela jogasse a culpa em Tereza com sucesso.
Isso! Procurar por ele!
Como se agarrasse uma tábua de salvação, Berta levantou-se do chão, correu até a escrivaninha e abriu a gaveta. Ali dentro havia um celular reserva. Com dedos trêmulos, ela ligou o aparelho, encontrou um número sem nome salvo na agenda e fez a chamada.
...
Sala de chá privada na zona leste da cidade.
Vitor Drummond estava sentado à mesa de chá e, à sua frente, um homem vestindo um traje oriental negro. Os dois bebiam o chá em silêncio, cercados por vapores finos.
O celular do homem vibrou. Ele olhou para a tela: — É a Berta.
Vitor colocou a xícara na mesa: — Você viu as notícias?
— Vai atender? Com a situação dela no momento... será que devemos abandoná-la?
— Abandoná-la? — Vitor riu. — Você não conta com outro trunfo, com essa gravidez dela?
O homem pareceu pensar a respeito.
— Essa mulher não é nada simples. — Vitor brincava com a xícara. — Só descobri recentemente. A vida dela lá fora não era só bagunça. As pessoas com quem ela se envolvia... são muito interessantes.
— Por exemplo?
Vitor não respondeu diretamente: — Atenda logo. Ajudar nos momentos difíceis faz as pessoas serem mais gratas.
O homem assentiu, apertou o botão e ligou o viva-voz.
— Me ajude! As notícias saíram! O que aconteceu no exterior, tudo saiu na internet! — A voz de Berta soava desesperada e chorosa.
O homem falou com tranquilidade: — Calma, me explique devagar. Que notícias?
Berta descreveu os fatos de modo embaralhado.
— Fique calma. — A voz dele era firme. — As fotos podem ser verdadeiras, mas não quer dizer que a história seja. Em se tratando da opinião pública, a verdade não é importante. O que importa é quem sabe contar a história mais comovente.

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