Sede do Grupo Ferreira, no andar do escritório do CEO, no 68º andar.
Assim que Berta saiu do elevador, sentiu que havia algo errado.
Normalmente, quando ela chegava na empresa, as recepcionistas e os funcionários que passavam a cumprimentavam educadamente. O olhar de cada um carregava um quê de respeito ou inveja voltado para a "confidente do Sr. Ferreira". Contudo, hoje, todos os olhares haviam mudado.
Os funcionários paravam brevemente quando a viam cruzar os corredores, as expressões faciais variavam de forma fugaz, para em seguida abaixarem a cabeça e andarem mais depressa. Um grupo de mulheres reunidas perto da porta da copa estava conversando baixinho, mas assim que ela apareceu, todas ficaram em total silêncio. Elas a observavam com um olhar carregado de pesquisa e... puro deboche.
O burburinho vinha de todas as direções, picando-a como agulhas:
— É ela mesma... E parecia tão inocente...
— A pessoa não tem nada a ver com a cara, jogou solta no exterior...
— Voltou ainda com um menino para o CEO assumir, bela tacada...
— Coitado do Sr. Ferreira. Primeiro foi enganado pela Dra., e agora por essa...
Berta endireitou as costas e seguiu em frente. Os saltos estalavam no piso de mármore. Ela vestia um conjuntinho de malha em tom cinza-claro bem discreto e conservador, além de uma maquiagem leve, e trazia na mão um pote térmico — montando o personagem da mulher devota e carinhosa.
Mas aqueles olhares feriam seu corpo como navalhas.
Na recepção do escritório, Thiago viu-a chegar. A expressão de seu rosto não era muito boa, mas ele se levantou mesmo assim: — Srta. Ramos, o Sr. Ferreira está à sua espera.
— Obrigada. — Berta respondeu suavemente e empurrou a pesada porta de madeira.
Dentro do escritório, Adilson estava de frente para a janela, virado de costas. Ao ouvir o barulho, sequer olhou para trás.

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