— Sr. Ferreira! Qual é a sua relação com a Srta. Ramos?
— Essa criança é sua?
Os flashes disparavam freneticamente.
Adilson olhou ao redor, o olhar frio como gelo, mas que se desfez em uma rara suavidade ao abaixar a cabeça para olhar Berta. Ele falou para as câmeras, palavra por palavra, com extrema clareza:
— Berta é a pessoa mais importante para mim. Quanto ao resto, sem comentários.
Ele fez uma pausa e soltou uma frase que cortava como uma lâmina fria, atingindo em cheio o coração da mulher sentada na sala de estar da própria mansão:
— Quanto a certos casamentos por interesse comercial, são apenas trocas de benefícios, não vale a pena mencionar.
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O alvoroço na TV continuava.
As hashtags disparavam nas buscas em uma velocidade impressionante:
#Berta Ramos Retorna Com Filho# #Adilson Ferreira Protege Flor No Aeroporto# #PresidenteDoGrupoFerreiraSuspeitoDeCasamentoSecretoEFilho#
Tereza observava em silêncio, sem um traço de expressão no rosto. Apenas os cílios levemente trêmulos revelavam parte de seu estado de espírito.
Ela se levantou e caminhou até a sala de jantar.
Os doze pratos já haviam esfriado, a gordura já tinha endurecido na superfície, formando uma camada feia e grossa. Ela pegou o prato de garoupa no vapor e o jogou na lixeira. Depois a lagosta gratinada com trufas negras, a bochecha de boi ao vinho tinto... um prato, depois outro.
Por último, o bolo de aniversário de três anos.
As decorações de creme lilás ainda eram delicadas, mas as pétalas de rosa já haviam murchado. Ela estendeu a mão, as pontas dos dedos tocando o creme frio e liso, e então pressionou com força, afundando a palma dentro do bolo.
— Sra. Tereza... — A voz do Senhor Ramos soou atrás dela.
— Limpe tudo. — Tereza estava de costas para ele, a voz assustadoramente calma. — Eu não vou jantar hoje à noite.
Ela caminhou para o jardim.
A noite já ia alta, as rosas floresciam sob o luar. Era o presente de casamento que o avô de Adilson lhe dera: um jardim de rosas centenário transplantado do sul. Há três anos, ela cuidava pessoalmente de cada flor, podando, adubando, retirando insetos, como se cuidasse de seus próprios filhos.
— Senhor Ramos. — Tereza parou de andar, sem olhar para trás. — A partir de amanhã, não precisa mais preparar o jantar para o senhor.
— E quanto a senhora...
— Eu comerei sozinha.
Ela subiu as escadas em espiral, os passos ecoando pela mansão vazia. Voltando ao quarto, não acendeu as luzes e foi direto para a janela.
Lá fora, o neon da cidade piscava como um rio de estrelas.
Ela estava aprisionada dentro daquela mansão de luxo, com o sangue nos dedos já formando uma crosta avermelhada e escura.
A tela do celular acendeu novamente.
Desta vez era uma notificação do Twitter: "Urgente! Foto frontal do filho de Berta Ramos revelada! Traços muito parecidos com os de Adilson Ferreira!"
Na foto, Adilson segurava o menino, e Berta estava encostada ao seu lado. Os três pareciam realmente uma família feliz.
Tereza sorriu levemente.

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