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As Múltiplas Identidades Secretas Da Ex-esposa romance Capítulo 3

Naquele momento, o toque do telefone soou abruptamente pelo quarto, o nome "Larissa Ramos" piscando na tela e emitindo uma luz ofuscante no ambiente escuro.

Tereza encarou o nome, um sorriso muito sutil surgindo no canto da boca.-

Ela não atendeu.

O telefone desligou sozinho e, em menos de dez segundos, tocou novamente.

Ainda assim, ela não atendeu.

Quando o toque soou pela terceira vez, Tereza caminhou até a penteadeira e olhou para o próprio rosto pálido no espelho. A crosta de sangue permanecia na ponta do dedo, formando uma mancha avermelhada e seca. Ela pegou o celular, deslizou para atender e não disse nada.

— Ah, finalmente resolveu atender o telefone? — A voz de Larissa transbordava um prazer óbvio ao ver a desgraça alheia. — Tereza, viu as notícias? Minha irmã voltou, e com uma criança. E aí, a posição de Sra. Ferreira ainda está firme?

Tereza puxou a cadeira da penteadeira e se sentou, o olhar pousando calmamente em si mesma no espelho.

— Por que não fala nada? Está triste? Chateada? — A risada de Larissa chegou através da linha, aguda e estridente. — É verdade! Por mais que tenha fingido durante esses três anos, você não passa de uma substituta. Agora que a verdadeira mulher voltou, uma impostora como você deveria...

— Já terminou de falar?

De repente, Tereza falou com uma voz baixa, mas que quebrou todo o clima, interrompendo de imediato o discurso de Larissa.

O outro lado da linha ficou em silêncio por um instante.

— Você...

— Larissa. — Tereza a interrompeu, o tom tão sereno como se narrasse um fato que não tinha nada a ver com ela. — Nesses três anos, Adilson tratou você muito bem, não é?

Larissa se assustou, em seguida ficou orgulhosa: — Claro, Adilson para mim...

— Ele arrumou o melhor cargo para você, te deu bolsas de edição limitada; quando você ficou doente, ele desmarcou reuniões para ir te ver. — Tereza dizia lentamente, cada palavra tão nítida como se lesse uma sentença. — Todo mundo diz que o Sr. Ferreira mima demais a segunda Srta. Ramos.

Larissa percebeu que o tom dela estava estranho e ficou em alerta: — O que você quer dizer?

— Não quero dizer nada. — Tereza deu uma risada suave. — Eu só acho que, neste momento, quem deveria estar sofrendo mais é você, não?

— Que bobagem é essa que você está falando!

Tereza nem olhou, apenas colocou no silencioso e jogou o celular sobre a penteadeira.

Ela foi até o guardaroupa para pegar um pijama. Ao tocar o tecido com as pontas dos dedos, sentiu que o ferimento na mão ainda doía um pouco. Olhou para a crosta de sangue e, de repente, recordouse da noite de núpcias de três anos antes.

Naquela noite, Adilson bebeu até embriagarse, e o assistente o levou de volta ao quarto. Ela, vestida com um pijama vermelho, estava sentada na beira da cama e o viu tombar no colchão, murmurando um nome de forma arrastada.

— Berta...

Ela paralisou na hora, os dedos apertando o lençol sem perceber, as unhas cravando na palma; a dor fora igual a essa.

Mais tarde, ele acordou e a viu sentada na beirada; o olhar dele teve um instante de confusão, para então esfriar rapidamente.

— O que você está fazendo aqui? — ele perguntou.

— Este é o nosso quarto. — ela disse baixinho.

Ele franziu a testa, não disse mais nada, levantou-se e foi para o banheiro. Depois daquele dia, ele se mudou para o quarto de hóspedes.

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