No corredor do terceiro andar, a luz do sol entrava pelas janelas do chão ao teto, espalhando uma camada dourada e quente no chão. As pinturas impressionistas penduradas na parede pareciam excepcionalmente suaves na luz e sombra, e todo o espaço estava tão silencioso quanto um quadro.
Mas esse silêncio, neste momento, estava sendo rasgado por uma tensão invisível.
Adilson estava parado em uma extremidade do corredor, com o rosto branco como papel. Os nós dos dedos da mão apoiada na parede estavam brancos, o corpo tremia levemente, e o gosto de sangue na garganta ficava cada vez mais forte.
Ele encarou Tereza fixamente, moveu os lábios e soltou aquela voz rouca:
— Você... está grávida? De quem...
Assim que ele terminou de falar...
"Ding..."
O som da porta do elevador se abrindo quebrou o silêncio mortal.
Caio saiu rapidamente do elevador, seguido por Renan.
Ele vestia uma camisa azul-escura colocada às pressas, com a barra levemente bagunçada e o cabelo ainda um pouco úmido, claramente tendo vindo correndo. O olhar dele varreu o corredor em um instante, absorvendo tudo à sua frente —
Tereza estava parada ali, vestindo um vestido longo bege, tão silenciosa quanto um quadro.
Charles estava parado ao lado dela, com o rosto lívido.
O Diretor Dubois congelou de constrangimento no lugar, o olhar alternando entre as pessoas, e gotas finas de suor já escorriam por sua testa.
E do lado oposto, Adilson se apoiava na parede, com o rosto assustadoramente pálido, parecendo que ia desmaiar a qualquer momento.
Caio franziu a testa bruscamente.
Ele não hesitou nem um pouco, caminhou a passos largos até Tereza, parou diretamente na frente dela e a protegeu atrás de si.
— Você está bem? — A voz dele era grave, com uma preocupação evidente.
Tereza olhou para as costas dele bloqueando a visão à sua frente e ficou surpresa por um momento.
Esse homem ainda cheirava a suor do treino, um dos botões da camisa estava abotoado errado e o cabelo estava bagunçado, claramente tendo vindo correndo o caminho todo.
Mas ele estava parado ali, como um muro.
Os cantos da boca dela se curvaram levemente em um arco muito suave.
— Estou bem. — Ela disse suavemente.
—
Essa cena, aos olhos de Adilson, foi como uma faca apunhalando seu coração com força.
Ele olhou para Caio bloqueando a frente de Tereza, olhou para o leve sorriso nos lábios de Tereza, olhou para aquela intimidade natural entre os dois —
Uma onda de sangue subiu direto para o topo da cabeça.
O rosto dele passou de pálido para vermelho, e rapidamente perdeu a cor de novo, ficando ainda mais branco do que antes. As veias nas têmporas latejavam, e havia um zumbido em seus ouvidos, como se inúmeras abelhas estivessem zumbindo.
Aquele gosto de sangue na garganta não pôde mais ser contido.
Ele sentiu que a boca estava cheia de gosto de sangue.
Aquele gosto, amargo, de sangue, misturado com uma raiva e ressentimento infinitos.
O corpo dele balançou, quase não conseguindo se manter em pé.
Mas ele continuou encarando Tereza fixamente, encarando o baixo ventre dela, encarando o homem que a protegia.
Então, ele levantou a mão, apontando trêmulo para Tereza.
— É dele? — A voz dele estava tão rouca quanto lixa esfregando em pedra. — Você me traiu?
Naquela voz, havia raiva, ressentimento e um tipo indescritível de... mágoa?
Tereza franziu levemente a testa.
O Diretor Dubois ouvia ao lado, e a expressão em seu rosto era espetacular. Ele olhou para Adilson, depois para Tereza, e então para o homem desconhecido que a protegia, com a mente um caos. Ele era médico há décadas, já tinha visto todo tipo de drama de famílias ricas, mas a cena de hoje ainda o fazia suar nas palmas das mãos.
Ele deu um passo para trás discretamente e sussurrou para a enfermeira atrás dele: — Vá chamar dois seguranças para subirem e esperarem na escada.

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