Nas ruas de Paris, um carro preto passava em alta velocidade.
A paisagem da rua do lado de fora da janela recuava rapidamente, e a luz do sol entrava pelo vidro, lançando luzes e sombras manchadas dentro do carro.
Adilson estava encostado no banco, de olhos fechados.
O rosto dele continuava pálido, e um traço de sangue seco ainda pendia no canto de sua boca. O colarinho da camisa estava um pouco bagunçado, e ele parecia em um estado deplorável.
Marcos olhou para ele pelo espelho retrovisor, sentindo um aperto no coração.
Ele trabalhava com Adilson há tantos anos, quando já o tinha visto daquele jeito?
Ele pegou um pacote de lenços de papel em silêncio e o entregou para o banco de trás.
— Sr. Ferreira, limpe-se.
Adilson abriu os olhos e pegou o lenço de papel.
Ele limpou a mancha de sangue no canto da boca, deixando um vermelho chocante no lenço.
Marcos entregou também uma garrafa de água mineral.
— Enxágue a boca.
Adilson pegou a água, abriu a tampa, tomou um gole, enxaguou a boca e cuspiu na lixeira do carro.
Aquele gosto de sangue, finalmente, diminuiu um pouco.
Ele se encostou no banco e fechou os olhos.
— E o pessoal vigiando a Isadora, qual é a situação?
Marcos pegou rapidamente o celular e ligou para o número dos dois guarda-costas.
O telefone tocou várias vezes antes de ser atendido, e o som do outro lado era barulhento, misturado com vários xingamentos ininteligíveis e música.
— Assistente Marcos! — A voz do guarda-costas estava muito baixa. — Estamos do lado de fora de um hotel. A Isadora foi levada para dentro por aqueles dois homens, parece que desmaiou. Esse lugar... não é muito normal.
O coração de Marcos afundou.
— Que hotel? Qual é a localização exata?
O guarda-costas informou um endereço.
O rosto de Marcos mudou.
Ele desligou o telefone e olhou para trás, para Adilson.
— Sr. Ferreira, aquele lugar... — Ele engoliu em seco. — É uma região sem lei nos arredores de Paris. É uma bagunça lá, tem todo tipo de gente. A polícia raramente entra lá.
Os olhos de Adilson se abriram bruscamente.
Naqueles olhos, havia muitos vasos sanguíneos rompidos, mas eles eram frios como gelo.
— Merda. — Ele xingou em voz baixa. — Estão procurando a morte.
Ele se sentou direito, e a voz ficou fria:
— Dirija mais rápido.
Marcos pisou no acelerador, e o carro ziguezagueou pelo trânsito, atraindo um coro de buzinas.
—
Adilson pegou o celular e discou um número criptografado.
O telefone tocou duas vezes e foi atendido.
Do outro lado veio uma voz rouca, com sotaque do Sudeste Asiático:
— Sr. Ferreira?

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