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O carro parou na porta de um hotel dilapidado.
Este hotel tinha apenas três andares, a tinta da parede externa estava descascando, revelando o cimento cinza-escuro por baixo. Grades de ferro enferrujadas estavam soldadas nas janelas, e alguns vidros estavam quebrados, cobertos com papelão.
Vários homens tatuados estavam parados na porta, fumando e conversando. Ao verem o carro parar, eles apagaram os cigarros e lançaram olhares vigilantes.
Assim que Adilson saiu do carro, um homem de jaqueta preta veio ao seu encontro.
— Sr. Ferreira? — Ele perguntou em inglês com sotaque do Sudeste Asiático.
Adilson assentiu.
O homem fez um gesto para segui-lo e os levou para dentro do hotel.
Atravessando o corredor escuro e estreito, a luz ficava cada vez mais fraca, e apenas uma lâmpada amarelada brilhava no teto. O chão rangia sob os pés, e alguns lugares até afundavam, revelando buracos escuros por baixo. A pintura manchada das paredes descascava, revelando cimento escurecido, e dava para ver vagamente manchas vermelhas escuras — eram manchas de sangue seco, camada após camada, que já haviam se infiltrado na parede.
O choro de uma mulher veio do fundo do corredor, reprimido e desesperado, como um animal encurralado.
Então houve um baque surdo, e o choro parou abruptamente.
O rosto de Marcos ficou branco.
Os passos de Adilson não pararam.
Subindo as escadas bambas do primeiro andar, o corrimão estava coberto de ferrugem, e lascas de ferro caíam ao menor toque. Um morador de rua estava agachado na curva da escada, olhando para eles com olhos turvos, murmurando para si mesmo, sem saber o que estava dizendo.
O corredor do segundo andar era mais estreito e a iluminação era mais fraca.
O homem que liderava o caminho parou na porta do quarto 208 e bateu na porta, três batidas longas e duas curtas.
A porta se abriu uma fresta e, após a pessoa lá dentro confirmar, foi totalmente aberta.
A iluminação no quarto era fraca, apenas um abajur de cabeceira estava aceso. Na cama dilapidada, Isadora estava deitada em silêncio, com a respiração calma e o rosto um pouco pálido, mas parecia apenas estar dormindo.
Adilson caminhou rapidamente até lá e se agachou ao lado da cama.
— Isadora?
Nenhuma reação.
O homem que os trouxe para dentro falou:
— Sr. Ferreira, fique tranquilo, ela está bem. Deram sonífero para ela, vai ficar bem depois de dormir algumas horas.
Adilson levantou a cabeça.
— Onde estão aqueles dois homens?
Os cantos da boca do homem se curvaram em um arco.
— Estão trancados no quarto ao lado. Esperando o senhor lidar com eles.
Ele fez uma pausa e baixou a voz:
— Este lugar é terra sem lei. A polícia nunca se importa, e ninguém pergunta se alguém morre. O senhor pode fazer o que quiser.
Adilson ficou em silêncio por um segundo.
— Me leve lá.
—
No quarto ao lado, a porta foi empurrada, e um cheiro de sangue misturado com cheiro de mofo veio no rosto.
Não havia luz no quarto, apenas a luz do corredor entrava, e dava para ver vagamente duas pessoas encolhidas no canto.
As mãos deles estavam amarradas nas costas, e as bocas estavam seladas com fita adesiva. Ao verem a porta se abrir, os dois começaram a se debater violentamente, soltando sons abafados pela garganta.
Adilson entrou no quarto.
Marcos ficou na porta, com o rosto pálido.
— Sr. Ferreira...
— Espere aqui. — Adilson disse.
A porta se fechou atrás dele.
O quarto mergulhou na escuridão.

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