Francine hesitou por um segundo diante do homem com a câmera pendurada no pescoço.
Ele tinha cabelos escuros e ondulados, levemente desgrenhados, que caíam sobre a testa de maneira despretensiosa, mas charmosamente calculada.
Os olhos eram profundos, intensos, capazes de prender a atenção sem esforço, e os lábios, firmes mas sensíveis, pareciam esconder um sorriso constante.
Havia algo nele que lembrava uma mistura de sofisticação e casualidade, um tipo de elegância que não precisava de roupas caras para se destacar.
Quando levantou os olhos da tela da câmera, Francine percebeu o efeito quase hipnotizante daquele olhar.
— Então você é a tal Francine… — disse Lohan, a voz baixa e carregada de sotaque francês.
Não soava como uma pergunta, mas como se já tivesse visto o suficiente para afirmar.
Ela ajeitou a postura, meio sem jeito.
— A tal?
O fotógrafo sorriu de lado, inclinando levemente a cabeça como quem estudava uma obra de arte.
— A mulher que dominou o desfile sem sequer estar no casting oficial.
Juliette, ao lado, soltou uma risada satisfeita, como se estivesse validando o comentário.
— Ela surpreendeu todo mundo, Lohan. Não foi só você.
Ele não respondeu de imediato. Apenas levantou a câmera e, num gesto rápido, clicou.
Francine piscou surpresa.
— Ei, eu nem posei. — protestou, levando a mão ao rosto.
— Justamente. — O olhar dele se manteve fixo, intenso, mas nada invasivo. — As melhores fotos são as que revelam quem a pessoa é antes mesmo de saber que está sendo observada.
Francine sentiu o rubor subir pelas bochechas e desviou, tentando se recompor.
Não era como Dorian, cuja presença sempre parecia esmagadora, exigindo que ela reagisse.
Lohan era o oposto: ele a fazia se sentir vista, não medida.
— Você tem futuro, Francine. — Ele pendurou novamente a câmera no pescoço e se aproximou um passo, abaixando o tom como quem confiava um segredo. — Talvez só esteja precisando de um empurrãozinho.
Ela abriu a boca para responder, mas Juliette se adiantou, empolgada:
— Ele raramente fala isso, pode acreditar!
— Ah, claro… — ironizou uma delas, arqueando as sobrancelhas com malícia. — Por isso a piscadinha, né? Super profissional.
Elas caíram na risada, enquanto Francine tentava esconder o calor que subia às bochechas. Apertou o cartão na mão, respirando fundo.
Não queria admitir nem para si mesma, mas aquela breve troca já tinha deixado sua mente mais agitada do que gostaria.
Quando o backstage se esvaziou e o burburinho foi se dissolvendo pelo salão, Francine ainda sentia as pernas trêmulas.
Era como se tivesse atravessado um redemoinho em poucas horas, da sombra do anonimato para o centro das atenções.
A cada passo, a mente repetia a mesma pergunta: isso realmente aconteceu comigo?
O brilho das luzes, os aplausos, o olhar dos fotógrafos, o cartão ainda quente entre os dedos... tudo parecia um sonho impossível de encaixar na realidade que conhecia até ontem.
Ainda havia uma parte dela que temia acordar na manhã seguinte e descobrir que tudo não passara de um devaneio alimentado pela insônia e pela saudade de casa.
Francine ergueu os olhos, respirando fundo, tentando absorver cada detalhe daquele instante.
O coração disparou em um misto de euforia e incerteza, e um sorriso escapou sem que ela conseguisse controlar.
— Malu vai ficar louca quando souber.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras