Entrar Via

Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 130

A segunda-feira começou cedo, e Dorian saiu da cozinha e atravessou o corredor em silêncio, ainda com a imagem de Francine acesa no fundo dos olhos.

Malu havia mostrado a ele uma foto que Francine havia enviado, onde ela aparecia meio distraída, como se tivesse sido pega de surpresa.

Tão linda quanto ele se lembrava.

Pegou o paletó da cadeira do hall, ajustou a gravata com um gesto automático.

Foi quando Denise surgiu da ala de serviço com a prancheta de sempre, os óculos escorregando na ponta do nariz.

Parou diante dele como fazia desde que ele era adolescente: firme, discreta, eficiente.

— Senhor Dorian, uma coisa rápida antes do senhor sair — disse, folheando as anotações. — Os jardineiros perguntaram se o senhor prefere a poda das árvores ainda esta semana. E as roseiras do canteiro central… mantemos ou trocamos pelas novas mudas que chegaram?

Ele demorou um segundo para responder, como se a mente precisasse voltar do lugar onde tinha ficado.

Passou os dedos nos botões da camisa, respirou.

— Pode fazer a poda, sim… — falou mais baixo que o habitual.

Denise ergueu o olhar por cima da prancheta, avaliando-o com a facilidade de quem conhecia cada microexpressão naquele rosto.

— Certo. — Anotou e fechou a prancheta. — E o senhor quer que a equipe faça também a limpeza dos lustres na sexta ou deixamos para a outra semana?

— Sexta está bom.

Ela não se moveu. Apenas inclinou a cabeça, suave, notando o semblante triste do chefe.

— Está assim por causa dela ainda, não é?

O ar pareceu pesar um pouco no corredor.

Dorian ajeitou a gravata de novo, como se o nó fosse a única coisa que podia controlar naquele instante.

— Ela fez a escolha dela — disse, por fim, sem rodeios — E eu… estou tentando respeitar.

Denise deu um passo mais perto, a voz baixa, acolhedora.

— Tentar respeitar não impede de doer.

Ele concordou com um gesto mínimo.

O maxilar travou, e os olhos, que raramente traíam qualquer emoção, marejaram imperceptíveis como naquela cozinha, minutos antes.

— Sinto falta dela por perto — admitiu, quase num sussurro. — É… estranho atravessar a casa e não cruzar com ela em lugar nenhum. E é difícil… — ele procurou a palavra, encontrou a mais honesta — …é difícil não poder nem falar com ela.

Denise assentiu, com aquele carinho que sempre soube oferecer sem invadir.

— Eu sei.

Ele inspirou fundo, se recompondo. O velho reflexo voltou ao rosto: controle, foco, disciplina.

— Tenho que ir. — disse enquanto pegava o celular e as chaves.

130 - Menos que um relógio 1

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras