Cássio riu, nervoso e divertido ao mesmo tempo.
— Não acredito, você já tinha até pensado nisso, não é? Você é um psicopata funcional, Dorian.
O canto da boca do CEO se curvou em um sorriso mínimo.
— Prefiro “planejador eficiente”.
Ele se levantou com a calma de sempre e caminhou até a janela de vidro, onde a cidade se estendia como um tabuleiro iluminado, repleto de peças que só ele sabia mover.
— Prepare um laranja — ordenou, sem desviar o olhar. — Quero alguém limpo, sem ligação com o grupo. Ele vai comprar a parte do André e, quando a poeira baixar… eu assumo como sócio majoritário.
Cássio arregalou os olhos, o riso escapando quase em choque.
— Isso vai arrancar o couro do Natan. Ele nem imagina.
Dorian ajeitou com precisão o punho da camisa, o gesto meticuloso de alguém que nunca deixava uma ponta solta.
— É esse o objetivo.
Mais tarde, em uma sala de reuniões discreta, as paredes forradas com painéis de madeira abafavam até a respiração dos presentes.
Dois advogados de confiança abriram uma pasta pesada sobre a mesa, espalhando contratos que refletiam a luz fria da luminária.
— A compra vai ser feita em nome de Eduardo Rangel. Empresário do ramo de logística, histórico impecável. — explicou um deles, com a voz cautelosa de quem media cada palavra diante de Dorian.
— E quanto tempo até a operação se concretizar? — o CEO perguntou, o tom controlado, mas os olhos afiados como lâmina.
— Duas semanas, no máximo.
Dorian inclinou-se levemente para frente, e embora a voz permanecesse serena, a temperatura da sala pareceu despencar.
— Quero em cinco dias. Se for preciso, aumente a oferta. Dinheiro não é problema.
Os advogados se entreolharam, tensos, antes de assentir em silêncio.
De volta ao escritório, Cássio entrou sem bater, como de costume, equilibrando duas taças de vinho tinto.
— Se vamos enterrar o Natan, ao menos brinda comigo, vai.
Dorian ergueu a taça sem entusiasmo, o olhar ainda distante.
— Ao fim de uma era.
— E ao início de outra — completou Cássio, rindo alto. — Cara, eu adoro quando você vira o vilão. É tipo filme de máfia, só que com gravata Hermes.
Dorian não riu, mas o canto do lábio tremeu, um reflexo quase imperceptível.
Dorian aceitou a bebida, mas não respondeu de imediato.
Fitou o líquido escuro por alguns segundos, como se buscasse coragem ali dentro, antes de soltar:
— Me vingar do imbecil que agarrou a Francine dá trabalho.
A cozinheira se ajeitou na cadeira, como se tivesse acabado de ouvir a notícia do ano. Os olhos brilharam de surpresa e curiosidade.
— Peraí… não vai me dizer que é o senhor o responsável por todas as denúncias contra aquele estrupício do Natan?
Ele ergueu o canto da boca, exibindo um sorriso cansado, quase orgulhoso.
— Eu não podia deixar ele impune.
Malu soltou uma gargalhada satisfeita, inclinando-se sobre a mesa.
— Olha, senhor Dorian, eu sei que Francine não quer saber nada sobre você, mas prometo que isso aí não vai passar batido. Ela precisa saber dessa informação.
Dorian terminou o café de um gole só, apoiou a xícara na mesa e levantou-se, ajeitando o paletó como quem já se preparava para encerrar o assunto.
— Conto com você, Malu.
E sem esperar resposta, deixou a cozinha, enquanto o sorriso de Malu ainda ecoava no ar.

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