Francine estava no quarto alugado na casa de Adele e Pierre, já de pijama, passando um hidratante diante do espelho quando o celular vibrou sobre a mesinha de cabeceira.
O relógio marcava quase onze da noite, e ela pensou em ignorar, mas ao ver o nome de Malu na tela, atendeu com um sorriso cansado.
— Oi, Malu… já ia deitar. — disse, a voz macia, entre um bocejo e outro.
— Oh, amiga, desculpa, eu sempre esqueço do fuso horário! — respondeu Malu em tom animado. — Mas me conta, como estão as coisas por aí? Aquela foto que você me mandou, você tava deslumbrante!
Francine ajeitou uma almofada nas costas e se encostou melhor na cama.
— Meu final de semana foi um caos, você sabe, mas de um jeito muito bom. Só estou com os pés implorando por misericórdia. Preciso de uma semana de spa, no mínimo.
As duas riram juntas, e a conversa seguiu leve por alguns minutos, até que Malu mudou o tom, com aquele ar de quem não se aguentava para soltar uma bomba.
— Bom… já que estamos falando de coisa boa, deixa eu te contar uma fofoca que você precisa saber.
— Ih, lá vem. — Francine ajeitou o celular no ouvido, divertida. — Manda logo, tô precisando de notícias positivas.
— Que o Natan anda comendo o pão que o diabo amassou você já sabe né. Pois eu descobri quem é o diabo padeiro — disse Malu, carregando a voz de mistério. — E olha, você não vai acreditar.
Francine arqueou uma sobrancelha, já entrando na brincadeira.
— Então me fala logo. Essa pessoa merece um beijo, no mínimo!
Malu soltou uma risada breve antes de soltar a bomba:
— Pois se prepara… porque acho que ele vai querer mais do que isso. — Malu fez uma pausa dramática antes de continuar — O senhor Dorian, Fran, ele que está acabando com a vida do Natan.
O silêncio que se seguiu foi tão denso que Malu chegou a afastar o telefone, verificando se a ligação não tinha caído.
— Fran? — chamou, mais suave. — Você tá aí ainda?
Francine demorou a recuperar o raciocínio.
— Sim. Estou.
As palavras de Malu pareciam ecoar na cabeça dela, mas não faziam sentido.
"Dorian? Logo ele?"
Ela fechou os olhos, encostando o pote de hidratante sobre a mesa de cabeceira, como se precisasse de algo sólido para se apoiar.
— Eu… não entendo — murmurou, a voz quase falhando. — Por que ele faria isso?
— Mas uma hora você vai ficar famosa, Fran. — Malu baixou o tom, quase como um alerta. — E ele vai saber onde você está. E com certeza vai atrás de você. Está pronta pra quando isso acontecer?
Silêncio. O coração de Francine bateu mais rápido, mas ela manteve o rosto impassível.
— Ainda não. — respondeu por fim. — Mas vou estar quando chegar a hora.
Malu deu um suspiro resignado, como quem se dá por vencida. As duas ainda conversaram por mais um tempo antes de se despedirem.
Depois de desligar a ligação, Malu caminhou até a porta, mas seus pensamentos ficaram pesados.
"Espero que você esteja pronta daqui a tres semanas, Francine… porque é exatamente o tempo que falta pra ele te encontrar no baile da Montblanc."
Do outro lado, Francine se ajeitou na cama, tentando se convencer de que precisava apenas descansar.
Mas, no silêncio, sua mente insistia em revisitar os poucos momentos com Dorian, como se cada lembrança fosse um fio puxando para lados opostos: o desejo que ainda queimava e a raiva que ela se esforçava para manter viva.
Francine não queria dar a ele o peso dos próprios pensamentos, mas ali estava ela, remoendo tudo.
Suspirou, cobrindo o rosto com o travesseiro antes de murmurar baixinho:
— Você é um idiota, Dorian... mas obrigada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras