Malu quase deixou o celular escorregar das mãos.
O coração disparava tão forte que ela pensou, por um instante, em fingir um desmaio só para não precisar explicar nada.
— Malu? — Dorian repetiu, dando um passo à frente.
O tom dele não era de impaciência, mas de genuína curiosidade. Os olhos estreitados deixavam claro que queria entender a cena.
Do outro lado da linha, Francine paralisou.
O som daquela voz grave, controlada, impossível de confundir, atravessou o celular como uma facada certeira na memória.
Ela apertou o aparelho contra o ouvido, os olhos marejando de repente.
O peito pareceu encolher, e por um instante ela pensou que fosse desmaiar ali mesmo, na poltrona da sala de Adele.
— Malu, quem está aí com você? — a voz dele soou mais próxima, quase ao alcance da respiração dela.
Malu piscava rápido, tentando decidir: contava tudo? Fingia mal-estar? Inventava uma desculpa ridícula?
As mãos suadas tremiam em torno do celular, e ela sentiu a garganta secar como nunca antes.
— Eu… eu… — gaguejou, olhando de Dorian para o telefone.
Francine mordeu o lábio, tentando engolir o nó na garganta.
Era ele.
Tão longe e ao mesmo tempo tão perto.
A lembrança do toque, do olhar duro, do jeito dele de invadir todos os espaços… tudo voltou de uma vez só.
O silêncio do corredor se estendeu, quebrado apenas pela respiração acelerada de Malu atravessando o aparelho na mão de Francine.
Malu deu um passo para trás, engolindo a própria adrenalina, e antes que pudesse pensar melhor, saiu correndo pelo corredor.
— Foi um engano, senhor! Não precisa se preocupar! — gritou, quase tropeçando nos próprios pés enquanto se afastava.
Dorian permaneceu parado na porta do quarto, observando a funcionária desaparecer na correria.
O canto de seus lábios se curvou em um sorriso natural, discreto, mas carregado de astúcia.

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