Do outro lado do oceano, Malu quase deixou o celular cair da mão quando a notificação acendeu a tela. Leu a mensagem de Francine e sentiu o sangue gelar.
"Amiga, socorro."
O coração dela disparou. Em segundos já estava digitando em um turbilhão de aflição:
"Onde você tá? O que aconteceu? Precisa de ajuda? Já ligou pra polícia? Me fala o que tá acontecendo!"
Os dedos tremiam sobre a tela, e ela mal piscava, esperando a resposta como quem aguarda um diagnóstico de vida ou morte.
Malu não aguentou esperar a resposta. Apertou o botão de chamada com a respiração presa no peito.
O toque ecoava do outro lado da linha, mas Francine não atendeu.
Naquele exato momento, o celular estava largado em cima da mesinha de centro, vibrando sozinho, enquanto Francine ria com Adele, que tinha acabado de aparecer na sala quase saltitando de curiosidade.
— E então? — Adele abriu um sorriso largo, os olhos brilhando. — Conta tudo! Como foi o ensaio? Quero detalhes, fotos, fofocas, tudo!
Francine ainda estava meio zonza com o turbilhão de emoções, mas o entusiasmo da anfitrtiã era contagiante.
— Calma, uma pergunta de cada vez!
Enquanto isso, na tela esquecida do celular, o nome de Malu brilhava em letras garrafais, seguido pelo toque insistente.
Ela andava em círculos pela sala de descanso com o celular colado no ouvido.
Quando a chamada caiu na caixa postal pela terceira vez, ela jogou-se no sofá, sentindo o coração bater descompassado.
— Droga, Francine… por que você manda uma mensagem dessas e some? — murmurou, mordendo o lábio com força.
Malu largou o celular no sofá e imediatamente se levantou, andando de um lado para o outro como uma leoa presa em jaula.
Passava a mão no cabelo, puxava as pontas, depois parava de repente e arregalava os olhos.
— Sequestraram a Francine… — sussurrou, sentindo o estômago gelar. — Meu Deus, tráfico de órgãos! Pegaram ela!
Sentou-se de novo, mas logo em seguida pulou, batendo palmas no ar como se pudesse afastar os pensamentos.
Mas foi novamente tomada pelo pânico.
— Não, pior… tráfico humano! Ela é muito bonita, já devem estar mandando ela pro Sri Lanka! — levou as duas mãos à boca, os olhos quase lacrimejando.
Deu alguns passos até a janela, respirou fundo e começou a falar consigo mesma em tom quase teatral:
— Eu preciso fazer alguma coisa. Ligar pra polícia francesa? — bufou alto e revirou os olhos. — Eu nem sei falar francês! “Bonjour, minha amiga foi sequestrada!” Eles iam rir da minha cara.
Passou a mão pelo rosto com força, como se quisesse acordar.
— Pensa, Malu, pensa! Como você pode ajudar ela? — bateu o dedo contra a própria testa.

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