Francine despertou devagar, a luz do sábado entrando suave pela janela.
Ainda deitada, esticou o braço para pegar o celular na mesinha de cabeceira.
O coração disparou quando a tela acendeu: o saldo da conta aparecia ali, confirmando que não tinha sido um sonho.
O valor enviado por Dorian ainda estava lá, intacto, brilhando como uma tentação e também como uma pergunta sem resposta.
“Por que ele faria isso…?” pensou, mordendo o lábio inferior.
Era dinheiro suficiente para se sustentar por meses, mas o gesto carregava um peso maior do que números.
A cada vez que olhava o extrato, parecia sentir a presença dele mais perto, como se Dorian estivesse tentando atravessar a distância com cifras.
Suspirou fundo e, tentando afastar o nó na garganta, levantou-se.
Enquanto tomava café com Adele, comentou de maneira quase despretensiosa:
— Adele, você conhece algum salão bom por aqui? Segunda-feira tenho aquela seleção da agência, e quero estar impecável.
Adele ergueu os olhos, e um sorriso se abriu no rosto dela, daqueles que iluminavam a cozinha.
— Claro que conheço! — respondeu animada. — Eu estava mesmo precisando de companhia pra ir. E você vai amar!
Francine riu, aliviada com a empolgação dela.
Por um momento sentiu que talvez pudesse transformar aquele dinheiro em algo positivo: não em uma dívida emocional com Dorian, mas em investimento no futuro que tanto sonhava.
O salão indicado por Adele parecia mais uma galeria de arte do que um lugar para se arrumar.
Lustres de cristal pendiam do teto, espelhos dourados refletiam cada detalhe e garçons discretos circulavam oferecendo taças de espumante.
O cheiro de flores frescas misturado ao perfume caro dos produtos dava o tom do ambiente.
Francine entrou com a cabeça erguida, sem se intimidar pelo luxo.
Se tinha um objetivo naquela tarde, era simples: estar a mulher mais bonita que poderia ser.
Deixou-se guiar pela recepcionista elegante, que a instalou em uma poltrona estofada, enquanto uma cabeleireira de coque perfeito analisava seus fios.
Ela sorriu de canto e puxou o celular.
Entre uma hidratação e a manicure escolhendo a cor do esmalte, Francine ergueu o braço, fez uma pose bem dondoca com a taça de espumante na mão e clicou uma selfie.
Digitou rápida, com ironia divertida:
“Luxando em Paris com o dinheiro alheio ✨🍸”
Aperto de enviar.
O celular vibrou segundos depois.
Malu respondeu com uma enxurrada de emojis de fogo e risadas:
— E então? — Adele ergueu os olhos, com um sorriso divertido. — Sobreviveu ao sacrifício?
Francine riu baixo, ajeitando a bolsa no ombro.
— Mal consigo sentir as pernas, de tão leve que estou. Se isso é vida de modelo em Paris, eu aceito.
— Vida difícil, não é? — Adele piscou. — Prometo que vou te acompanhar mais vezes nesse fardo.
As duas seguiram até o caixa, onde uma funcionária elegante as aguardava com a nota já preparada.
Sem sequer perguntar o valor, Francine entregou o cartão, deslizando-o com a segurança de quem não precisava se preocupar com números.
Enquanto digitava a senha, um lampejo atravessou seus pensamentos:
“Obrigada, Dorian. De novo.”
Enquanto a funcionária lhe devolvia o cartão, o celular de Francine vibrou dentro da bolsa.
Uma notificação do banco confirmou o débito, valor alto, mas não o suficiente pra ela se preocupar nem por um segundo.
Só então ela se lembrou de desbloquear a tela e checar o que mais havia ali.
No topo das mensagens, uma em especial chamou sua atenção, arrancando um sorriso bobo dela:
“Será que a sua agenda de modelo famosa teria um espacinho pra conhecer o Louvre amanhã com seu fotógrafo favorito?”

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