A manhã seguinte trouxe consigo o aroma familiar de café fresco e o burburinho constante da cafeteria.
Francine ajeitava as bandejas, servia mesas e sorria para clientes habituais, mas sua mente estava longe dali.
As palavras de Adele ainda ecoavam, insistentes, como se tivessem plantado raízes.
Enquanto limpava uma mesa próxima à vitrine, seus olhos pousaram em um casal que ria despreocupado, dividindo uma fatia de bolo.
Logo ao lado, outro casal discutia baixinho sobre qual filme assistir mais tarde, mas sem perder o tom de intimidade.
A cena se repetia em diferentes formas pela cafeteria inteira, e Francine se perguntou se realmente tinha feito bem em abandonar tudo de forma tão abrupta.
"Ele errou comigo… mas será que eu não errei também?" – pensou, ajeitando os talheres sem perceber que repetia o gesto três vezes no mesmo lugar.
Ela balançou a cabeça, tentando afastar a dúvida.
Paris era sua chance.
Ali estava a agência indicada por Olivier, uma oportunidade que talvez jamais tivesse se ficasse no Brasil.
Respirou fundo, endireitou os ombros e se convenceu: tinha valido a pena.
Assim que encerrou o expediente, Francine pegou a pequena lembrancinha comprada no Louvre para Malu e seguiu até os Correios.
O salão estava cheio de turistas animados, tentando despachar pacotes volumosos para seus países. A cena a fez sorrir de leve.
"Será que eu deveria ter comprado mais coisas?" — pensou, ajeitando a sacola entre os braços.
Enquanto caminhava até o balcão, seus olhos foram atraídos por uma prateleira repleta de cartões postais coloridos.
Parou diante deles.
A Torre Eiffel iluminada, o Sena refletindo as luzes da cidade… E por um instante se viu imaginando o que escreveria para Dorian.
Algo simples, mas suficiente para dizer que ele ainda estava em seus pensamentos.
— Mademoiselle? — chamou o balconista, tirando-a do devaneio.
Francine soltou o cartão de volta à prateleira e avançou até o balcão, estendendo o embrulho.
— Gostaria de enviar para o Brasil. Quanto tempo demora para chegar?
O atendente começou a carimbar os formulários sem levantar muito os olhos.
— De dez a quinze dias.
Ela assentiu, mas seu olhar se desviou de novo para os cartões postais. A mão quase se moveu sozinha em direção a eles, até que respirou fundo e murmurou baixinho:
— Não… se ele souber onde estou, aparece no dia seguinte. Melhor deixar pra lá.
— Pardon? — perguntou o atendente, entregando o comprovante.
Francine sorriu, disfarçando.
— Nada. Merci.
Do lado de fora dos Correios, Francine segurou o celular, levantou o braço e clicou uma selfie rápida com a fachada da agência ao fundo.



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