Natan entrou no prédio da construtora com passos largos e firmes, a postura impecável, o queixo erguido, transmitindo a impressão de que já era o dono de tudo.
O vazio deixado por André parecia preencher o ar ao seu redor, e ele saboreava a sensação de superioridade que aquele silêncio lhe proporcionava.
Cada detalhe do saguão, o piso polido, os painéis de vidro refletindo sua imagem, reforçava a ideia de que aquele espaço agora estava sob seu controle.
Ao chegar em sua sala, a secretária, sempre eficiente, ergueu os olhos do computador e informou:
— Senhor Natan, o advogado de André chegou para buscar os documentos da cisão da empresa.
Ele assentiu de forma imperceptível, mantendo o olhar firme à frente:
— Muito bem. Mande-o entrar.
Minutos depois, a porta se abriu e o advogado adentrou, pastas em mãos, com a expressão profissional e calculada.
Natan estendeu a mão com naturalidade, mas não sem aquele toque de altivez característico, entregando-lhe os documentos com todas as assinaturas já conferidas e ordenadas.
— Aqui estão os papéis — disse, a voz firme e medida, sem uma pitada de nervosismo. — Aguarde aqui enquanto confere se tudo está correto.
O advogado, um homem de meia-idade com expressão austera, começou a revisar cada página com cuidado, confirmando que todos os trâmites legais estavam em ordem.
— Tudo certo aqui — disse o advogado. — Agora é oficial. Seu novo sócio deve assumir em breve a posição.
Natan assentiu, mas não pôde evitar uma pontada de curiosidade: quem seria Eduardo Rangel, seu novo sócio? Um fantasma à espreita da mesma cadeira que ele ocupava.
Um pensamento que ele rapidamente afastou, substituindo-o por sua habitual confiança: o mundo corporativo tinha espaço para poucos, e ele sempre se saía bem.
Sem perder tempo, retirou o celular do bolso e discou para Afonso, seu investigador particular.
— Afonso — disse, com a voz firme, mas carregada de impaciência —, alguma novidade sobre a investigação?
Do outro lado, Afonso respondeu com a calma característica de quem lidava diariamente com a arrogância de Natan:
— Até o final do dia devo ter mais informações concretas. Que tal nos encontrarmos à noite em um restaurante? Posso detalhar tudo pessoalmente.
Natan assentiu, embora o investigador não pudesse vê-lo:
— Perfeito. Marque um lugar discreto — ordenou, desligando em seguida.

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