O escritório estava em silêncio, exceto pelo tilintar de gelo contra o cristal do copo de uísque de Cassio.
Ele ainda balançava a cabeça, incrédulo, com um meio sorriso provocador.
— Eu ainda não acredito que você foi parar num estádio de futebol. — Cassio reclinou-se na poltrona de couro, como quem saboreia a piada. — Achei que ia morrer e não ia ver essa cena.
Dorian, atrás da mesa impecavelmente organizada, ergueu os olhos do relatório que lia.
Um sorriso discreto, quase imperceptível, curvou seus lábios.
— Foi menos pior do que eu imaginava. — confessou, em tom seco. — O barulho, a confusão… suportáveis.
Cassio gargalhou.
— Suportáveis? Você estava abraçado comigo e gritando feito um torcedor fanático. Se não tivesse fotos e vídeos, ninguém acreditaria.
Dorian não respondeu, apenas virou levemente um copo de água nas mãos, como se analisasse cada gota com atenção exagerada.
O telefone de mesa vibrou, interrompendo a provocação. A secretária avisava pelo ramal:
— Senhor Villeneuve, o advogado já chegou.
— Mande entrar. — respondeu, firme.
Poucos segundos depois, o advogado atravessou a porta carregando uma pasta preta de couro. Cumprimentou-os com formalidade, e Dorian fez um gesto para que se sentasse.
— Está tudo pronto. — disse o advogado, abrindo os documentos sobre a mesa. — O sócio indicado assumiu oficialmente a parte deixada por André. De agora em diante, a construtora passa a ter uma nova configuração societária.
Dorian folheou as páginas com calma, conferindo cada detalhe. Sabia que não precisava, afinal todos já tinham sido revisados dezenas de vezes, mas o gesto lhe dava controle.
Pegou a caneta, assinou e devolveu os papéis sem pressa.
— Resumindo — o advogado continuou —, somadas às ações que o senhor adquiriu durante a queda de mercado, e agora com a parte controlada por meio do novo sócio, a sua fatia passa a ser a maior da empresa. O senhor é, na prática, o acionista majoritário.
Cassio sorriu largo, inclinando-se para frente.
— Ou seja… quem manda agora é você.
O advogado recolheu os documentos, satisfeito, e despediu-se discretamente, deixando o escritório novamente apenas para os dois.
Cassio não resistiu:
— Então, quando é que você vai dar o pé na bunda definitivo do Natan?
Dorian recostou-se na cadeira, entrelaçando os dedos sobre a mesa.
A expressão permanecia fria, calculada, como quem observa uma peça de xadrez prestes a ser derrubada.
— Ainda não. — respondeu, tranquilo. — Faltam alguns detalhes.
— Detalhes? — Cassio arqueou a sobrancelha.
— Surpresas boas exigem paciência. — Dorian fitou o horizonte pela janela, a cidade refletindo em seus olhos. — Não quero me precipitar e estragar o efeito. Quero que ele caia sem perceber, até o último instante.
Cassio riu baixo, erguendo o copo de uísque em um brinde silencioso.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras