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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 172

O avião começou a perder altitude suavemente, e pelas janelas largas da primeira classe, Dorian podia ver Paris surgindo emoldurada pela manhã nublada.

Seus olhos fixaram-se em algum ponto distante, como se pudessem adivinhar onde Francine estava naquele instante.

A ideia de estar tão perto e ainda assim tão longe fez seu peito apertar.

O pouso foi rápido, mas a espera no saguão do aeroporto o lembrou que, para certas coisas, o tempo parecia se arrastar.

Enquanto aguardava o táxi, o cansaço que vinha sendo ignorado ao longo do voo finalmente se impôs.

Assim que entrou no carro, deixou o silêncio dominar. Não havia espaço para pequenas conversas com o motorista, não naquela manhã.

O hotel escolhido para a estadia era um dos mais renomados da cidade, com colunas imponentes na entrada e lustres de cristal que cintilavam no lobby.

Funcionários impecavelmente vestidos o receberam com a deferência de quem já sabia exatamente quem ele era, levando suas malas até o quarto com discrição e rapidez.

No entanto, nada daquilo o impressionava de verdade. Sua mente estava ocupada demais para se importar.

Ao desfazer a bagagem, uma peça chamou sua atenção mais do que qualquer outra.

No meio dos ternos perfeitamente dobrados e das camisas alinhadas, repousava a caixa discreta, em veludo escuro, guardando o objeto que mudara o rumo daquela noite no leilão.

Abriu-a lentamente e deixou os olhos se demorarem sobre a tiara.

O brilho das pedras parecia pulsar sob a luz do quarto, mas não era o luxo que lhe tirava o fôlego, era a imagem que invadiu sua mente: Francine, usando aquilo, como se tivesse sido feito apenas para ela.

Um leve sorriso lhe escapou, acompanhado de um murmúrio quase inaudível:

— Falta pouco.

Fechou a caixinha novamente, devolvendo-a ao fundo da mala, como quem protege um segredo.

Depois, deixou-se cair na cama macia, permitindo que o cansaço finalmente vencesse a ansiedade.

Paris inteira esperava por ele, mas por enquanto, só o silêncio e o sono importavam.

Depois de algumas horas de descanso, Dorian despertou com o peso do corpo ainda pedindo mais cama, mas sabia que precisava se mover para alinhar o relógio interno ao novo fuso.

Tomou um banho rápido, desceu ao restaurante do hotel e pediu um café da tarde leve.

Enquanto o garçom trazia um expresso forte e uma fatia de bolo de amêndoas, ele consultava a agenda.

No dia seguinte teria duas reuniões com investidores, em diferentes pontos da cidade, e aquilo exigiria sua energia.

Ainda assim, o corpo não havia se acostumado ao fuso, e uma inquietação o dominava.

Terminado o lanche, decidiu que o melhor a fazer era sair para correr. Talvez assim o corpo, ainda confuso pela viagem, se acostumasse ao novo ritmo.

Trocou a roupa elegante por uma camiseta escura, calça esportiva e tênis de corrida e, já na rua, deixou o vento frio de Paris tocar seu rosto.

O vento trouxe até ele a memória de algo íntimo, delicado, como se um pedaço do passado tivesse sido arrancado do nada e colocado diante de seu olfato.

Ele ergueu o rosto de imediato, surpreso, como se pudesse identificar a origem entre as dezenas de pessoas que cruzavam o parque.

Mas tudo que encontrou foram corredores anônimos, vultos indo e vindo, desconhecidos demais para se deter neles.

O coração acelerou por razões que nada tinham a ver com a corrida.

Ficou alguns segundos imóvel, os olhos percorrendo cada rosto, cada figura que passava.

Nada.

O perfume já havia se dissipado no ar frio, como uma ilusão.

Ele passou a mão pelos cabelos, rindo baixo de si mesmo.

Talvez fosse apenas um truque da mente, um reflexo da saudade se misturando ao cansaço da viagem.

Ainda assim, a sensação era real demais para ser ignorada.

Por um instante, teve certeza de que ela estava perto. Muito perto.

Enquanto isso, Francine, do outro lado do parque, seguia correndo ao lado de Adele, sem imaginar que havia passado a poucos metros do homem que tinha acabado de atravessar o oceano só para encontrá-la.

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