O avião começou a perder altitude suavemente, e pelas janelas largas da primeira classe, Dorian podia ver Paris surgindo emoldurada pela manhã nublada.
Seus olhos fixaram-se em algum ponto distante, como se pudessem adivinhar onde Francine estava naquele instante.
A ideia de estar tão perto e ainda assim tão longe fez seu peito apertar.
O pouso foi rápido, mas a espera no saguão do aeroporto o lembrou que, para certas coisas, o tempo parecia se arrastar.
Enquanto aguardava o táxi, o cansaço que vinha sendo ignorado ao longo do voo finalmente se impôs.
Assim que entrou no carro, deixou o silêncio dominar. Não havia espaço para pequenas conversas com o motorista, não naquela manhã.
O hotel escolhido para a estadia era um dos mais renomados da cidade, com colunas imponentes na entrada e lustres de cristal que cintilavam no lobby.
Funcionários impecavelmente vestidos o receberam com a deferência de quem já sabia exatamente quem ele era, levando suas malas até o quarto com discrição e rapidez.
No entanto, nada daquilo o impressionava de verdade. Sua mente estava ocupada demais para se importar.
Ao desfazer a bagagem, uma peça chamou sua atenção mais do que qualquer outra.
No meio dos ternos perfeitamente dobrados e das camisas alinhadas, repousava a caixa discreta, em veludo escuro, guardando o objeto que mudara o rumo daquela noite no leilão.
Abriu-a lentamente e deixou os olhos se demorarem sobre a tiara.
O brilho das pedras parecia pulsar sob a luz do quarto, mas não era o luxo que lhe tirava o fôlego, era a imagem que invadiu sua mente: Francine, usando aquilo, como se tivesse sido feito apenas para ela.
Um leve sorriso lhe escapou, acompanhado de um murmúrio quase inaudível:
— Falta pouco.
Fechou a caixinha novamente, devolvendo-a ao fundo da mala, como quem protege um segredo.
Depois, deixou-se cair na cama macia, permitindo que o cansaço finalmente vencesse a ansiedade.
Paris inteira esperava por ele, mas por enquanto, só o silêncio e o sono importavam.
Depois de algumas horas de descanso, Dorian despertou com o peso do corpo ainda pedindo mais cama, mas sabia que precisava se mover para alinhar o relógio interno ao novo fuso.
Tomou um banho rápido, desceu ao restaurante do hotel e pediu um café da tarde leve.
Enquanto o garçom trazia um expresso forte e uma fatia de bolo de amêndoas, ele consultava a agenda.
No dia seguinte teria duas reuniões com investidores, em diferentes pontos da cidade, e aquilo exigiria sua energia.
Ainda assim, o corpo não havia se acostumado ao fuso, e uma inquietação o dominava.
Terminado o lanche, decidiu que o melhor a fazer era sair para correr. Talvez assim o corpo, ainda confuso pela viagem, se acostumasse ao novo ritmo.
Trocou a roupa elegante por uma camiseta escura, calça esportiva e tênis de corrida e, já na rua, deixou o vento frio de Paris tocar seu rosto.

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