A maquiadora baixou o spray, deu um passo para trás e disse com um sorriso satisfeito:
— Terminamos.
Aquela simples palavra foi suficiente para Francine sentir o coração acelerar. Por um instante, teve vontade de chorar, mas conteve-se para não borrar nada.
Levantou-se devagar, os pés descalços tocando o chão de madeira, e se colocou diante do espelho de corpo inteiro.
Ficou apenas olhando para si mesma por um momento.
O reflexo que a encarava não parecia a garota de semanas atrás, perdida no meio de cafés e clientes habituais.
Era uma mulher pronta para enfrentar o salão mais importante da sua carreira.
Os cabelos, agora mais curtos, caíam em curvas suaves pelo pescoço, deixando um lado do rosto completamente à mostra e cobrindo levemente o outro, numa assimetria charmosa.
Havia algo de quase cinematográfico na forma como uma mecha ondulada roçava a linha do maxilar, lembrando a sensualidade velada da Jessica Rabbit.
O quarto de Francine, improvisado como camarim naquela noite, estava tomado pelo brilho do vestido pendurado na arara ao lado da cama.
A luz amarelada do abajur fazia os paetês cintilarem, como se o dourado respirasse.
Francine ajeitava as hotpants diante do espelho quando ouviu Adele, sentada na beira da cama, soltar com um sorriso malicioso:
— Uau, está ousada hoje, hein.
Francine se virou num pulo, arregalando os olhos.
— Como assim, ousada?! Meu Deus, por que não disse isso antes? Eu teria escolhido outro vestido! Você acha que vou fazer vergonha? Ai, meu Deus…
Adele riu, levantando as mãos como quem pede trégua.
— Calma, era só uma brincadeira. Você está deslumbrante, Francine. E totalmente adequada para o evento. Confia em mim, você vai arrasar.
Ainda um pouco tensa, Francine respirou fundo e puxou o vestido com cuidado, deixando que o tule dourado e translúcido deslizasse sobre a pele até encontrar a cintura.
Quando ergueu os braços para amarrar as alças atrás da nuca, Adele ficou em silêncio por um instante, observando.
As costas nuas, reveladas pelo decote profundo, pareciam ainda mais delicadas sob a luz suave.
Francine ficou alguns segundos imóvel diante do espelho, como se precisasse se reconhecer dentro daquele vestido.
O tule dourado caía em linhas tão leves que parecia flutuar ao redor do corpo, e os reflexos dos paetês piscavam como pequenas brasas a cada movimento.
Com a mão um pouco trêmula, ela afastou os cabelos do ombro para prender o brinco delicado, quase imperceptível perto de tanto brilho, mas que completava o conjunto com uma elegância sutil.
Enquanto ajustava o outro brinco, percebeu o próprio reflexo sorrir sem querer, não de confiança, mas de puro nervosismo.
Sentia um frio na barriga que nem mesmo na noite do baile na mansão de Dorian havia experimentado.


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