Dorian ajeitava a gravata pela terceira vez diante do espelho, a mandíbula rígida, os olhos frios, tentando disfarçar o turbilhão que se agitava por dentro.
Separou três ternos sobre a cama, mas não havia dúvidas: escolheu o de corte impecável em azul-marinho, alinhado milimetricamente ao corpo.
Pegou o estojo de veludo preto e abriu com calma, revelando as abotoaduras de prata.
Segurou-as na palma da mão por alguns segundos, como se aquelas pequenas peças fossem talismãs, e então as fixou nos punhos com gestos calculados.
— Perfeição ou nada — murmurou, quase como um mantra.
A gravata escolhida não era qualquer uma: seda italiana, azul profundo, discreta e imponente.
O tipo de detalhe que falava sem precisar de palavras.
Um sinal silencioso de que estava ali para reconquistar o que lhe pertencia, e ninguém o impediria.
Endireitou os ombros diante do espelho e viu refletida a mistura contraditória de orgulho e medo.
Estava preparado, mas também ciente de que aquela noite poderia reabrir feridas antigas.
O relógio de pulso marcava ainda alguns minutos antes do horário.
Mesmo assim, decidiu sair. Queria chegar primeiro, ocupar o espaço, respirar o ambiente antes dela.
O carro deslizou pela cidade até o local do evento. Assim que desceu, sentiu uma estranha familiaridade.
O pé-direito altíssimo, as colunas revestidas de mármore claro, a escadaria forrada pelo tapete vermelho, os flashes dos fotógrafos começando a se multiplicar, tudo aquilo lhe trouxe uma inesperada sensação de segurança.
Era como se estivesse em território conhecido, quase em casa.
Na entrada, um segurança de terno preto conferia a lista. Dorian entregou o convite sem uma palavra, apenas o olhar firme. O homem checou, assentiu e liberou sua passagem.
Lá dentro, o salão já se iluminava com a sofisticação calculada da Montblanc.
Tecidos leves desciam do teto, difusos, criando a impressão de movimento contínuo. O som discreto de taças tilintando ecoava pelo espaço, enquanto os primeiros convidados se espalhavam.
No canto, sobre um sofá de couro branco, o dono da Montblanc observava a cena.
Estava rodeado por três mulheres deslumbrantes, modelos de traços delicados que riam de algo que ele acabara de dizer.
Ao notar Dorian, levantou-se imediatamente, abrindo um sorriso amplo.
— Não acredito no que vejo! — exclamou, abrindo os braços em um gesto caloroso. — Você finalmente veio. Todos os anos envio o convite, e você sempre arruma uma desculpa.
Dorian manteve a postura ereta, apenas curvando levemente a cabeça em cumprimento.
— Dessa vez havia um bom motivo.
O anfitrião arqueou as sobrancelhas, mal escondendo a curiosidade.
— Ah… então é mesmo por causa daquela modelo que você nos indicou? — perguntou, inclinando-se como quem compartilha um segredo. — A propósito… por que ela não veio com você?

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