O salão inteiro pareceu prender a respiração quando Francine olhou para baixo e viu a mancha vermelha se espalhando pelo tule dourado da saia.
Seu rosto se transformou em segundos, os olhos faiscando de raiva, a mão fechada como se estivesse pronta pra socar Chloe.
— Eu vou… — ela começou, dando um passo na direção de Chloe, pronta para soltar o que estava entalado na garganta.
Antes que pudesse avançar, Dorian a segurou firmemente pelo braço, firme mas discreto, inclinando-se para murmurar em seu ouvido, com a voz baixa e controlada:
— Não faça escândalo. É exatamente o que ela quer. Não dê a ela essa vitória. Isso pode prejudicar sua carreira.
Francine virou o rosto para ele, o peito subindo e descendo de fúria contida.
Seus olhos, porém, estavam cheios de lágrimas, mais de indignação do que de tristeza.
Dorian, com a mesma calma quase desarmante que tinha na pista de dança, passou o polegar sob os olhos dela, impedindo que a maquiagem borrasse.
— Você tem um encontro muito importante à sua espera. Não vamos deixar que a inveja de ninguém roube isso de você — disse, a voz baixa, quase um sussurro que só ela pôde ouvir.
Ao redor, pequenos grupos de convidados cochichavam, apontando discretamente, curiosos com a cena. O clima de expectativa e fofoca pairava no ar.
Chloe, erguendo as sobrancelhas como se estivesse constrangida, colocou a taça vazia em cima de uma bandeja de um garçom e anunciou, com falsa simpatia:
— Ai, querida, que desastre… Vou buscar um guardanapo pra ajudar a limpar isso.
Ela se afastou, o salto ecoando pelo piso de mármore, o sorriso venenoso mal disfarçado.
Foi então que Vincent, o estilista com quem Francine havia conversado mais cedo, surgiu ao lado dela.
Seus olhos de artista brilharam diante do desafio. Ele avaliou o estrago com a seriedade de um pintor diante da tela.
— Confie em mim, senhorita. Eu vou fazer do seu vestido um verdadeiro espetáculo — declarou com um leve sorriso.
Sem esperar resposta, fez sinal para um garçom que passava.
— Por favor, uma faca.
O garçom, um pouco hesitante, lhe entregou a faca.
Com gestos rápidos e seguros, Vincent cortou o tule manchado, removendo a parte inferior da saia que fora atingida pelo vinho.
O corte transformou o vestido num modelo ousado, com uma fenda profunda que revelava as hotpants brilhantes e alongava ainda mais a silhueta de Francine.
Alguns convidados soltaram exclamações discretas, impressionados com a improvisação.
Francine inspirou fundo, sentindo a raiva aos poucos ceder lugar a um calor novo, uma sensação de força.
— Aconteceu um pequeno acidente, mas já foi resolvido.
Pascal parou diante deles, o olhar perspicaz percorrendo Francine dos pés à cabeça.
Não havia julgamento, mas sim interesse genuíno, como quem finalmente encontrava algo que esperava há muito tempo.
Depois de um breve silêncio, um sorriso rarefeito surgiu em seus lábios.
— Francine! Finalmente nos encontramos. — Sua voz soou calorosa, contrastando com a postura imponente. — Está muito mais bonita agora!
Francine arregalou levemente os olhos, surpresa, e olhou de Pascal para Dorian como se estivesse tentando montar um quebra-cabeça.
— Você… já me conhece? — perguntou, incrédula, a voz carregada de confusão.
Pascal riu baixo, sem desviar os olhos dela.
— Conheço, sim. Dorian me falou sobre você meses atrás. Não entendi por que demorou tanto para aparecer nos nossos eventos.
Francine sentiu o coração acelerar, uma onda de emoções misturando surpresa, incredulidade e um toque de constrangimento.
Lentamente, virou o rosto para encarar Dorian, que mantinha a expressão calma, mas com um brilho satisfeito nos olhos como se estivesse, finalmente, mostrando a ela a peça que faltava naquele quebra-cabeça.

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