Dorian estendeu a mão para Francine, que ainda estava um pouco atordoada com tudo.
O gesto foi firme, mas não impositivo, como se dissesse sem palavras: vem comigo.
Ela aceitou a mão dele, sentindo os dedos entrelaçarem-se brevemente antes que ele a ajudasse a descer do palco.
Os aplausos ainda ecoavam quando eles passaram por Pascal, que inclinou o corpo ligeiramente em reverência e comentou, com um sorriso carregado de ironia e admiração:
— Uma mulher que conseguiu dobrar o Dorian… isso não é pouca coisa. Meus parabéns, mademoiselle. E, claro… bem-vinda à Montblanc.
Francine, ainda atônita com a intensidade dos últimos minutos, apenas assentiu, tentando segurar o riso nervoso.
O elogio vinha de alguém cuja autoridade era indiscutível, e isso a fez perceber, pela primeira vez, o tamanho real do passo que acabara de dar.
Eles seguiram juntos para a pista de dança.
O DJ retomara a música, uma batida elegante, envolvente, que preenchia o salão com uma energia vibrante.
Luzes coloridas refletiam nos cristais, criando pontos cintilantes ao redor deles.
Francine caminhava ao lado de Dorian, sentindo a mão dele ainda pousada na sua cintura, como se quisesse garantir que ela permanecesse ancorada em meio ao turbilhão.
A cada passo, trocavam olhares ora intensos, ora cúmplices, ora leves, com um sorriso contido que dizia mais do que palavras.
Ela tentava absorver tudo: o público ainda comentando, as taças erguendo brindes em sua direção, a certeza de que seu nome, seu rosto e aquele beijo já eram assunto em cada canto do salão.
Era como viver um sonho que não dava tempo de compreender por inteiro.
Quando chegaram ao centro da pista, Dorian parou diante dela, mantendo-a próxima.
O sorriso dele não era largo, mas tinha um brilho satisfeito que ela nunca tinha visto antes.
Francine sentiu que, por um instante, o mundo inteiro poderia desaparecer e nada mais faria diferença.
Mas a magia foi abruptamente rompida.
De repente, Francine sentiu um puxão forte em seus cabelos, a cabeça sendo inclinada para trás num gesto agressivo.
Um grito abafado escapou de sua garganta.
Em seguida, algo brilhou diante de seus olhos: a tiara, arrancada de forma brusca.
Chloe, ofegante, erguia a peça acima da cabeça como um troféu roubado.
O rosto dela estava transtornado, a maquiagem impecável agora borrada pelo suor e pelo ódio escancarado.
A voz ecoou pelo salão, carregada de veneno:
— Nenhuma estrangeira barata vai roubar o palco de uma francesa! Não enquanto eu estiver aqui!
A tensão no ar era quase palpável.
Dorian manteve-se imóvel por uma fração de segundo, como se tentasse conter o turbilhão que lhe queimava o peito.
A raiva não se mostrava em gritos, mas no aperto quase imperceptível do maxilar, nos olhos que perderam o brilho calmo e ganharam um tom de aço.



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