O salão ainda vibrava com os aplausos quando o nome de Francine ecoou pelo microfone.
As luzes focaram no rosto surpreso da jovem entre a plateia, e por alguns segundos ela não conseguiu se mover.
O coração parecia bater no compasso acelerado dos flashes que a cercaram.
Chloe, logo à frente, arregalou os olhos, o sorriso congelado em descrença, tentando manter a compostura diante de tantos olhares curiosos.
A plateia, por sua vez, explodia em murmúrios animados, como se todos quisessem comentar ao mesmo tempo o anúncio inesperado.
— Francine Morais, venha até aqui. — A voz de Dorian, firme e segura, cortou o ar.
Empurrada pelo turbilhão de emoções e pelo incentivo de quem estava ao redor, Francine se moveu.
Cada passo até o palco parecia levar uma eternidade, mas os aplausos ritmados abriram caminho para ela como uma trilha iluminada.
Quando finalmente subiu, as mãos de Dorian a receberam, guiando-a para o centro.
Ele a olhou de forma intensa, como se todo o salão tivesse desaparecido, e então levou novamente o microfone à boca.
Sua voz soou mais baixa, íntima, mas ainda assim carregada da solenidade que o momento exigia.
— Esperei por isso durante dois meses… — disse, sem desviar os olhos dela. — Os dois meses mais longos e difíceis da minha vida.
O salão mergulhou em silêncio.
Até os flashes diminuíram, como se todos compreendessem que estavam diante de algo mais do que um simples discurso.
— Desde o primeiro instante, quando vi você naquele ensaio em uma revista velha, dentro de um consultório qualquer… eu soube. Soube que havia algo diferente em você. Não apenas beleza, mas uma verdade, uma força que não podia ser escondida.
Francine sentiu o estômago revirar, lembrando-se exatamente da conversa deles no quarto, quando ele contou que já a tinha visto na revista, antes mesmo de descobrir que ela era a mulher mascarada do baile.
— Sei também — continuou Dorian, agora deixando o tom de voz levemente mais grave — que o seu caminho não foi fácil. Você confiou em pessoas erradas, esteve à beira de ser levada para trabalhos indignos do seu valor, e por causa disso foi exposta a alguém que se colocou entre nós, mas que agora já foi colocado em seu devido lugar.
Um murmúrio percorreu a plateia, como se tentassem adivinhar de quem ele estaria falando, e o que aquele "nós" significava.
Dorian não recuou.
— Esses dois meses distantes de você foram uma tortura. Uma espera que me consumiu dia após dia. Mas, Francine… cada segundo valeu a pena. Porque hoje eu tenho a chance de fazer o que deveria ter feito desde o começo: colocar você no lugar que sempre mereceu.
Ele então fez um gesto elegante com a mão.
Uma assistente aproximou-se do palco, trazendo uma pequena caixa de veludo azul.
A plateia prendeu a respiração quando Dorian a recebeu e abriu diante de todos.
Dentro, reluzia a tiara que ele havia adquirido no leilão: delicada, imponente, um símbolo de poder e reconhecimento.
Dorian então se voltou para Pascal, que sorria com um brilho de aprovação nos olhos.
Ele segurou a peça com cuidado e deu um passo à frente.
— Eu poderia ter desistido, mas cada dia sem você só me fez ter mais certeza de que valeria a pena esperar.
A plateia suspirou em uníssono, e até Pascal inclinou levemente a cabeça, com um sorriso contido.
— Francine… — Dorian ergueu a mão, roçando a ponta dos dedos no queixo dela, erguendo-o levemente — …você sempre foi e sempre será a mulher que mudou tudo.
Francine, com o coração acelerado, murmurou quase sem voz:
— Você não tinha que dizer isso aqui…
Ele sorriu de lado, aquele sorriso raro, ligeiramente inclinado, que deixava transparecer o homem por trás do empresário.
— Eu não preciso esconder de ninguém. — respondeu ele. — Francine Morais, eu amo você.
Ele se inclinou e a beijou, não de forma urgente ou apressada, mas com a serenidade de quem esperou e, enfim, alcançou.
O salão explodiu em aplausos e flashes, os convidados levantando as taças num brinde espontâneo.
Quando os lábios se separaram, Francine ainda manteve os olhos fechados por um segundo, como se quisesse guardar para sempre o instante.
Dorian, com a testa encostada na dela, murmurou num tom baixo, que mesmo assim captou a atenção dos mais próximos:
— Bem-vinda ao seu lugar, Francine. É daqui que você vai brilhar.

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