O banheiro da suíte tinha uma hidromassagem ampla, cercada por um vidro que revelava a cidade ainda adormecida.
A luz fria da madrugada começava a se misturar aos primeiros tons dourados do sol nascente.
O vapor subia da água quente, envolvendo os dois numa névoa tênue, que parecia apartá-los do resto do mundo.
Eles mal haviam dormido.
Não por insônia, mas porque cada momento da noite havia sido um longo reencontro, sem pressa, como quem finalmente baixa a guarda depois de meses de tensão.
Agora, no silêncio da manhã, permaneciam entrelaçados dentro da banheira, respirando devagar, como se o tempo tivesse decidido dar-lhes uma trégua.
Francine, deitada contra o peito de Dorian, demorou alguns instantes antes de abrir os olhos.
O primeiro reflexo que viu foi o do sol rompendo a linha do horizonte.
Depois, encontrou os olhos dele: ainda sombreados de cansaço, mas tomados por uma serenidade e por um desejo tranquilo, quase reverente, que ela jamais vira em outro homem.
Um sorriso nasceu nos lábios dela: um sorriso leve, carregado de cumplicidade.
Virou o rosto para o vidro e murmurou, num tom que misturava ironia e ternura:
— É… você cumpriu sua promessa…
Dorian soltou uma risada baixa, rouca da madrugada, e passou os dedos pela nuca dela, puxando-a de volta para junto de si.
A cidade lá fora despertava, mas dentro daquele quarto havia uma calma rara, a sensação de que algo importante havia se encaixado.
Francine saiu da banheira devagar, sentindo a água escorrer até os tornozelos antes de alcançar o roupão. Amarrou a faixa na cintura, ainda com a pele quente, e caminhou até a cama.
— Eu adoraria ter trazido uma roupa confortável pra dormir… — resmungou, ajeitando a barra do roupão.
Dorian vinha logo atrás, a toalha presa baixa na cintura, a pele ainda úmida.
— Eu odiaria se você tivesse trazido uma roupa confortável pra dormir — retrucou, a voz baixa e rouca.
Ela girou o corpo para encará-lo, mas mal teve tempo de reagir antes que ele a agarrasse pela cintura, as mãos firmes na curva dos quadris.
Num impulso rápido, tombou com ela sobre o colchão, fazendo o roupão se abrir um pouco.
Dorian mordeu o lábio, o olhar fixo nela, como se estivesse saboreando cada fração daquele instante que tinha imaginado por tanto tempo.
Francine riu, os olhos semicerrados, tentando manter a leveza.
— O dia já amanheceu… acho que a gente pode fazer uma pausa, né?
— Dois meses, Francine — murmurou ele, com a respiração mais pesada, inclinando-se para mais perto. — Dois meses que eu imagino essa cena só na minha cabeça. Hoje você pode me pedir qualquer coisa… menos uma pausa.
Quando a porta se fechou, Dorian caminhou com passos seguros até a cama, equilibrando a bandeja.
— Bom dia — disse com um sorriso discreto. — Sente-se um pouco, vai querer provar isso ainda quente.
Francine, meio preguiçosa, puxou o lençol até a altura do peito e se endireitou, sentando-se contra a cabeceira.
Aceitou a xícara de café que ele lhe ofereceu, depois pegou uma torrada coberta com geleia e mordeu com gosto.
— Se isso não for um sonho, acho que vou querer repetir — brincou, lambendo de leve a geleia do dedo.
Eles trocaram um olhar cúmplice, e Dorian apenas balançou a cabeça com um meio sorriso, antes de se servir também.
Ela estava prestes a pegar outra torrada quando se deu conta do horário. O coração deu um salto.
— Adele deve estar preocupada comigo… meu Deus, que horas são? Onde está o meu celular? — perguntou, olhando em volta à procura.
Dorian, que já mordia calmamente uma fatia de pão, estendeu a mão em direção à mesa de cabeceira, onde havia deixado o aparelho dela.
— Ainda é cedo — respondeu tranquilo. — Mas, se quiser, pode avisar que está viva.
Ela soltou uma risada leve, aceitando o aparelho.
— “Viva” é exatamente a palavra certa… — murmurou, mordendo de novo a torrada antes de desbloquear a tela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras